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Avá Guarani Marcelo Ortiz Ku’i é encontrado morto e decapitado em Guaíra (PR) em meio a conflitos territoriais

    Crime brutal ocorre em região marcada por disputas de terra; PF investiga autoria e ligação com conflitos agrários no oeste do Estado – SAIBA MAIS

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    Na manhã deste sábado (22/mar), um indígena Avá Guarani – denominação de grupo distribuído entre o leste da Bolívia, oeste do Paraguai, noroeste da Argentina e sul e centro-oeste do Brasil – foi encontrado morto e decapitado em uma estrada rural próxima ao aeroporto de Guaíra, no oeste do Paraná.

    O corpo da vítima foi jogado na vegetação, enquanto sua cabeça foi pendurada em uma estaca feita de galho de mamona, em um ato de extrema crueldade. O portal Brasil de Fato noticiou o caso.

    Lideranças da etnia identificaram o homem como Marcelo Ortiz, conhecido pelo apelido de Ku’i, um jovem trabalhador residente do Tekoha Jevy, uma das aldeias da Terra Indígena (TI) Guasu Guavirá.

    A autoria e a motivação do crime ainda são desconhecidas. Agentes da Polícia Federal (PF), da Força Nacional e da Polícia Civil estiveram no local para realizar diligências e perícias. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Toledo, a 107 km ao sudeste de Guaíra, para exames.

    A PF informou que iniciou uma investigação para apurar o caso e identificar os responsáveis.

    O assassinato ocorre em um contexto de escalada de violência contra os Avá Guarani na região, que tem sido marcada por conflitos territoriais. Desde julho de 2024, quando os indígenas intensificaram a retomada de partes de seu território tradicional, a tensão aumentou em Guaíra, município na fronteira com o Paraguai.

    A Terra Indígena Guasu Guavirá, identificada e delimitada pela Funai em 2018, abrange 24 mil hectares sobrepostos por 165 fazendas, mas o processo de demarcação está paralisado devido a uma ação judicial movida pelas prefeituras de Guaíra e Terra Roxa, acatada pela Justiça Federal.

    Lideranças indígenas relatam que o crime pode estar relacionado a essa disputa, embora não haja, até o momento, evidências concretas que confirmem os responsáveis ou o motivo exato. Eles exigem que as investigações sejam rápidas e eficazes para esclarecer o caso.

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