Ministro justificou dizendo que, “naquele momento, não havia sobre a Lava Jato as suspeições que depois vieram a ser levantadas” e reconheceu que a operação, inicialmente vista como um avanço anticorrupção, “se perdeu nos excessos e terminou se politizando” – SAIBA MAIS
Brasília, 28 de setembro de 2025
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, resgatou memórias dolorosas de um dos capítulos mais controversos da história recente do Brasil: sua decisão de votar pela prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018, durante o auge da Operação Lava Jato.
À Folha de S. Paulo, publicada neste domingo (28/set), Barroso confessou ter aplicado a jurisprudência da época “com dor no coração”, destacando o dever de integridade judicial em um contexto que, anos depois, se revelaria marcado por suspeições e excessos.
Essa revelação não apenas reacende o debate sobre os limites do estado democrático de direito, mas reforça a soberania popular ao questionar como decisões judiciais podem interferir na vontade das urnas, especialmente em um país que luta para consolidar sua democracia progressista.
O episódio remonta a abril de 2018, quando o STF, em julgamento apertado por 6 a 5, negou um habeas corpus preventivo a Lula, permitindo sua prisão após condenação em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) no caso do tríplex do Guarujá (SP).
Barroso, ao lado de ministros como Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e Cármen Lúcia, aderiu ao entendimento vigente na Corte desde 2016, que autorizava a execução provisória da pena após o segundo grau de jurisdição.
Na ocasião, o ministro enfatizou que sua posição não era pessoal, mas um “dever de integridade com a minha função”, aplicando a mesma regra que ele próprio ajudara a consolidar.
Hoje, no entanto, Barroso reflete com clareza sobre o contexto: “Note-se que, naquele momento, não havia sobre a Lava Jato as suspeições que depois vieram a ser levantadas”, reconhecendo que a operação, inicialmente vista como um avanço anticorrupção, “se perdeu nos excessos e terminou se politizando”.
Essa admissão chega em hora propícia para o progressismo brasileiro, que vê na reavaliação de Barroso uma vitória simbólica para a restauração da democracia.
A prisão de Lula, líder histórico do Partido dos Trabalhadores (PT) e ícone da inclusão social, impediu sua candidatura nas eleições de 2018, pavimentando o caminho para o que muitos analistas progressistas denominam de um “golpe judicial” disfarçado de combate à corrupção.
Revelações posteriores, como as mensagens vazadas da Vaza Jato, expuseram conluios entre o então juiz Sérgio Moro e procuradores da Procuradoria da República em Curitiba, incluindo parcialidades e vazamentos seletivos que minaram a imparcialidade do processo.
O STF, em decisões subsequentes como a de 2019 que revogou a prisão em segunda instância e a anulação das condenações de Lula em 2021 por incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba, corrigiu rumos, reafirmando os pilares do estado democrático de direito: a presunção de inocência até trânsito em julgado e a proibição de julgamentos enviesados por motivações políticas.
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Do ponto de vista da soberania popular, o voto de Barroso em 2018 colide frontalmente com os princípios progressistas que valorizam a vontade do povo.
Lula, com aprovação recorde ao deixar a presidência em 2010, representava políticas de redução da desigualdade que transformaram o Brasil em referência global de inclusão – do Bolsa Família à expansão das universidades federais.
Sua exclusão do pleito de 2018, sob o manto de uma jurisprudência questionável, feriu a essência democrática, permitindo a ascensão de forças conservadoras que ameaçaram instituições como o próprio STF.
Barroso, em sua entrevista recente, elogia os avanços do atual governo Lula 3: “Nós melhoramos em tudo”, desde políticas sociais até o combate à corrupção sem seletividade, destacando como o progressismo resgata a democracia de abusos passados.
O jornal trouxe a entrevista integral, onde Barroso pondera sobre uma possível aposentadoria antecipada do STF, mas reafirma não se arrepender do voto, vendo-o como aplicação imparcial da lei na época.
A reflexão de Barroso não é mero exercício nostálgico; é um chamado à vigilância democrática.
Em um Brasil que superou o impeachment de 2016 e o autoritarismo de 2018-2022, relembrar esses momentos reforça a necessidade de um Judiciário alinhado à soberania do povo, à democracia participativa e ao progressismo que prioriza justiça social sobre punições seletivas.
Como bem disse o ministro em sua entrevista, a vida de um juiz exige “decisões que são pessoalmente difíceis”, mas o verdadeiro teste é se elas servem ao avanço coletivo ou a agendas ocultas.
Hoje, com Lula de volta ao Palácio do Planalto, o país avança rumo a um estado democrático de direito mais robusto, onde a dor do passado ilumina o caminho para equidade e liberdade.








A Folha só esqueceu de questionar porque então o Barroso votou CONTRA a suspeição do juiz ladrão e porque o protegeu com tanto afinco no julgamento do CNJ.
Isso prova que o Brasil mudou pra melhor! ❤️❤️❤️
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