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América Latina e Europa lamentam ausência de Lula – o “arquiteto” do acordo Mercosul-UE – na cerimônia de assinatura

    Evento histórico em Assunção teve elogios ao papel do presidente brasileiro ecoando para todos os lados – LEIA ÍNTEGRA DOS DISCURSOS e reações da mídia internacional

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    Cerimônia de
    Cerimônia de assinatura do Acordo UE-Mercosul – Imagem reprodução MERCOSUL
    RESUMO

    O acordo Mercosul-UE, assinado em Assunção, cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo (700 milhões de pessoas, PIB US$ 22 trilhões). Os discursos destacaram seu significado histórico após 26 anos de negociações, enaltecendo o pacto como um forte sinal em favor do multilateralismo, do comércio justo baseado em regras e da integração econômica, em contraponto ao protecionismo. A ausência do presidente Lula foi notada, mas seu papel crucial nas tratativas foi reconhecido.


    Assunção, Paraguai · 17 de janeiro de 2026

    A assinatura do acordo de associação entre o Mercosul e a União Europeia, realizada neste sábado (17/jan), em Assunção, no Paraguai, marcou um ponto de inflexão nas relações transatlânticas, criando uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, com mais de 700 milhões de habitantes e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões.

    No entanto, a ausência do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva – amplamente creditado como o arquiteto principal das negociações – gerou um misto de lamentações e especulações, transformando o evento em um mosaico de diplomacia sutil e fricções latentes.

    De acordo com fontes paraguaias, o anfitrião Santiago Peña expressou publicamente seu pesar durante a coletiva de imprensa pós-cerimônia.

    Em declaração capturada pela HOY, Peña qualificou a falta de Lula como algo que “deixa um sabor amargo, agridoce”, enfatizando que o acordo não teria sido possível sem “a liderança que o presidente Luiz Inácio Lula Silva tem demonstrado na condução das negociações”.

    Ele atribuiu a ausência a compromissos de agenda, incluindo uma “agenda política eleitoral muito importante” no Brasil, referindo-se, na verdade, à antipolítica bolsonarista que Lula, aos seus oitenta anos de idade, deve enfrentar a partir de sua nova candidatura presidencial em 2026.

    Essa visão é corroborada pela ADN Digital, que relata que as convocações para chefes de Estado foram enviadas em cima da hora, originalmente planejado como um ato ministerial.

    Na Bolívia, o presidente Rodrigo Paz, presente como convidado especial – já que o país busca adesão plena ao Mercosul –, adotou tom afetuoso ao saudar a delegação brasileira, representada pelo chanceler Mauro Vieira.

    Conforme transcrito em fontes regionais como a UPI, Paz enviou um “especial carinho ao Presidente Lula”, reconhecendo sua influência sem aprofundar críticas à ausência, focando no potencial de integração boliviana ao pacto.

    Outros países latino-americanos, como a Argentina, trouxeram nuances mais afiadas. LA NACION descreve a cerimônia como “incômoda”, com a cadeira vazia de Lula simbolizando “tensão e dissidências internas” no bloco, especialmente em meio à hegemonia trumpista no continente.

    Já a Infobae destaca que Lula optou por um encontro paralelo com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, no Rio de Janeiro, na sexta-feira (16/jan), onde celebrou o acordo como uma “demonstração de compromisso com a ordem multilateral”.

    Essa reunião, exclusiva da fonte, é vista como uma estratégia para reivindicar o protagonismo sem confrontos diretos com líderes com o argentino Javier Milei, com quem as hostilidades ideológicas são notórias.

    Quanto ao progressista Página 12, a redação reforça que a ausência não decorre de diferenças ideológicas, mas de questões logísticas, negando especulações de boicote.

    Do lado europeu, onde o acordo envolve diretamente os 27 Estados-membros da UE, a ausência foi notada com diplomacia equilibrada, mas não sem implicações.

    A agência alemã DW relata que Lula seria o único líder do Mercosul ausente, enquanto Von der Leyen e o presidente do Conselho Europeu, Antônio Costa, compareceriam integralmente.

    Em comunicado oficial do Conselho Europeu, Costa enfatizou a visita prévia ao Brasil para um encontro trilateral, destacando o pacto como um “sinal forte em favor do multilateralismo”.

    A agência SWI swissinfo.ch vai além, citando que a ausência de Lula, “forte defensor do acordo”, foi lamentada, mas contextualizada como uma “mudança de protocolo de última hora”.

    A France 24 observa que, apesar da falta, Lula definiu o tratado como “a resposta do multilateralismo ao isolamento”, sublinhando seu compromisso com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável – aspectos cruciais para a ratificação europeia.

    Essa diversificação de perspectivas revela um consenso: embora a ausência de Lula tenha sido sentida como um hiato simbólico, seu legado nas negociações, que duraram 26 anos, permanece inquestionável. Líderes como Peña e Von der Leyen reiteraram que o acordo prova a resiliência democrática ante desafios globais, como o protecionismo.

    No entanto, fontes como o EL PAÍS puxam a sardinha para a Argentina e apontam que fricções com Milei influenciaram a decisão, com diplomatas do país portenho qualificando-a como “uma falta de respeito”.

    Resumida e objetiva e organizadamente, os principais pontos econômicos destacados por cada orador na cerimônia de assinatura do acordo de associação Mercosul-União Europeia tiveram como foco os aspectos comerciais, de crescimento, integração e benefícios econômicos:

    Santiago Peña (Presidente do Paraguai e pro tempore do Mercosul) enfatizou o acordo como um “feito histórico” que une dois dos mais importantes mercados globais, promovendo cooperação, crescimento e diálogo em um contexto de tensões globais. Destacou o tratado como demonstração de que o comércio internacional serve como fator de cooperação e crescimento econômico, criando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e enviando um sinal claro contra o protecionismo.

    António Costa (Presidente do Conselho Europeu) ressaltou que a assinatura, após 26 anos de negociações, reafirma a crença compartilhada nos blocos no comércio justo, no multilateralismo e no livre comércio como motores de desenvolvimento econômico. O pacto reforça o compromisso com regras baseadas em princípios que geram prosperidade mútua e estabilidade em um mundo marcado por imprevisibilidade.

    Rodrigo Paz (Presidente da Bolívia) discursou mais brevemente e focado em saudações e solidariedade regional, com menção ao carinho por Lula e ao potencial de integração da Bolívia ao Mercosul. O contexto geral da presença boliviana (como observadora em busca de adesão plena) implica apoio ao acordo como via para maior inserção econômica regional e benefícios de acesso a mercados europeus.

    Mauro Vieira (Ministro das Relações Exteriores do Brasil, representando o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, transmitiu mensagem do estadista destacando o acordo como prova da força do mundo democrático e compromisso com a ordem multilateral. Descreveu o tratado como uma “parceria com enorme potencial econômico”, com profundo sentido geopolítico, erguendo um baluarte contra protecionismo, imprevisibilidade e coerção. Enfatizou a construção de uma relação duradoura entre hemisférios, favorecendo cidadãos de ambos os blocos por meio de maior fluxo comercial, investimentos e diversificação produtiva.

    Outros líderes presentes, como Ursula von der Leyen (presidente da Comissão Europeia) e Javier Milei (presidente da Argentina), também discursaram, mas os relatos disponíveis destacam mais o simbolismo multilateral e anti-protecionista do que detalhes econômicos granulares específicos de cada fala.

    O consenso geral nos discursos foi o acordo criar uma zona de livre comércio abrangendo cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22 trilhões, com redução de tarifas em mais de 90% do comércio bilateral, liberalização progressiva em até 15 anos e benefícios para exportações agrícolas sul-americanas e industriais europeias.

    Os discursos priorizaram o valor simbólico e geopolítico do pacto em meio a tensões globais (como protecionismo trumpista), com os aspectos econômicos servindo como base para defender o multilateralismo e o comércio justo como caminhos para prosperidade compartilhada.

    Leia a íntegra dos discursos de todos os oradores durante a cerimônia de assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia realizada em Assunção, Paraguai:

    Santiago Peña Palacios (Presidente do Paraguai)
    Senhores presidentes dos Estados Partes do Mercosul, querido amigo Javier Milei da República Argentina, Yamandú Orsi da República Oriental do Uruguai, uma saudação à distância ao presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, tenho certeza de que ele está nos acompanhando pela televisão. Aos presidentes dos estados associados e proximamente estados plenos do Mercosul, senhor presidente Rodrigo Paz da Bolívia, senhor José Raúl Mulino do Panamá, sejam muito bem-vindos. Senhora presidenta da Comissão Europeia, senhor presidente do Conselho Europeu, senhor comissário europeu de comércio, senhoras e senhores, é uma grande alegria dar-lhes as boas-vindas duplamente calorosas pela elevada temperatura que caracteriza o verão paraguaio, mas sobretudo pela intensidade do carinho do povo paraguaio. A esta histórica, volto a repetir, assinatura do acordo de Associação Mercosul com a União Europeia, a qual se celebrará graças à poderosa força simbólica do destino aqui em Assunção, cidade que com toda justiça era chamada nas velhas cédulas reais da época colonial como a mãe de povos e ama de cidades. Assunção voltou mais uma vez a ser o Centro de Integração da América do Sul quando em um inesquecível 26 de março de 1991 se firmou o Tratado de Assunção; este documento, que se inspirou abertamente e orgulhosamente nesse extraordinário experimento e exemplo da comunidade econômica europeia, criou o Mercosul que neste dia está a pouco de completar 35 anos. Por isso é justiça poética que hoje siga cumprindo sua missão perante a história ao nos acolher esta manhã para sermos testemunhas de um acontecimento histórico: a assinatura do acordo de associação entre o Mercosul e a União Europeia. Estamos diante de um dia verdadeiramente histórico, longamente esperado por nossos povos, uma jornada que marca um marco ao unir duas das regiões e mercados mais importantes do mundo: Europa e América do Sul. O atual Paraguai se ergue sobre um grande povo originário destas terras, o guarani, que ocupou além disso boa parte do território do que hoje é o Mercosul; os guaranis nos deixaram um sugerente mito de criação, o chamado “Ayvu Rapyta”, que quer dizer o fundamento da linguagem humana. Os guaranis viam a linguagem como a base da própria humanidade; segundo este mito, o primeiro que foi criado pelo autor do universo foi a linguagem humana, trazendo luz às trevas primordiais. Creio que este acordo que hoje será assinado se assenta em boa medida neste mito; a linguagem, a comunicação, o diálogo nos fizeram superar as trevas primordiais que antes nos separavam. Sabemos hoje que este caminho foi muito longo, que nos levou mais de 25 anos para superar as enormes dificuldades, os momentos de estagnação de verdadeiros impasses que pareciam truncar tudo. No entanto, soubemos ser pragmáticos, flexíveis e transcender as diferenças conjunturais e os interesses mesquinhos para alcançar um equilíbrio adequado; com isso abrimos um enorme e caudaloso potencial de converter este acordo em um motor-chave do crescimento econômico de ambos os blocos. O Mercosul e a União Europeia representam cerca de 800 milhões de pessoas e concentram um produto interno bruto superior a 25 trilhões de dólares; este acordo constitui o maior compromisso comercial negociado pelo Mercosul e um dos mais relevantes celebrados pela União Europeia. Em um cenário global marcado por tensões, este passo envia um sinal claro em favor do comércio internacional como fator de cooperação e de crescimento. Não posso deixar de mencionar aqui um grande e querido hoje infelizmente ausente sem o qual não teríamos chegado a este dia: refiro-me ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi um dos impulsores fundamentais deste processo. Tampouco posso deixar de mencionar a liderança firme, intuitiva e inteligente da querida Ursula von der Leyen, que fez muito para que este barco não naufragasse e chegasse a um bom porto. No entanto, não devemos cair no erro da autocomplacência; a realidade é que perdemos muito tempo para chegar aqui e poderíamos ter alcançado um acordo ainda mais proveitoso. Olhemos para o futuro com mais coragem, com mais brio, com mais audácia e aprofundemos ainda mais nossa perfeita união. Trabalhemos então hoje juntos para construir uma nova irmandade europeia e americana erguida sobre uma história comum e um futuro de infinitas possibilidades. Com a linguagem comum do diálogo alcançamos um entendimento que deixou para trás as trevas primordiais dos unilateralismos, das desconfianças, dos egoísmos e da separação para abrir as janelas para um futuro melhor. Muito obrigado.

    Ursula von der Leyen (Presidenta da Comissão Europeia)
    Presidente Santiago, Presidente Milei, Presidente Orsi, Presidente Paz, Presidente Mulino, meu caro amigo Presidente Costa, Ministro Mauro Vieira, honoráveis membros do Parlamento, Excelências, senhoras e senhores. É uma honra estar aqui com vocês na bela Assunção, no coração da América Latina e na mesma sala onde o tratado de fundação do Mercosul foi assinado; este lugar carrega história, ele nos lembra de um momento em que as nações da América Latina escolheram a cooperação em vez da divisão. Portanto, minha primeira mensagem é muito simples: obrigada por nos receberem aqui nesta sala histórica, obrigada por nos reunirem e por nos sediarem neste cenário histórico. Aguyje Paraguai. Mas este momento pertence a todas as nações, por isso, do fundo do meu coração, também digo obrigada à Argentina, obrigada ao Brasil, obrigada ao Uruguai e, claro, novamente obrigada ao Paraguai. Este momento não é apenas sobre aproximar países, mas sobre conectar continentes; hoje, nesta sala, estamos assinando o acordo Mercosul e Europa que está em construção há 25 anos. Estamos criando a maior zona de livre comércio do mundo, criando um mercado de 700 milhões de pessoas, e 20% do PIB global é comercializado aqui. Este acordo envia uma mensagem muito forte ao mundo: escolhemos o comércio justo em vez de tarifas, escolhemos uma parceria produtiva de longo prazo em vez do isolamento. Primeiro, os benefícios econômicos são cristalinos: a Europa é o maior investidor estrangeiro na região; este acordo removerá tarifas e outras barreiras, fornecerá uma estrutura clara baseada em regras e criará empregos, oportunidades e prosperidade em ambos os lados. Segundo, este acordo apoiará nossas ambições de proteger nossa casa, nossa natureza; estamos nos comprometendo a ajudar uns aos outros a fazer a transição para a neutralidade climática. E terceiro, a importância geopolítica deste acordo não pode ser superestimada: estamos criando uma plataforma para trabalhar em questões globais, desde a proteção do nosso ambiente natural até a liberação de nossa competitividade; quando duas regiões como as nossas falam com uma só voz, o mundo estará ouvindo. Estamos transformando nossa amizade em uma força maior para o Mercosul e a Europa; longa vida à amizade Europa-Mercosul, muchas gracias.

    Javier Milei (Presidente da Argentina)
    Bom dia a todos; estimado senhor presidente da República do Paraguai, meu queridíssimo amigo Santiago Peña; estimado senhor presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Rodrigo Paz Pereira; excelentíssimo senhor presidente da República Oriental do Uruguai, Yamandú Orsi; estimado senhor presidente da República do Panamá, José Mulino Quintero; estimada senhora presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; estimado senhor presidente do Conselho Europeu, António Costa e estimado senhor ministro de Relações Exteriores da República Federativa do Brasil, Mauro Vieira. Quero começar agradecendo com especial afeto ao meu amigo, o presidente da República do Paraguai, por ter convocado esta reunião e por nos receber em Assunção, a mesma cidade que viu nascer o bloco em 1991. Hoje nos reúne um fato de grande transcendência: após 25 longos anos de negociações, assinamos finalmente o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, talvez a maior conquista obtida pelo Mercosul desde sua criação. Quero expressar um reconhecimento à liderança europeia que tornou possível este resultado e, em especial, à presidenta do Conselho de Ministros da Itália, a quem tenho o prazer de chamar de minha amiga, Giorgia Meloni; seu compromisso e apoio foram determinantes. É fundamental que na etapa de implementação se preserve o espírito do que foi negociado; a incorporação de mecanismos que restrinjam o acesso reduzirá significativamente o impacto econômico do acordo. Como profeta de um futuro distópico, a Argentina entende de primeira mão que o fechamento e o protecionismo são os maiores causadores da estagnação econômica e do crescimento da pobreza; nossa administração foi eleita por escolher o modelo oposto, o modelo da liberdade. A Argentina não se detém neste acordo e convida os sócios do bloco a irem além; continuaremos impulsionando novas iniciativas comerciais com sócios que compartilhem uma visão de abertura, economia de mercado e liberdade. Este movimento em direção à liberdade e ao comércio é a base de qualquer integração regional genuína, porque onde se erodem as instituições e se vulneram os direitos humanos, o resultado é sempre isolamento e empobrecimento; a situação que atravessa a Venezuela é uma demonstração clara e dolorosa dessa realidade. Valorizamos a determinação demonstrada pelo presidente dos Estados Unidos, o senhor Donald Trump, e por todo o seu governo; as ações adotadas na Venezuela que resultaram na captura do narcoterrorista ditador Nicolás Maduro. Seguimos clamando pela libertação do cidadão argentino Nahuel Gallo, assim como a liberdade de todos os presos políticos detidos arbitrariamente pelo regime. A assinatura deste acordo não constitui um ponto de chegada, é um ponto de partida; avançarei decididamente rumo à ratificação legislativa enviando o projeto ao Congresso para seu tratamento durante as sessões extraordinárias. A Argentina escolheu a abertura, a competição e a integração ao mundo; este acordo confirma essa decisão e nos impulsiona a ir por mais. Muitíssimo obrigado.

    António Costa (Presidente do Conselho Europeu)
    Bom dia, senhor presidente da República do Paraguai, Santiago Peña; presidente da República Argentina, Javier Milei; presidente da República Oriental do Uruguai, Yamandú Orsi; presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Rodrigo Paz; presidente da República do Panamá, José Raúl Mulino; presidenta da Comissão Europeia; querido ministro de assuntos exteriores da República Federativa do Brasil, Mauro Vieira, de quem peço que entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Muito obrigado ao presidente Peña por sua excelente e calorosa acolhida neste dia histórico. Com a assinatura deste acordo, estamos muito perto de tornar realidade o sonho comum: estreitar ainda mais os laços econômicos e políticos e criar a maior zona livre de comércio do mundo, um mercado com mais de 700 milhões de consumidores. Enviamos uma mensagem clara ao mundo: uma mensagem de defesa do comércio livre baseado em regras, do multilateralismo e do direito internacional. Este acordo é uma aposta decidida pela abertura e cooperação frente ao isolamento e ao unilateralismo. Não pretendemos nem dominar nem impor, mas promover e reforçar os vínculos entre nossos cidadãos e empresas para criar riqueza de uma forma sustentável, protegendo o meio ambiente e os direitos trabalhistas. Enquanto alguns levantam barreiras e outros violam as normas de concorrência leal, nós estendemos pontes e pactuamos normas porque acreditamos no comércio justo. O acordo com o Mercosul é um autêntico marco para sustentar nossa segurança econômica mediante a abertura de novos mercados e a diversificação de cadeias de suprimento. A América Latina é um parceiro natural estratégico; juntos somos mais fortes para enfrentarmos desafios comuns, desde a transição climática até a promoção da paz e da liberdade. A assinatura hoje aqui em Assunção é uma excelente notícia para todos; coloquemo-lo em marcha o quanto antes com agilidade e todas as garantias. Estamos dando um passo decisivo, iniciando um novo capítulo de cooperação mais profunda que aproximará como nunca todos os nossos países. Muito obrigado.

    Yamandú Orsi (Presidente do Uruguai)
    Excelentíssimo presidente do Conselho Europeu, excelentíssima presidenta da Comissão Europeia, excelentíssimos presidentes e amigos dos Estados Partes do Mercosul, senhores ministros, queridas amigas e amigos. Alguns acordos são assinados quando as condições são ideais, outros quando as circunstâncias o exigem, e existem aqueles que se constroem porque existe uma convicção profunda de que vale a pena realmente sustentá-los no tempo; este é um deles. Durante 25 anos nossas nações escolheram o caminho mais exigente: o diálogo persistente e a negociação paciente. O que estamos assinando diz que acreditamos nos consensos duradouros, nas instituições e que seguimos construindo uma ordem internacional baseada em regras, previsibilidade e cooperação. Estamos assumindo a responsabilidade histórica de demonstrar que são o estado de direito, a democracia republicana e o comércio justo as ferramentas plenamente vigentes para melhorar a vida das pessoas. Em um mundo atravessado por tensões, este acordo adquire uma relevância particular porque reafirma a decisão de apostar nas regras em um tempo de volatilidade. Para o Uruguai, este acordo expressa uma aspiração central de sua inserção internacional, uma política de estado sustentada durante mais de 25 anos por todos os presidentes, mesmo na alternância de partidos. A União Europeia é hoje para o Uruguai nosso terceiro parceiro comercial em bens e a principal origem do investimento estrangeiro direto; esta associação implicará um crescimento de um ponto e meio do PIB e um aumento no emprego de meio ponto. Integrar-nos não nos debilita, nos potencializa; neste caminho a sustentabilidade é um eixo central, e o Uruguai demonstrou que crescimento e cuidado ambiental podem avançar juntos. O Uruguai acredita nos acordos, acredita nas regras e está convencido de que este acordo é um chamado da época às democracias do mundo. Muito obrigado.

    Rodrigo Paz (Presidente da Bolívia)
    Muito boa tarde; quero com todo o carinho dar um forte abraço no meu amigo Santiago e ao Paraguai, compartilho muitas amizades e todas as bênçãos para o povo paraguaio. Saudar a presidenta da Comissão Europeia, dona Ursula von der Leyen; ao presidente do Conselho Europeu, dom António Costa; ao presidente da República Argentina, dom Javier Milei; ao presidente da República Oriental do Uruguai, dom Yamandú Orsi; ao ministro Mauro Vieira e mandar um especial carinho ao presidente Lula. Saudar o Panamá, que nos acolheu antes de a Bolívia retornar à democracia; e também quero saudar o povo venezuelano, expressar toda a minha solidariedade: tudo em democracia, nada fora dela. Em 1989 sentaram-se para falar sobre a navegabilidade do rio Paraguai e o destino da hidrovia, como deveria se conformar uma nova lógica de coordenação para levar adiante a prosperidade dessas nações. Nós, bolivianos, não fomos parte dessa constituição inicial do que deveria ser o Mercosul quando éramos o sangue mesmo do entendimento de que as hidrovias eram parte da condição de como nos conformarmos. Nos últimos 20 anos, o investimento estrangeiro na Bolívia não passou de mais de 240 milhões de dólares; esse era o sucesso da visão pseudoideológica do socialismo em minha pátria: isolar-nos do mundo e não conformar uma visão de construção junto a outras nações. Somos um continente que cruza todo o globo terrestre, do polo norte até o mais profundo da Patagônia; isso é poder e deveríamos exercê-lo de boa maneira para o desenvolvimento de nossas nações. Em breve nos somaremos plenamente porque, sendo senador, fui um dos que lutou para que a lei do Mercosul fosse aprovada; agora como presidente faremos todos os esforços. Nossa primeira vontade é romper o enclausuramento que nos impuseram estes últimos 20 anos; nunca mais entre irmãos as distâncias que não permitam, por posicionamento ideológico ou falta de diálogo, que cresçamos juntos. Acabamos de retirar as subvenções aos hidrocarbonetos; hoje, com dois meses de governo, conseguimos estabilizar nossa economia e estamos começando a mudar as instituições. A Bolívia é um aliado, não é um fardo; defendemos o “camirismo”, que expressa abundância e capitalismo para todos, para acabar com o Estado Tranca. Meu avô fez parte da Guerra do Chaco e sempre dizia: entre irmãos nunca mais teremos que nos confrontar, apenas pensemos em crescer. Muito obrigado.

    Mauro Vieira (Ministro das Relações Exteriores do Brasil)
    Excelentíssimo senhor presidente da República do Paraguai, nosso anfitrião Santiago Peña; presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; presidente do Conselho Europeu, António Costa; presidente da República Argentina, Javier Milei; presidente da República Oriental do Uruguai, Yamandú Orsi; presidente do estado plurinacional da Bolívia, Rodrigo Paz; e presidente da República do Panamá, José Mulino. Gostaria de começar trazendo a palavra calorosa de saudação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; em sua reunião ontem no Rio de Janeiro com a presidente Ursula von der Leyen, o presidente Lula destacou que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia é prova da força do mundo democrático. É possível alcançar, por meio do livre comércio baseado em regras, prosperidade compartilhada e benefícios concretos para os povos europeu e sul-americanos. O acordo que assinamos hoje estabelece de fato uma parceria entre nossas duas regiões com enorme potencial econômico e com profundo sentido geopolítico; estamos lançando as bases de uma relação duradoura orientada para o desenvolvimento sustentável de mais de 700 milhões de pessoas. O acordo propiciará ganhos tangíveis: mais empregos, mais investimentos, acesso ampliado a bens e serviços de qualidade e inovação tecnológica. Reveste-se de dimensão estratégica para a segurança econômica de nossas regiões, contribuindo para diversificar parceiros e reduzir vulnerabilidades. Este acordo envia uma mensagem clara ao mundo: acreditamos na cooperação, no diálogo e em soluções construídas de forma coletiva. O comércio é lastreado em valores comuns: democracia, estado de direito, respeito aos direitos humanos e proteção do meio ambiente. O acordo integra também um capítulo de excepcional significado sobre comércio e gênero, que dará impulso às políticas de inclusão e empoderamento das mulheres e meninas em nossos blocos. Temos agora o dever e a responsabilidade de zelar pela implementação justa e equilibrada do que pactuamos aqui; estou seguro de que trabalhando juntos faremos com que esta visão comum prevaleça. Muito obrigado.

    José Raúl Mulino (Presidente do Panamá)
    Excelentíssimo senhor Santiago Peña e querido amigo presidente do Paraguai; excelentíssimos senhores presidentes dos países membros do Mercosul; honorável senhora Ursula von der Leyen; honorável senhor António Costa; senhores chanceleres. Inicio minhas palavras agradecendo a este país por nos acolher hoje em um ato que transcende tempos e fronteiras; quero parabenizar as equipes por assinar este acordo que é a favor da liberdade econômica e do intercâmbio de bens sem tantos intervencionismos. As regulações extremas são feitas de um dia para o outro, mas os acordos como o de hoje levam anos; isto se explica porque a política econômica está às vezes mais inclinada ao protecionismo e ao medo ao livre comércio. Ontem à noite, enquanto comia uma boa carne paraguaia, dizia aos meus amigos: se trouxéssemos esses líderes que se opõem ao ingresso de carne para comer aqui um bom churrasco, seriam eles mesmos os que quereriam importar esta delícia. Este gigante bloco produtor produz alimentos de qualidade com boas práticas, que são a base de uma alimentação boa sem estridências modernas nem ensaios de laboratório. Quero manifestar à estimada senhora Ursula von der Leyen que ela foi uma aliada importante para que meu país começasse a sair das listas injustas; a senhora foi instrumental e agradecemos muito. Não podemos nos esquecer da Venezuela e da urgência de que se instale um governo democrático. O Panamá é um fervoroso crente do multilateralismo e do comércio mundial aberto; aportamos nossa posição geográfica e logística: somos o hub aéreo por excelência das Américas, com 576 frequências semanais de voos conectando com o Caribe, América Central e América do Norte. Temos uma fortaleza logística por nosso canal e portos; não somos um competidor, somos um complemento para que seus produtos cheguem aos mercados mais diversos. Apesar de que isto é uma decisão de política externa, levei este acordo ao nosso parlamento e foi aprovado por unanimidade; hoje Mercosul é lei da República do Panamá e isso é um seguro de vida. O mundo merece menos barreiras e mais canais que nos comuniquem; menos fronteiras rígidas e mais hubs que nos conectem rumo a uma economia próspera. Muitíssimo obrigado.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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    1 comentário em “América Latina e Europa lamentam ausência de Lula – o “arquiteto” do acordo Mercosul-UE – na cerimônia de assinatura”

    1. REINALDO GONCALVES DA CRUZ

      Javier Milei vendeu a Argentina a preço de bananas para EUA, agora é obrigado a defender Trump, apoiando a agressão sofrida pela América do Sul, como sempre lambe botas do frango de granja americano, esse idiota vai contribuir muito pouco, ou quase nada para o tratado EU e Mercosul

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