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Barroso quase chama Bolsonaro de ‘burro’ e diz que não há ‘risco real’ de golpe

    “O TSE assegurará eleições livres, limpas e seguras” garante o presidente da Corte. “A democracia não tem lugar para os que querem destruí-la“

    O ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, não usou o substantivo pejorativo burro, mas apontou o que chamou de ‘limitações cognitivas’ do presidente Jair Bolsonaro que podem estar levando-o a acreditar que sairia vitorioso em um eventual golpe à la Capitólio – o congresso dos EUA, que foi invadido em 6 de janeiro de 2021 por apoiadores de um derrotado, cujo episódio entra nesse contexto tão somente para uma comparação com os movimentos que o líder brasileiro voltou a ensaiar ao observar que está prestes a ser massacrado nas urnas por LULA.

    O comportamento da família Bolsonaro diante desse ‘tic tac’ eleitoral perturbador demonstra que o clã tem pesadelos diuturnos com o ex-presidente, com Dilma e com seu partido, como observou o jornalista Xico Sá, ao afirmar em rede social, sobre o governo LULA, que “não é que tenha sido o paraíso”, mas “chegou perto do pleno emprego e da fome zero”, acrescentando em seguida, sobre os fracassados do governo que está ocupado, que “por isso mesmo, [os petistas e o PT] são tão combatidos pelos que nem chegaram perto“.

    Sobre aquele mal-sucedido e delirante plano trumpista de perpetuação no poder, quando Donald insuflou reação injustificada de uns poucos extremistas contra a lei, a ordem e o processo legal da escolha de Joe Biden em seu lugar, vale lembrar que foi uma vergonhosa tentativa que causou grande efeito colateral aos envolvidos, pois todos os atores daquela selvageria de insatisfeitos com os resultados das votações americanas ainda estão sendo processados e condenados.

    Dando sinais de que a Justiça do Brasil usará a mesma tinta da caneta que a Justiça americana está usando em sua didática para apagar uma das mais estúpidas passagens de sua história política, Barroso afirmou, em entrevista ao Globo, que “o TSE assegurará eleições livres, limpas e seguras” e que “a democracia não tem lugar para os que querem destruí-la“.

    Para Barroso, as investidas do titular do Planalto contra as urnas eletrônicas também favorecem a atuação de milícias digitais – uma relação investigada pela Polícia Federal. O ministro diz que Bolsonaro facilitou a vida desses grupos ao divulgar dados sigilosos do inquérito que apurava um ataque hacker à Corte.

    O ministro, que deixará o cargo no final deste mês, sendo substituído por Edson Fachin e, mais tarde, durante as eleições, por Alexandre de Morais, discriminou, em resposta ao entrevistador, os componentes da falta de inteligência do chefe do Executivo: “o comício do presidente na porta do quartel-general do Exército, tanques na Praça dos Três Poderes, a minguada manifestação do 7 de setembro com discursos golpistas de desrespeito a decisões judiciais e ataques a ministros. Tudo isso eu acho que mais revela limitações cognitivas e baixa civilidade do que propriamente um risco real“.

    1 comentário em “Barroso quase chama Bolsonaro de ‘burro’ e diz que não há ‘risco real’ de golpe”

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