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    Bashar al-Assad é condenado à morte por crimes de guerra pelo tribunal da Síria

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    Bashar al-Assad condenado à morte

    📷 Um combatente antigoverno rasga um retrato do presidente sírio Bashar al-Assad em Aleppo, após a entrada de jihadistas e seus aliados na cidade do norte da Síria, em 30 de novembro de 2024. — Mohammed AL-RIFAI / AFP |•| URBS MAGNA

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Damasco (SY)
    11 de agosto de 2026

    Quarto Tribunal Criminal de Damasco condenou à morte, nesta terça-feira (11 de agosto), o ex-presidente sírio Bashar al-Assad, seu irmão Maher al-Assad e seu primo Atef Najib por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante os 14 anos de guerra civil no país.

    O juiz Fakhareddine al-Aryan leu a sentença em uma sessão transmitida ao vivo pela televisão estatal síria, declarando que “Bashar al-Assad usou órgãos do Estado para cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade”.

    As acusações incluem assassinato premeditado, homicídio intencional de crianças menores de 15 anos, tortura resultando em morte e privação arbitrária de liberdade.

    Atef Najib, primo de Assad e ex-chefe da Segurança Política na província de Daraa, foi o único dos três que compareceu ao julgamento.

    Ele foi visto dentro de uma jaula, vestindo uniforme de prisioneiro, enquanto o juiz lia a sentença.

    Najib foi condenado por liderar a repressão em Daraa que deu início à revolta e, posteriormente, à guerra civil . Seus advogados afirmaram que ele recorrerá da decisão.

    Bashar e Maher al-Assad, que fugiram para a Rússia em dezembro de 2024, quando forças rebeldes tomaram Damasco, foram julgados à revelia.

    O governo de transição sírio, liderado pelo presidente Ahmad al-Sharaa (ex-comandante do grupo islâmico Hayat Tahrir al-Sham), já havia emitido um mandado de prisão contra Assad em dezembro de 2024 e solicitado sua extradição à Rússia.

    A vida de Bashar al-Assad no exílio em Moscou

    Segundo reportagens de jornais locais e internacionais, Assad vive um exílio luxuoso, mas profundamente isolado, em Moscou sob a proteção do presidente Vladimir Putin .

    The New York Times revelou que o ex-líder do país e sua família se estabeleceram primeiro em apartamentos opulentos operados pelo Four Seasons, que podem custar até US$ 13 mil por semana, antes de se mudarem para um duplex na Federation Tower, o arranha-céu mais alto da Rússia.

    Atualmente, Assad reside em uma vila no exclusivo bairro de Rublyovka, a oeste de Moscou, área frequentada pela elite russa.

    Sua vida, no entanto, é marcada pelo isolamento e pelo controle rigoroso das autoridades russas.

    Putin proibiu Assad de falar com a imprensa russa, internacional ou árabe, e ordenou que os serviços de segurança limitassem seus movimentos.

    Segundo o jornal israelense Yedioth Ahronoth, Assad raramente sai de casa e passa a maior parte do tempo lendo livros de oftalmologia (sua especialidade antes de assumir o poder), jogando videogame e tentando aprender russo.

    O relacionamento entre Assad e Putin é descrito como distante e pragmático. Putin não se encontrou com o ex-ditador desde que ele chegou a Moscou e teria deixado claro que Assad “não é mais interessante” para o Kremlin.

    Analistas avaliam que o asilo político concedido a Assad foi um gesto simbólico para demonstrar que a Rússia “nunca abandona seus amigos”, em contraste com os EUA, que abandonaram aliados como Hosni Mubarak durante a Primavera Árabe.

    No entanto, Moscou agora busca reconstruir canais de comunicação com o novo governo sírio para preservar seus interesses militares e geopolíticos no país.

    A tentativa da família Assad de obter residência permanente nos Emirados Árabes Unidos foi rejeitada por autoridades de segurança locais, que avaliaram que a presença deles no país poderia expô-los a riscos de segurança.

    A família, incluindo sua esposa Asma e seus filhos Hafez, Zein e Karim, foram vistos em lojas de luxo em Moscou, mas sua filha Zein enfrentou dificuldades para continuar seus estudos na Sorbonne University Abu Dhabi após sua identidade ser revelada, tendo que se transferir para a Moscow State Institute of International Relations.

    A história da Síria e a queda de Assad

    A guerra civil síria começou em 2011 como parte dos protestos da Primavera Árabe, quando manifestantes pacíficos pediram reformas políticas.

    O regime de Assad respondeu com uma repressão brutal, que rapidamente se transformou em um conflito armado de proporções catastróficas.

    A repressão inicial em Daraa, onde adolescentes foram presos e torturados por grafitar murais anti-governo, foi o estopim para a revolta.

    Ao longo dos anos seguintes, o regime de Assad foi acusado de usar armas químicas, como o ataque com sarin em Ghouta em agosto de 2013, que matou cerca de 1.400 pessoas, e de lançar mais de 80 mil bombas de barril sobre áreas civis.

    O fotógrafo militar conhecido como “César” contrabandeou 55 mil imagens de 11 mil detentos que morreram sob tortura, fome ou execução em instalações do regime.

    Com o apoio crucial da Rússia (a partir de 2015) e do Irã (incluindo o Hezbollah libanês), Assad conseguiu resistir e recuperar grande parte do território sírio.

    No entanto, em dezembro de 2024, uma ofensiva relâmpago liderada por Ahmad al-Sharaa e seu grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS), uma antiga ramificação da Al-Qaeda, tomou Damasco em apenas 11 dias, pondo fim a cinco décadas de domínio da família Assad sobre a Síria.

    A queda foi tão rápida que Assad foi forçado a fugir sob o manto da noite, escoltado por seguranças russos em uma operação secreta.

    A derrubada de Assad: Obra dos EUA?

    A resposta a essa pergunta é complexa e sujeita a interpretações. Por um lado, é inegável que os EUA desempenharam um papel significativo na tentativa de desestabilizar o regime de Assad durante a guerra.

    O ex-chefe do Centro Nacional de Combate ao Terrorismo dos EUAJoe Kent, afirmou em uma entrevista que Washington “trabalhou diretamente com a Al-Qaeda e o ISIS” na Síria para derrubar Assad, em colaboração com Israel.

    Ele argumentou que o objetivo era criar uma insurgência apoiada pela população sunita e que o ISIS foi um subproduto dessas operações.

    Essa visão, no entanto, não é consenso. Outras análises sugerem que o papel dos EUA foi mais ambivalente e limitado.

    O governo Trump, por exemplo, reconheceu que não estava mais buscando ativamente a queda de Assad e focou seus esforços em derrotar o ISIS.

    Além disso, a Rússia e o Irã, que forneceram apoio militar decisivo a Assad ao longo de anos, tiveram um papel muito mais direto na manutenção de seu regime até sua queda final.

    A derrubada de Assad foi, em última instância, resultado de uma combinação de fatores: o esgotamento de seus aliados (especialmente Rússia, que estava distraída com a guerra na Ucrânia e com o conflito contra a OTAN), a exaustão do próprio regime e a capacidade dos rebeldes de lançar uma ofensiva coordenada e surpreendente que encontrou pouca resistência.

    Um tirano, mas com nuances

    Apesar das controvérsias sobre o papel dos EUA, o consenso sobre a natureza do regime de Bashar al-Assad é avassalador. Sua trajetória revela um líder que inicialmente foi visto como um reformista em potencial, mas que se revelou um ditador implacável.

    Os relatórios de organizações como a Human Rights Watch, a Amnesty International e a Syrian Network for Human Rights, bem como as revelações das fotografias de “César”, documentaram um regime que utilizou a tortura como política de Estado, atacou deliberadamente hospitais e áreas civis, e empregou armas químicas contra sua própria população.

    A guerra sob seu comando deixou cerca de meio milhão de mortos e deslocou milhões, em um dos conflitos mais destrutivos do século XXI.

    A condenação à morte por um tribunal sírio é, portanto, uma expressão do julgamento histórico que o povo sírio e o mundo estão fazendo de seu legado.

    A Rússia ainda não se manifestou oficialmente sobre a sentença de morte contra Bashar al-Assad. O governo sírio de transição reafirmou seu compromisso com a justiça transicional, e novos julgamentos de ex-oficiais do regime devem ocorrer nas próximas semanas .



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