Equipes médicas e de ajuda humanitária prestam assistência a famílias deslocadas no Líbano, em meio à ofensiva israelense que já causou a morte de quase 3.000 libaneses / Foto: EFE
| Beirute (LB)
11 de maio de 2026
A escalada do conflito no Líbano resultou na morte de mais de 100 profissionais de saúde em ataques atribuídos a Israel, configurando uma grave violação do Direito Internacional Humanitário que protege médicos e hospitais em zonas de guerra.
O cirurgião Tahir Mohammed fez uma denúncia contundente no domingo (10/mai), ao alegar que mais de 100 sanitários foram assassinados no Líbano por ataques israelenses.
O médico classificou a situação como uma “política sistemática de agressões” contra o pessoal médico, traçando um paralelo direto com as táticas empregadas durante os ataques na Faixa de Gaza.
A declaração do Dr. Tahir Mohammed é a confirmação de uma tendência alarmante documentada por órgãos internacionais. A comunidade internacional tem falhado em coibir o que especialistas chamam de “desrespeito sistemático” às Convenções de Genebra.
A escalada da violência
Os números corroboram a gravidade da denúncia. Dados do Ministério da Saúde do Líbano, divulgados pela Al Jazeera no sábado (9/mai), indicam que as forças israelenses mataram 51 pessoas em um único dia, incluindo dois paramédicos que estavam em serviço.
A pasta libanesa afirmou que “o inimigo israelense continua violando as leis internacionais e as normas humanitárias, acrescento mais crimes contra paramédicos” ao atingir diretamente centros de saúde em Qalawiya e Tibnin.
Desde o início da nova ofensiva militar, em 2 de março, as Nações Unidas contabilizam 103 trabalhadores da saúde mortos e 230 feridos em mais de 130 ataques israelenses no Líbano.
Paralelo com Gaza e reações internacionais
A referência feita por Tahir Mohammed à situação em Gaza ecoa as investigações de entidades de direitos humanos.
A Human Rights Watch (HRW) já havia documentado o que chamou de “ataques aparentemente deliberados ou indiscriminados contra jornalistas, civis e médicos” no Líbano, alertando que a impunidade para tais atos aumenta o risco de reincidência.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) também se manifestou reiterando a obrigação das partes em conflito de proteger o pessoal humanitário.
Em comunicado recente, a chefe da delegação do CICV no Líbano, Agnès Dhur, declarou que “as instalações médicas e o pessoal são uma tábua de salvação para os civis. Hospitais e serviços médicos devem permanecer santuários e não podem ser ameaçados”.
A organização relembra que atacar deliberadamente equipes médicas desempenhando suas funções humanitárias constitui crime de guerra.
Impacto humanitário
Enquanto as denúncias se acumulam, a população civil do Líbano enfrenta um colapso no acesso à saúde.
Um dos reflexos mais dramáticos é a interrupção de tratamentos essenciais.
O governo libanês e entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertam que os bombardeios e as ordens de evacuação estão forçando o fechamento de hospitais e a suspensão de serviços críticos, como tratamentos de quimioterapia e diálise, agravando ainda mais a crise humanitária em um país já fragilizado por anos de instabilidade econômica.
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FAQ Rápido
1. Quantos profissionais de saúde foram mortos no Líbano desde março de 2026?
Segundo dados das Nações Unidas e do Ministério da Saúde do Líbano, pelo menos 103 trabalhadores da saúde foram mortos e 230 feridos em mais de 130 ataques israelenses desde 2 de março de 2026.
2. O que diz o Direito Internacional sobre ataques a paramédicos em zonas de guerra?
O Direito Internacional Humanitário, nas Convenções de Genebra, protege explicitamente instalações médicas, ambulâncias e profissionais de saúde. Atacar deliberadamente paramédicos em exercício de suas funções humanitárias constitui crime de guerra, sujeito a julgamento em tribunais internacionais.
3. Qual a posição da comunidade internacional sobre os ataques no Líbano?
Organizações como a ONU, a Anistia Internacional, a Human Rights Watch e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha condenaram os ataques, alertando que a impunidade para tais atos aumenta o risco de reincidência. A OMS também documentou dezenas de ataques ao sistema de saúde libanês.
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