Atentado em Buffalo, New York, “evidencia contradição insuperável entre liberdade e discurso de ódio”

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Para o Phd em Direito, Silvio Almeida, a “pretensa liberdade de expressão tem sido o motor de sujeitos violentos e intolerantes


Por Silvio Almeida
Em seu Twitter 15/mai

O atentado ocorrido nos Estados Unidos evidencia que existe uma contradição insuperável entre “liberdade” e “discurso de ódio”, afirma o filósofo, professor universitário, escritor e presidente do Instituto Luiz Gama, o advogado Silvio Luiz de Almeida, sobre o crime de motivação racial, cometido em Buffalo, New York, onde um homem armado invadiu um supermercado no sábado (14/5) atirando, matando e ferindo 11 pessoas negras e duas brancas.

Essa pretensa “liberdade” de expressão tem sido o motor fundamental para a constituição de sujeitos violentos e intolerantes que não se submetem a qualquer limite ou regramento social; que não aceitam certas formas de existência“, escreve o professor.

Isso tudo se torna ainda mais grave em um ambiente social regido por concorrência desenfreada, lógica de guerra e sociabilidade de mercado“, prossegue o filósofo que prevê que “o enfrentamento a isso não se dará apenas com lições de moral“, pois “a questão é política e vai, inevitavelmente, exigir em um ponta educação, mas na outra, regulação e responsabilização“.

E é sobre essa ponta que menos se fala porque ela requer a disposição de impor limites concretos a certas práticas, inclusive no que tange ao modelo de negócios das redes sociais. Este é um debate que envolve, entre outra questões, direitos humanos, direito econômico e até segurança nacional“, afirma Almeida.

Há pessoas morrendo por conta desta falta de limites, por essa naturalização da violência“, diz preocupado com o tema. “Como, por exemplo, esperar que se respeitem os direitos humanos se em um programa de TV aberta o apresentador comemora a morte de alguém cantando animadamente “ele morreu, ele morreu..”?“, questiona.

Há coisas que devem ser inegociáveis se se quer construir uma vida possível. Tripudiar da morte de alguém, racismo, apologia ao nazismo, sexismo são apenas alguns exemplos de linhas que não poderiam ser cruzadas sob nenhuma hipótese. Nem toda proibição é sinal de autoritarismo“, escreve o PhD.

A discussão é política, de economia política, na verdade. Mas há uma dimensão ética. Debate incisivo, que exponha diferenças, não é sinonimo de agressão e humilhação. Não devemos ser como os que querem nos matar; mas não devemos ter medo de enfrentá-los à altura e com energia“, pontuou Silvio Almeida.

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