Autópsias por covid-19 na Itália revelam coágulos e trombose nos pulmões

20/04/2020 4 Por Redação Urbs Magna

Et Urbs Magna – Uma notícia médica sobre a atuação do covid-19 em corpos infectados tem causado surpresa na comunidade internacional. O Hospital Policlínico de Milão, Itália, realizou 38 autópsias e divulgou resultados sobre a análise dos tecidos pulmonares de pacientes com a doença revelando a presença de coágulos e trombose (trombos de plaquetas e fibrina) em pequenos vasos arteriais.

Professor Doutor Miguel Ángel García Fernandez

De acordo com o site espanhol Reddación Medica, as autópsias realizadas no Hospital de Milão foram informadas à mídia pelo cardiologista também espanhol Professor Doutor Miguel Ángel García Fernandez a partir de dados de uma publicação da Universidade de Yale – tão renomada quando o M.I.T e Harvard, nos EUA, que expande as informações, focadas em danos nos pulmões sobre essas primeiras autópsias. 

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A revista BMJ Yale, da Universidade de Yale, reuniu vários dados dos exames realizados cujos resultados apontavam que “o principal achado relevante é a presença de trombos de plaquetas e fibrina em pequenos vasos arteriais; essa importante observação se enquadra no contexto clínico da coagulopatia que domina nesses pacientes e que é um dos principais alvos da terapia“, diz trecho dos resultados.

Na publicação da Universidade de Yale, que recebeu o título de “Achados pulmonares post mortem em uma grande série de casos COVID-19 do norte da Itália“, os especialistas apresentaram “as características das fases exsudativa e proliferativa da Doença alveolar difusa (DAD): congestão capilar, necrose de pneumócitos, membrana hialina, edema intersticial, hiperplasia de pneumócitos e atipia reativa, trombos de fibrina plaquetária. “

A investigação feita no tecido pulmonar, realizada pela autópsia de pacientes que morreram após tempo médio de 16,27 dias desde o início dos sintomas da doença, revelou uma importante observação que se ajusta ao contexto clínico da coagulopatia que dominou estas pessoas, e que é um dos principais objetivos da terapia.

O exame macroscópico dos pulmões revelou órgãos pesados, congestionados e edematosos com envolvimento irregular“, explicaram os pesquisadores. Em relação ao exame ultraestrutural, isso “revelou partículas virais, com uma morfologia típica da família Coronaviridae e localizadas ao longo das membranas plasmolérmicas e nos vacúolos citoplasmáticos dos pneumócitos. Os virions tinham diâmetro médio de 82 nm e uma projeção viral de aproximadamente 13 nm de comprimento“, continuou a publicação da BMJ Yale.

Os trombos de fibrina de pequenos vasos arteriais foram observados em 33 dos 38 pacientes. “Esses achados podem explicar a hipoxemia grave que caracterizam pacientes com SARS-CoV-2“, acrescentaram.

Os dados desta pesquisa “apoiam fortemente a hipótese proposta por estudos clínicos recentes de que o Covid-19 está relacionado à coagulopatia e trombose. Por esses motivos, “o uso de anticoagulantes como tratamento potencialmente benéfico em pacientes com Covid-19 grave foi recentemente sugerido , embora sua eficácia e segurança não tenham sido demonstradas “, concluíram.

No Brasil, pesquisa conduzida no Hospital Sírio-Libanês de São Paulo com 27 pessoas constatou que o uso da heparina, indicada para trombose, reduziu o tempo de internação e de intubação.

A idealização do estudo foi feita pela pneumologista Elnara Marcia Negri, do Sírio-Libanês e da Universidade de São Paulo (USP), quando da observação a uma idosa com dificuldade para respirar e apresentando cianose nas extremidades. “Era um dedinho roxo, concomitante a um quadro de queda abrupta na oxigenação.”, disse Negri.

Foi administrado um anticoagulante e 6 horas depois a paciente já respirava bem e a pele estava rosa. Depois, em conversa com patologistas do Hospital das Clínicas da USP que realizam necrópsias, Negri soube que foram observados microcoágulos nos vasos sanguíneos em várias partes do corpo dos cadáveres.

Negri iniciou o estudo com pacientes com comprometimento pulmonar adicionando a heparina no tratamento e, como resultado, 56%, receberam alta 4 dias depois e dos que estavam intubados metade deixou de usar o ventilador após 36 horas.

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