Ativistas anti-islâmicos queimam o Alcorão em parque e geram caos na Suécia

29/08/2020 1 Por Redação Urbs Magna

A cidade de Malmö, na Suécia, viveu uma noite caótica nesta sexta (29), após ações de ativistas contrários ao islamismo. Eles atearam fogo em um livro do Alcorão que, segundo os muçulmanos, representa a palavra literal de Alá (Deus) revelada ao profeta Maomé.

O ato extremista motivou, ao longo do dia, manifestações semelhantes por parte de simpatizantes do Stram Kurs, nome do partido político de extrema-direita fundado por um ativista anti-islã.

O ato público dos membros do Stram Kurs foi realizado em uma praça pública, onde foi possível assistir ao posicionamento do objeto em questão no centro de uma via de ciclistas e pedestres, quando o extremista ateou fogo no Alcorão, após encharcá-lo com combustível.

O vídeo viralizou e imediatamente originou os protestos que evoluiram para tumultos com incêncios de pneus e enfrentamentos com a polícia local da cidade sueca.

O partido político dinamarquês, Stram Kurs, de extrema direita, foi fundado pelo advogado e ativista anti-islã Rasmus Paludan em 2017. Ao menos três ativistas participaram da queima do livro sagrado.

A imprensa noticiou que aproximadamente 300 pessoas se reuniram ao longo de uma via principal em Malmö, Suécia, por volta das 19:30h, para os protestos contra a encenação.

Os manifestantes foram encorajando uns aos outros e o auge foi uma onda incendiária que atingiu vários veículos na região, o que forçou a polícia a uma tentativa de controlar a situação sem sucesso.

As imagens registraram lançamento de pedras contra os agentes e suas viaturas, além de carros do serviço de emergência.

Cantos de “Allahu akbar” ( “Deus é grande” em árabe) podiam ser ouvidos em imagens que circularam a web, além de pneus e outros objetos que foram queimados no meio da rua pelos manifestantes. A cerca de 1 km do local dos tumultos, outro incêncio foi relatado dentro de um estacionamento subterrêneo.

Paludan foi impedido de entrar na Suécia na sexta-feira, em um posto de controle de fronteira perto de Malmo e foi banido do país por dois anos devido às causas que defende, as quais poderiam “perturbar a ordem pública”, disse um porta-voz da polícia dinamarquesa.

Rasmus Paludan tornou marca registrada queimar o Alcorão durante suas manifestações. No ano passado, ele criou o partido Stram Kurs para concorrer às eleições parlamentares na Dinamarca, mas não obteve votos suficientes para uma cadeira no parlamento. FOTO: NIKOLAI LINARES / NTB SCANPIX

O ativista de direita havia solicitado anteriormente uma autorização para realizar uma manifestação em Malmo, prontamente rejeitada pelas autoridades suecas. 

Um tribunal argumentou que, embora “a liberdade seja direito protegido pela constituição”, o governo pode proibir manifestações como a de Paludan “por razões de ordem e segurança”.

Charlie Hebdo

Em 2015, um atentado terrorista atingiu o jornal satírico francês Charlie Hebdo ocasionando a morte de doze pessoas, além de ferir gravemente outras cinco vítimas, supostamente como protesto contra uma das edições da mídia que causou polêmica tendo sido recebida como um insulto aos mulçumanos.

As publicações do CH consistiam em charges do profeta Maomé e foram alvo de processos judiciais abertos por entidades islâmicas. A capa de uma edição de 2011, denominada Charia Hebdo, mostrava uma caricatura do profeta islâmico, tendo sido a gota d’água para a tolerância radical de extremistas mulçumanos.

Importância do Alcorão na cultura islâmica e na vida dos muçulmanos

Muçulmanos aprendem desde cedo a começar determinados atos da sua vida, como as refeições, com citações de trechos do Alcorão. Outras partes do livro sagrado do Islã também são recitadas em momentos especiais da vida, como o casamento ou no leito de morte.

Em países muçulmanos muitas passagens da vida pública têm a recitação de passagens das palavras de Alá reveladas por Maomé. Os fiéis não tocam no livro sagrado senão após a ablução, conhecida como wudu, que é um ritual de purificação realizado antes da reza.

Os muçulmanos guardam o Alcorão em local alto do quarto, em sinal de respeito. Alguns carregam versões menores. Como as mini bíblias simplificadas que conhecemos.

Apenas a versão original em árabe é considerada Alcorão. Suas traduções são tidas como sombras fracas do significado original.

É proibido reciclar, reimprimir ou jogar cópias velhas do Alcorão no lixo, devendo ser enterrados ou respeitosamente queimados por meio de rituais específicos.

É pecado gravíssimo modificar, cortar, excluir ou adicionar palavras ao Alcorão, bem como é ato ilícito a sua comercialização em seu idioma original, o árabe.

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