Deputados bolsonaristas fugitivos da Justiça do Brasil que vivem nos EUA ainda não se manifestaram como de costume
Brasília, 18 de dezembro 2025
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), determinou nesta quinta-feira (18/dez) a cassação dos mandatos dos deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ).
A medida, publicada em edição extra do Diário Oficial da Casa, cumpre protocolos regimentais e decisões judiciais, marcando um ponto de inflexão na luta contra irregularidades parlamentares.
A decisão administrativa da Mesa Diretora reflete o acúmulo de faltas injustificadas por Eduardo Bolsonaro, que ultrapassou o limite permitido pelo regimento interno, e a condenação criminal de Ramagem pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento em tentativa de golpe de Estado.
Como detalhado na publicação oficial, a perda dos mandatos entra em vigor imediatamente, abrindo vagas para suplentes e alterando o equilíbrio de forças no plenário.
Hugo Motta justificou a ação com firmeza. Em declaração à imprensa, ele afirmou:”Fiz o que tinha que fazer”, enfatizando o cumprimento de normas internas e ordens judiciais.
Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro, deixou o Brasil em fevereiro de 2025, alegando perseguição pelo Judiciário, e desde então acumula ausências que violam o artigo 55 da Constituição Federal.
O filho do golpista também enfrenta acusações de promover sanções internacionais contra o Brasil a partir dos EUA, para obstruir julgamentos envolvendo sua família.
Quanto a Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), fugiu para os EUA em setembro, após condenação por ações que visavam desestabilizar instituições democráticas.
Parlamentares da oposição, alinhados ao bolsonarismo, criticaram a medida como uma submissão ao STF. Um deputado do PL declarou que “a Câmara está de joelhos”, prometendo recursos judiciais.
Do lado governista, o líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), celebrou: “Acabamos com a bancada de foragidos”, destacando o fim de uma era de impunidade.
O contexto remonta a investigações iniciadas anos antes. Em 2023, Ramagem já era alvo de apurações pela Polícia Federal por suposto uso indevido da Abin para monitorar adversários políticos, o que evoluiu para condenação em 2025.
No caso de Eduardo Bolsonaro, processos por incitação a atos antidemocráticos datam de 2022, com agravamento após o 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de seu pai invadiram sedes dos Três Poderes.
A anulação do mandato de Carla Zambelli pelo STF (Supremo Tribunal Federal) pavimentou o terreno para ações mais assertivas contra Ramagem e Eduardo.
Esses episódios ilustravam a persistência de Motta em avançar com procedimentos regimentais, mesmo sob críticas de inércia inicial.
A cassação não apenas reduz a influência do PL na Casa, mas sinaliza um endurecimento contra parlamentares ausentes ou condenados, potencialmente inspirando reformas no regimento.
Os contemplados com o desligamento da vida pública ainda não se manifestaram, como de costume.

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