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Banco Mundial, BID e Cepal calcularão custos para a reconstrução do RS e como o estado conviverá com rios

    Calamidade foi tomada como referência para cientistas e ambientalistas no âmbito do tema sobre mudanças climáticas e as equipes internacionais avaliarão impactos para indicar caminhos para reconstrução – Especialista do Banco Mundial explica

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    Equipes de especialistas do Banco Mundial, do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe)  passarão aproximadamente um mês no Rio Grande do Sul para uma série de levantamentos, reuniões e relatórios objetivando calcular os danos estruturais e consequências econômicas, além de quantificar os impactos tanto sociais quanto no bem-estar da população do estado após as cheias históricas.

    Ao todo, mais de 2,3 milhões de pessoas em 475 dos 497 municípios gaúchos foram afetadas pelas inundações, as enxurradas e os deslizamentos no fim de abril e em maio, com impactos principalmente na Região dos Vales (entornos dos vales dos Rios Taquari, Caí, Pardo e dos Sinos), na Serra Gaúcha e na área metropolitana. O balanço parcial é de 172 mortes e 42 desaparecidos.

    A avaliação vai considerar a necessidade de balancear investimentos estruturais e não estruturais, com perfis mais adaptados às mudanças climáticas bem como de medidas de monitoramento, alerta etc.

    Vão ter limites de custos. Será preciso balancear investimentos estruturais e não estruturais para conviver com os rios. Não só na área metropolitana e no Vale do Taquari, mas em todas as bacias. São decisões importantes a se tomar. Complementar obras estruturantes, de proteção, com estratégias de planejamento de uso do solo, de criar espaços vazios”, cita transcreve o ‘Estadão‘, o especialista sênior em Gestão de Risco de Desastres do Banco Mundial na América Latina e no CaribeJack Campbell.

    A estimativa sobre o quanto se poderia ter evitado em danos e prejuízos por meio de medidas de prevenção é difícil de ser feita porque o desastre envolveu um grande território, com características e impactos distintos, mas “não se tem dúvida do custo-benefício geral de se investir na redução de riscos”, disse o especialista.

    A calamidade Rio Grande do Sul foi tomada como referência para cientistas e ambientalistas no âmbito do tema sobre mudanças climáticas, e agora o estado brasileiro terá um novo momento, com monitoramento e alerta de cheias e outros riscos, com a modelagem da dinâmica que ficará a critério dos próprios especialistas e tecnologias do Brasil, que para Campbell são mais do que suficientes.

    Blumenau foi citada como exemplo. Lá existe uma plataforma e um aplicativo para toda a população acompanhar o nível dos rios, receber alertas de risco e ter acesso a outras funcionalidades. O sistema foi lançado em 2014, com o app em 2015, após o município de Santa Catarina sofrer com duas grandes enchentes, em 2008 e 2011. “O AlertaBlu é um ‘case’ mundial, de ‘best practices’ global”, diz. “Os moradores têm acesso ao aplicativo e interpretam a informação no âmbito muito local”.

    Como outros especialistas, Campbell defende uma “reconstrução resiliente”, o que envolve um trabalho não de alguns anos, mas de décadas. “Não é só reconstruir o que tinha antes, mas o que tem de se reconstruir para ter um Estado mais resiliente”, diz. “Santa Catarina fez investimento enorme em um plano diretor para o Vale do Itajaí, que ainda está em curso. É um olhar de longo prazo”.

    Agora é o momento para construir uma capacidade institucional para modelar, atualizar, entender os cenários climáticos, porque estamos falando de uma situação que pode piorar ou melhorar, dependendo dos cenários climáticos daqui a 25, 50, 100 anos”, acrescenta o especialista do Banco Mundial.

    Em comparação a outros países, ele cita que nações de maior renda e histórico de desastres conseguem fazer altíssimos investimentos em prevenção, como no Japão. Também avalia que o Brasil não tem uma cultura estabelecida de seguros contra desastres, tanto individuais quanto firmados por governos, o que poderia agilizar a reconstrução quando há recursos mais restritos.

    O Rio Grande do Sul já tinha quadro fiscal frágil antes do desastre. Esse evento obviamente só piorou”, aponta. “Se tivesse financiamento contingente, um seguro que oferecesse liquidez nesse tipo de evento, como apólices, crédito contingente, todo um universo de ferramentas financeiras, os governos subnacionais não ficariam em situação tão frágil”.

    Para Campbell, os governos conseguiram mapear os danos iniciais, com levantamento de imagens, dimensionamento de custos etc. “O que talvez não se tenha é uma política pública tão definida do que acontece depois, como fontes de financiamento de fundo perdido, arranjos para exceder crédito externo ou contingente”.

    Por isso, fala da importância da articulação das prefeituras com o governo estadual e federal. Cita como exemplo pequenas cidades que sequer têm equipes estruturadas de Defesa Civil. “Muita responsabilidade cai no prefeito, mas é preciso estabelecer mecanismos de financiamento, de assistência técnica para avaliar prioridade e reduzir riscos”, comenta Campbell, que ressalta que decisões difíceis e impopulares precisam ser tomadas eventualmente, como remover famílias de áreas de risco, por exemplo.

    Ele cita o programa Sul Resiliente, que é uma parceria de crédito do Banco Mundial com o BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), voltada a todos os municípios dos três estados sulistas. “Não são só linhas de crédito, mas também assistência técnica para avaliar prioridades e se preparar”, descreve.

    Esta será a segunda vez em menos de um ano que o Banco Mundial enviará uma equipe para locais afetados por desastres no Rio Grande do Sul. Outra missão já havia visitado o Estado no fim de 2023, após ciclones devastarem diversos municípios, especialmente no Vale do Taquari.

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