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Ato de Bolsonaro para demostrar que é popular “não muda uma linha nas investigações”, diz Gilmar Mendes

    A Polícia Federal já está muito avante nessa questão“, disse o ministro sobre o ex-presidente que “passou de possível autor intelectual para pretenso autor material” – Lindbergh Farias diz que ele “não vai ecapar” – LEIA E ASSISTA

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    O ministro decano do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, disse, nesta quarta-feira (28/2), em entrevista ao ‘Estadão‘, que “pelos dados até agora divulgados” o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “saiu de uma situação de possível autor intelectual (…) para uma situação de pretenso (…) autor material“, ao demostrar, durante o ato realizado na Avenida Paulista, no domingo (25/2), que sabia da ‘minuta golpista‘.

    Segundo Mendes, “isso foi o que a investigação da Polícia Federal trouxe. Então, eu acho que nós temos esses dados e por isso, talvez, o presidente e seus assessores decidiram fazer esse movimento [na Av. Paulista] para mostrar que ele continua tendo apoio popular”, disse.

    E mostrar também, para os seus seguidores, que ele continua relevante no partido e na opinião pública. O que eu tenho dito a todos vocês é que isso não muda uma linha em relação às investigações e nem muda também qualquer juízo ou julgamento do Supremo Tribunal Federal. Certamente, nós vamos prosseguir nas nossas discussões, como no passado também o fizemos”.

    “Vocês hão de se lembrar que Bolsonaro gritava contra ministros do Supremo, naquele Sete de Setembro, e isso não mudou a nossa perspectiva”, disse o ministro.

    Jornalista: “E em relação a ao fato dele ter declarado: “Agora é golpe, porque tem uma minuta de um decreto de estado de defesa”. Golpe usando a Constituição. Algumas pessoas leram isso como uma confissão de que, de que ele admite que existia essa minuta.

    Eu acho que ele até disse mais do que isso. Teria dito que a minuta teria se submetido ao Conselho da República e ao Congresso Nacional. Não é isso?”

    Jornalista: “O senhor vê isso como uma confissão de que ele sabia da existência desses documentos?”

    “Parece que sim, que todos sabiam, né? E se a gente olhar aquele contexto – e eu vi mais de uma vez aquela fatídica reunião, e eu acho que inclusive os seus partícipes devem se envergonhar de terem dela participado, aqueles que, de fato, não tem nada mais com isso, mas devem botar na sua biografia como uma nota negativa – se nós olharmos aquela reunião, nós vamos ver que não se tratava de um grupo que estava ensaiando um domingo no parque, né?

    Falavam de antecipar as medidas e monitorarem e ter ação em relação a esse contexto. Em suma, tudo isso sugere ações. Quando se fala que haveria que se submeter ao Congresso alguém imagina que numa minuta que supõe ou propõe a prisão do presidente do Congresso, haveria Congresso aberto, nesse contexto?

    Os golpes militares no Brasil sempre fecharam o Congresso, ainda que temporariamente. Então, é tudo muito curioso. Mas eu acho que há elementos severos que indicam intuitos golpistas que precisam ser aprofundados. E eu tenho certeza, até que no momento que nós estamos falando, a Polícia Federal já está muito avante nessa questão.

    Após as declarações, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou em sua plataforma de microblogging ‘X’, que Bolsonaronão vai escapar” e que “já há muito mais provas contra Bolsonaro! Não tem como ele escapar da Justiça!“:

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