“Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei tornou-se o terceiro Líder Supremo da Revolução Islâmica do Irã com o voto da Assembleia de Especialistas“, diz mensagem
Brasília (DF) · 08 de março de 2026
Uma publicação viral no Telegram afirma que Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei “tornou-se o terceiro Líder Supremo da Revolução Islâmica do Irã com o voto da Assembleia de Especialistas”.
A postagem, feita no início da noite deste domingo (7/mar) pelo horário de Brasília, acompanhada de foto do clérigo, que tem circulado desde o início desta semana gerando especulação internacional sobre a sucessão no poder teocrático iraniano.
Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei é o filho mais velho do falecido Ayatollah Seyyed Ali Khamenei e figura de influência no clero xiita, com atuação discreta em instituições religiosas e de segurança.
A Press TV, emissora estatal em inglês, publicou a informação:
“Na noite de domingo, a Assembleia de Peritos do Irã nomeou oficialmente Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como o novo Líder da Revolução Islâmica e o terceiro Líder Supremo da República Islâmica do Irã. Mojtaba Khamenei é filho do mártir Líder Supremo, o aiatolá Seyyed Ali Khamenei.
Por meio de votação decisiva, a Assembleia de Especialistas nomeou o Aiatolá Seyyed Mojtaba Hosseini Khamenei como o terceiro Líder do sistema sagrado da República Islâmica do Irã”, afirmou a assembleia em comunicado.
O comunicado, emitido pelo Secretariado da Assembleia de Peritos, começa com invocações em nome de Alá, o Clemente, o Misericordioso, e expressa as mais sinceras condolências à nobre e livre nação do Irã islâmico.
Presta homenagem ao martírio do Aiatolá Seyyed Ali Khamenei, cuja ascensão aos céus marca o fim de uma era de liderança sábia e firme. O Aiatolá Khamenei foi martirizado em 28 de fevereiro num ataque terrorista conjunto dos EUA e de Israel.
A declaração também presta homenagem a outros mártires ilustres, incluindo comandantes de alta patente das forças armadas e os estudantes inocentes da Escola Shajra Tayyiba na cidade de Minab, todos vítimas dos ataques bárbaros perpetrados pelos Estados Unidos criminosos e pelo regime sionista.
A declaração reverencia a sublime instituição de Wilayat al-Faqih (Tutela do Jurista Islâmico) durante o período de ocultação do Imã da Era (que Allah apresse seu reaparecimento), enfatizando seu papel fundamental no sistema da República Islâmica.
Celebra os 47 anos de governo exemplar dos Imãs da Revolução, alicerçado na dignidade, independência e autoridade divina.
Após estudos meticulosos e votação decisiva dos respeitados representantes, guiados pelo dever religioso e pela responsabilidade perante Deus Todo-Poderoso, o Aiatolá Seyyed Mojtaba Hosseini Khamenei (que Deus o proteja) foi apresentado como o novo Líder.
A declaração expressa gratidão aos membros do conselho provisório, nos termos do Artigo 111, por seu serviço interino e convoca toda a nobre nação do Irã — especialmente as elites, os intelectuais, os acadêmicos dos seminários e as comunidades universitárias — a jurar lealdade inabalável à nova liderança.
Exorta à união em torno do eixo de Wilayat al-Faqih, um baluarte contra as conspirações de poderes arrogantes.
Para concluir, a declaração da Assembleia de Peritos invoca a contínua graça e misericórdia de Deus Todo-Poderoso sobre o Irã e seu povo resiliente, afirmando que a Revolução Islâmica permanece uma força indomável em prol da justiça e da independência.”
O ataque ao pai de Motjaba foi descrito como “horrível e criminoso” e atribuído a “agressão israelense-americana não provocada”, ocorreu no sábado anterior. Uma carta alerta para “consequências profundas e de longo alcance” e reafirma o direito à autodefesa.
Em veículos iranianos de linha mais analítica, como o portal Vista.ir, aparecem relatos de “confirmação telvihi” (implícita) por parte de membros da Assembleia e mensagens escritas endereçadas diretamente a Mojtaba Khamenei após a morte do pai.
O cenário reflete o delicado momento de sucessão na República Islâmica: a Assembleia de Especialistas, composta por 88 clérigos, é o único órgão constitucionalmente habilitado a eleger o Líder Supremo.
O anúncio oficial exige sessão extraordinária e maioria qualificada.
O que foi a Revolução Islâmica
A Revolução Islâmica (também conhecida como Revolução Iraniana) foi um dos eventos mais transformadores do século XX no Oriente Médio. Ocorreu principalmente em 1978 e 1979 e resultou na derrubada da monarquia do Xá Mohammad Reza Pahlavi e na instauração da República Islâmica do Irã, um regime teocrático baseado nos princípios do islamismo xiita.
A Revolução Iraniana transformou o Irã — até então uma monarquia autocrática, secular e fortemente alinhada com o Ocidente (especialmente os Estados Unidos e o Reino Unido) — em uma república islâmica teocrática liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini.
O movimento começou com protestos massivos, greves gerais e mobilizações populares que reuniram setores diversos da sociedade: estudantes, intelectuais de esquerda, nacionalistas, trabalhadores, clérigos xiitas e camadas populares insatisfeitas.
Em janeiro de 1979, o Xá Mohammad Reza Pahlavi fugiu do país. No dia 1º de fevereiro de 1979, Ruhollah Khomeini retornou do exílio na França e foi recebido por milhões de pessoas em Teerã.
Em 11 de fevereiro de 1979, as forças armadas aderiram aos revolucionários, marcando a queda definitiva do regime monárquico.
Em 1º de abril de 1979, um referendo aprovou a criação da República Islâmica.
Em dezembro do mesmo ano, uma nova Constituição foi adotada, estabelecendo Ruhollah Khomeini como o primeiro Líder Supremo (Vali-e Faqih), com poderes amplos sobre o Estado, as Forças Armadas e a vida pública.
Principais causas
As raízes do movimento foram múltiplas e envolveram insatisfação acumulada ao longo de décadas:
Autoritarismo e repressão do regime do Xá, apoiado pela polícia secreta (SAVAK), que perseguia opositores políticos.
Desigualdades sociais e econômicas — apesar da prosperidade petrolífera, inflação, desemprego e pobreza afetavam grande parte da população.
Ocidentalização forçada promovida pela “Revolução Branca” (reformas modernizadoras do Xá na década de 1960), vistas como imposição de valores ocidentais que violavam tradições islâmicas.
Oposição religiosa do clero xiita, que acusava o Xá de ser um “títere” das potências ocidentais e de desrespeitar as leis islâmicas.
Influência estrangeira — o golpe de 1953 (apoiado por EUA e Reino Unido) que derrubou o governo democrático de Mohammad Mossadegh reforçou a percepção de dependência externa.
Consequências imediatas e de longo prazoA revolução trouxe mudanças profundas:
Criação de uma teocracia islâmica onde a lei islâmica (sharia) guia o Estado, com o Líder Supremo acima do presidente e do parlamento.
Rompimento com o Ocidente — o Irã tornou-se antiamericano e anti-Israel.
Crise dos reféns (novembro de 1979 a janeiro de 1981): estudantes ocuparam a embaixada dos EUA em Teerã, mantendo 52 diplomatas reféns por 444 dias.
Guerra Irã-Iraque (1980-1988), iniciada pela invasão iraquiana, que custou centenas de milhares de vidas.
Expurgo de opositores (esquerda, liberais, monarquistas), criação do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (Pasdaran) e consolidação do poder clerical.
Influência regional: o modelo inspirou movimentos islâmicos em vários países e alterou o equilíbrio de poder no Oriente Médio.
A Revolução Islâmica surpreendeu o mundo por ocorrer em um país em relativa prosperidade econômica, sem as causas clássicas de revoluções (derrota militar, crise financeira extrema etc.), e por substituir rapidamente uma monarquia secular por uma teocracia antiocidental.
Até hoje, o regime nascido em 1979 define a política interna e externa do Irã, incluindo seu programa nuclear, apoio a grupos como Hezbollah e Hamas, e tensões com Israel e Estados Unidos.
Quem é o novo Líder Supremo do Irã
Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei (também referido como Mojtaba Hosseini Khamenei), é filho do falecido Ayatollah Ali Khamenei.
A Assembleia dos Peritos (ou Assembleia de Especialistas), composta por 88 clérigos, anunciou oficialmente sua escolha em 8 de março de 2026.
Ele se torna o terceiro Líder Supremo da República Islâmica desde a Revolução de 1979, sucedendo diretamente seu pai, que foi assassinado em 28 de fevereiro de 2026 durante os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel que iniciaram a guerra em curso.
Mojtaba Khamenei, de 56 anos, é um clérigo xiita de posição intermediária (não ostenta o título de Grande Aiatolá em nível máximo, mas foi elevado ao cargo), conhecido por sua influência discreta nos bastidores do poder desde os anos 1990.
Ele atuou como assessor próximo do pai, com fortes laços com o Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica (IRGC) e o aparato de segurança.
Por décadas, circulavam especulações sobre sua sucessão, apesar de Ali Khamenei nunca ter confirmado publicamente preferências familiares.
A nomeação representa a primeira transmissão hereditária direta no cargo desde a fundação da República Islâmica, consolidando o controle dos setores mais linha-dura do regime em meio ao conflito armado.
Fontes como The New York Times, NBC News, CNN, BBC, Al Jazeera e Reuters confirmam o anúncio feito pela Assembleia.
O anúncio ocorreu após um período de transição gerido por um conselho interino (incluindo o aiatolá Alireza Arafi como figura chave), que assumiu funções executivas e religiosas imediatamente após a morte de Ali Khamenei.
Inicialmente, o nome foi mantido em sigilo por algumas horas ou dias em reportagens iniciais, mas fontes estatais iranianas e internacionais divulgaram Mojtaba como o escolhido por “voto decisivo” da Assembleia.
A escolha gerou reações internacionais fortes: o presidente dos EUA, Donald Trump, já havia classificado o nome como “inaceitável” e alertou, na quinta-feira (5/mar), que o novo líder “não durará muito” sem apoio externo, em meio às ameaças contínuas do conflito.
A nomeação foi confirmada por mídia estatal iraniana e pela Assembleia dos Peritos.
Não há indícios de contestação interna significativa até o momento, mas o contexto de guerra torna a situação volátil.

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Estou em oração pelo povo iraniano e que seus inimigos possam ser derrotados. Amém.