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Baptista Junior complica ainda mais Anderson Torres e Jair Bolsonaro em depoimento à Polícia Federal

    Para investigadores, o ex-presidente insistiu na tese da fraude nas urnas para justificar o plano de golpe, mesmo após ter informações do ex-comandante da Aeronáutica sobre a segurança do processo eleitoral

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    O ex-comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, afirmou, em depoimento à PF (Polícia Federal), que o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, dava embasamento jurídico para Jair Bolsonaro (PL) decretar estado de defesa ou de sítio, o que complica ainda mais a situação do delegado na investigação sobre a tentativa de golpe de Estado.

    A PF observou que a expressão “estado de defesa” constava na minuta golpista encontrada, no ano passado, no armário de Torres, durante uma operação de busca e apreensão realizada em sua casa, informa Bela Megale, no ‘Globo‘.

    O depoimento de Baptista Junior demorou cerca de dez horas e aconteceu antes da oitiva do ex-comandante do Exército, Freire Gomes, que falou aos investigadores no início do mês.

    As informações que ambos deram como testemunhas no inquérito do plano golpista foram levadas ao ex-ajudante da Presidência e hoje delator, Mauro Cid. Ele foi interrogado nesta segunda-feira, diz o texto.

    O “estado de defesa” está previsto na Constituição e trata de um regime excepcional que pode ser utilizado pelo presidente da República, para preservar ou restabelecer a ordem pública ou a paz social, de imediato.

    A medida, porém, tem restrições geográficas, ou seja, não pode ser aplicado em todo o território nacional, e precisa ter a validade aprovada no Congresso.

    Baptista Junior também confirmou à PF a participação na reunião em que Bolsonaro debateu uma minuta golpista com chefes das Forças Armadas, mas disse que se colocou contra a medida.

    O brigadeiro ainda foi categórico ao afirmar para os delegados que não houve fraude nas eleições e destacou que sua base são as conclusões do relatório militar sobre as urnas na comissão de transparência da Justiça Eleitoral.

    O militar relatou ainda aos investigadores ter afirmado ao então presidente Bolsonaro que não houve fraude no pleito. Para a PF, o depoimento do brigadeiro aponta que, mesmo após ter informações seguras sobre a lisura das urnas, o ex-presidente insistiu na tese da fraude para justificar o plano de golpe.

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