“Recheado de discursos inflamados e golpistas, o evento mais pareceu um último suspiro de um bolsonarismo em apuros, com ataques vazios, plateia minguante e aliados em debandada“, diz deputada
RESUMO << O ato “Justiça Já”, organizado por apoiadores de Jair Bolsonaro na Avenida Paulista neste domingo (29/jun/2025), reuniu apenas 12,4 mil pessoas, número considerado baixo frente aos 3,1 milhões de votos que o ex-presidente recebeu em São Paulo em 2022. Com críticas ao STF e discursos pró-Bolsonaro, o evento foi considerado um “flop” por adversários políticos, enquanto aliados minimizaram o impacto, destacando o engajamento nas redes. A ausência de figuras-chave do bolsonarismo e a queda no comparecimento reforçam análises sobre o enfraquecimento do movimento>>
Brasília, 29 de junho de 2025
Nesta tarde deste domingo (29/jun), apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em ato organizado pelo pastor Silas Malafaia, tomaram parte de um protesto na Avenida Paulista, em São Paulo, que carregava como bandeira principal a defesa de uma suposta perseguição judicial.
Com o nome “Justiça Já“, o ato buscou ecoar críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e reafirmar o peso político do ex-mandatário.
Mas, de acordo com estimativas do Monitor do Debate Político do Cebrap/USP, o pico de público ocorreu por volta das 15h40, quando cerca de 12,4 mil pessoas preenchiam parte da avenida. Usando um termo popularizado pelo campo progressista, o ato “flopou“.
Em 2022, quando o ex-presidente se tornou o primeiro chefe de Executivo federal a ser derrotado em uma tentativa de reeleição, foram computados em seu nome 3.191.484 votos no município de São Paulo, o que representava 46,46% em relação ao total de eleitores do maior colégio do País.
A presença de apenas 12,4 mil apoiadores do ex-presidente, neste domingo (29/jun), na cidade em que ele foi derrotado para o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), equivale a 0,3% dos mais de 3 milhões de eleitores que votaram em Bolsonaro em 2022, no município de São Paulo.
A metodologia usada para a contagem do público presente no ato de Bolsonaro na Paulista neste domingo (29/jun) cruzou 34 imagens aéreas analisadas por inteligência computacional, com algoritmos de análise de multidão, apontando uma participação bem menor que em outras ocasiões recentes.
A contagem apontou uma participação bem abaixo de eventos anteriores—como os 44,9 mil registrados em abril de 2025 e os 185 mil de fevereiro do ano passado. Desta vez, a multidão ocupou menos de um quarteirão do icônico corredor paulistano.
Nas redes sociais, políticos progressistas detonaram o ex-presidente, réu no STF (Supremo Tribunal Federal) por suposta tentativa de golpe de Estado.
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), afirmou que o ato “foi um fracasso retumbante”.
Ela acrescentou que “é o retrato amargo de uma liderança em derrocada, além de opinar que o evento “mais pareceu um último suspiro de um bolsonarismo em apuros, com ataques vazios, plateia minguante e aliados em debandada“.
O ato de Jair Bolsonaro na Avenida Paulista hoje foi um fracasso retumbante — com cerca de 12 mil pessoas, bem abaixo das quase 45 mil em abril e dos 185 mil em fevereiro passado. É o retrato amargo de uma liderança em derrocada. Recheado de discursos inflamados e golpistas, o…
— Jandira Feghali 🇧🇷🚩 (@jandira_feghali) June 29, 2025
O vereador petista mineiro Pedro Rousseff, sobrinho da ex-presidenta do Brasil e atual presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS, Dilma Rousseff, escreveu em suas redes sociais que “hoje o gado superou a vontade de passar vergonha“, pois “o ato flopou com tudo“.
Hoje o GADO superou a vontade de passar vergonha.
— Pedro Rousseff (@pedrorousseff) June 29, 2025
O ATO FLOPOU COM TUDO!!! 🤣🤣 pic.twitter.com/utcM0g0DcI
A advogada, psicanalista e ativista política Roberta Bastos afirmou que “se a manifestação na Paulista flopou ou não, pouco importa. O que realmente assusta é saber que ainda há gente disposta a apoiar um projeto que ataca direitos, desmonta políticas públicas e governa apenas para os mais ricos. Isso sim deveria preocupar todo mundo“.
Se a manifestação na Paulista flopou ou não, pouco importa.
— Beta Bastos (@roberta_bastoss) June 29, 2025
O que realmente assusta é saber que ainda há gente disposta a apoiar um projeto que ataca direitos, desmonta políticas públicas e governa apenas para os mais ricos.
Isso sim deveria preocupar todo mundo.
Mas acho… pic.twitter.com/qY0mofcdLv
Silas Malafaia foi “recortado” e exposto na plataforma, também pela influenciadora social, afirmando que “nós temos uma direita prostituta – vagabunda – que se vende!“
Malafaia dizendo que a direita é vendida e sem vergonha.
— Beta Bastos (@roberta_bastoss) June 29, 2025
Olha, é a primeira vez que vejo o pastor falando algo que faz sentido.
Que continuem se estranhando por aí.#DireitaSeEstranhando#MalafaiaFalouEVeio#BrigaDeEgocêntricos#ConfusãoNoCurral#HipocrisiaExposta… pic.twitter.com/IxvZNGaKQ9
Outro influenciador digital, Sérgio A J Barreto, afirmou que “é capaz de na Papuda ter mais gente esperando o Bolsonaro“:
Mas É Capaz De Na PAPUDA Ter Mais Gente Esperando Pelo Bolsonaro pic.twitter.com/7YLYqF2YBC
— Sérgio A J Barretto (@SergioAJBarrett) June 30, 2025
Apesar dos números modestos, figuras próximas ao ex-presidente, como Flávio Bolsonaro e o próprio Malafaia, minimizaram a questão, destacando o impacto da mensagem nas redes sociais.
O evento contou com a participação de governadores como: Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) Romeu Zema (Novo-MG) Cláudio Castro (PL-RJ) Jorginho Mello (PL-SC) Entre os corredores humanos formados na Avenida Paulista, destacavam-se figuras parlamentares que se tornaram símbolos do bolsonarismo no Congresso Nacional.
O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) dividia espaço com o controverso pastor e seu homólogo Marco Feliciano (PL-SP), enquanto outros parlamentares da Câmara, como Bia Kicis (PL-DF) e Gustavo Gayer (PL-GO) circulavam entre os manifestantes, recebendo cumprimentos e reforçando o tom de apoio ao ex-presidente.
Do outro lado da balança política, as ausências ecoaram mais alto que muitos dos discursos proferidos no palanque.
O não comparecimento de Michelle Bolsonaro levantou sobrancelhas entre os militantes mais fiéis. Igualmente significativa foi a falta de nomes pesados da base aliada como Ratinho Júnior, governador do Paraná, e Ronaldo Caiado, de Goiás, ambos com histórico de apoio ao bolsonarismo.
Analistas apontaram três possíveis leituras para essas ausências: um possível realinhamento estratégico de setores da direita; o desgaste natural após anos de polarização; a cautela de alguns políticos diante do inquérito sobre o 8 de janeiro.
Os organizadores do protesto minimizaram as faltas.
Entre as faixas e cartazes, destacavam-se bandeiras de Israel e dos Estados Unidos, além de torcedores vestindo o uniforme da Seleção Brasileira.
Do lado opositor, vozes como as de Gleisi Hoffmann (PT) e Guilherme Boulos (PSOL) não pouparam críticas. Eles enxergam no protesto um ato de “resistência antidemocrática“, especialmente pela defesa aberta de anistia a participantes dos episódios de 8 de janeiro de 2023.
O evento, ainda que menor que edições passadas, escancarou mais um capítulo da disputa ideológica que segue dividindo o país, evidenciando que o debate político permanece acirrado – mesmo quando as ruas não refletem o mesmo volume de antes.![]()








