O Presidente do STF afirmou que seu maior legado à frente da Corte máxima de Justiça será a “total recivilização” do Brasil
O ministro presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, prometeu que a conclusão dos inquéritos que tramitam na Corte máxima de Justiça do país sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do 8 de Janeiro e das fake news, serão um marco da retomada da normalidade democrática no país.
Segundo o magistrado, “depois das eleições, o procurador-geral da República deverá definir o que arquivar e o que denunciar“, afirmou, referindo-se a Paulo Gonet, em entrevista ao jornal Valor Econômico.
“Espero que o pacote inteiro, incluindo os inquéritos sobre milícias digitais, fake news e os atos golpistas, esteja próximo do fim“, disse Barroso, que completou recentemente um ano como Presidente do Supremo, onde os mandatos duram em média dois anos.
“O Supremo desempenhou um papel decisivo ao enfrentar o radicalismo da extrema-direita. Não fosse nossa reação, o país poderia ter mergulhado em um abismo de agressividade e ameaças“, declarou o ministro que ficou popular no final de 2022, após a derrota nas urnas do hoje inelegível Jair Bolsonaro (PL) para o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com a viral resposta dada a um bolsonarista em Nova Iorque: “Perdeu, mané. Não amola“.
Na ocasião, Luís Roberto Barroso foi abordado por um seguidor do ex-presidente que acabara de se tornar o primeiro chefe de Executivo federal da história do Brasil a não conseguir se reeleger para o cargo.
Barroso repetiu o teor de um discurso recente, feito em defesa de Alexandre de Moraes por conta da pressão de bolsonaristas por seu impeachment, sob alegações de que o relator dos inquéritos contra o inelegível os persegue “fora do rito“. O presidente do STF disse na entrevista que “hoje, não podemos mais sair às ruas sem segurança” e que “algo no Brasil extraiu o pior das pessoas”. Para o ministro, “precisamos investir na pacificação e na retomada da civilidade“.
“Tenho a firme expectativa de que esses inquéritos serão encerrados antes do término da minha presidência. O país voltou à normalidade democrática, e as pessoas estão novamente divergindo dentro dos limites do respeito“, afirmou.
Sobre a suspensão da rede social X, pertencente ao bilionário Elon Musk, que decidiu apoiar a extrema direita brasileira em sua alegada “liberdade de expressão” e chegou a classificar publicamente em sua plataforma o ministro Moraes como “ditador“, Luís Roberto Barroso disse que “a legislação exige que empresas estrangeiras atuando no Brasil tenham um representante legal no país. Quando o X retirou seu representante, sua operação foi suspensa, sem qualquer motivo para politização“, explicou.
Por fim, Barroso afirmou que quer “deixar como legado a total recivilização do Brasil, e para isso, dependemos do fim desses pontos de tensão, como os julgamentos sobre o 8 de janeiro. A democracia precisa de civilidade, respeito às divergências e um retorno à normalidade“.
