📷 O presidente do Banco Central da República Argentina (BCRA), o economista Santiago Bausili, e o presidente do país portenho, Javier Milei |•| Arte URBS MAGNA
| Buenos Aires (AR)
08 de agosto de 2026
Cerca de 4 trilhões de pesos captados pelo Tesouro da Argentina num leilão recente de dívida simplesmente não apareceram na conta que o órgão mantém no Banco Central da República Argentina (BCRA), e a explicação do presidente da autoridade monetária, dada de forma irônica, aumentou a desconfiança do mercado sobre a transparência das contas públicas do governo de Javier Milei.
O episódio na coletiva de imprensa
O caso veio à tona numa entrevista coletiva na última quinta-feira, quando um correspondente da agência Bloomberg perguntou diretamente a Santiago Bausili, presidente do BCRA, por que os cerca de 4 trilhões de pesos captados pelo Tesouro na licitação de dívida da semana anterior não constavam nos depósitos da pasta na autarquia, segundo relatou a coluna assinada pela La Política Online.
Em resposta, Bausili afirmou, em tom de brincadeira: “não acredito que tenham desaparecido, pode ser que não os tenham trazido para cá; tenho certeza de que, se procurarmos bem, eles estão em algum lugar”.
O presidente do BCRA também se esquivou de detalhar o percurso do dinheiro, remetendo a explicação ao Ministério da Economia, comandado por Luis Caputo: disse não ter “muita resposta”, já que a pergunta caberia ao Tesouro responder, conforme reproduziu o El Ciudadano.
Nem tudo desapareceu — mas o percurso segue nebuloso
Apesar do tom alarmante da fala inicial, o quadro é mais complexo do que um simples sumiço de recursos.
O economista Gabriel Caamaño apontou que, já na terça-feira anterior à coletiva, cerca de 1 trilhão de pesos havia reaparecido na conta do Tesouro no BCRA — parcela do total que faltava — sugerindo que os valores foram surgindo aos poucos, sem que ficasse claro onde permaneceram durante o intervalo.
A hipótese mais aceita entre analistas do mercado, segundo o El Ciudadano, é que parte dos pesos ficou depositada temporariamente em bancos comerciais, enquanto o BCRA passou a administrar a liquidez por meio de operações de recompra (repo).
O caso se soma a outro ponto de opacidade identificado nas mesmas semanas: movimentações bruscas nos depósitos em dólares que o Tesouro mantém no BCRA, coincidindo com operações de venda de moeda estrangeira para conter a cotação do dólar, segundo apurou a La Política Online.
Juntos, os dois episódios reforçam a leitura de analistas de mercado de que as contas do Tesouro no BCRA viraram, nas palavras do próprio veículo argentino, uma “caixa-preta” cada vez mais monitorada por investidores.
Repercussão política
O episódio ganhou repercussão para além do noticiário econômico. O ex-ministro Aníbal Fernández, do peronismo, publicou no X uma crítica direta a Bausili e a Caputo, associando o caso a outra controvérsia que já envolvia o governo — a chamada polêmica do ouro das reservas argentinas — e classificando a resposta do presidente do BCRA como evasiva diante de um problema de bilhões de pesos.
O episódio ilustra um risco recorrente em políticas de ajuste fiscal acelerado como a promovida pelo governo Milei: a velocidade das operações financeiras do Tesouro — leilões de dívida, recompra de pesos, intervenções cambiais — tem superado a capacidade de registro contábil em tempo real, abrindo brechas de transparência que alimentam desconfiança mesmo quando não há evidência de desvio de recursos.
A ironia de Bausili diante de uma pergunta direta de um repórter internacional soa mais como sintoma de desorganização institucional do que como resposta tranquilizadora, especialmente num país que convive com histórico de crises cambiais recorrentes.
Nem o Ministério da Economia nem o BCRA haviam detalhado publicamente, até o fechamento desta matéria, o destino exato dos recursos durante o período em que ficaram fora dos registros oficiais.
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Sumiço de tanto dinheiro assim, sem que ninguém sabe pra onde foi, fica a pergunta, será Milei fez uma doação para o pedófilo americano, Donald Trump