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Assista, online e de graça, a “O Novo Evangelho”, de Milo Rau – Um Jesus negro na terra do branquíssimo Vaticano

    É a última exibição no festival Ecofalante, que começou às 19h de sexta (10) e prossegue até às 19h deste sábado ( 11) – horário da cerimônia de premiação do evento

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    Assista ao trailer:

    Leia a descrição do filme, conforme transcrito do site original ECOFALANTE:

    >>> [ O Novo Evangelho

    The New Gospel
    Alemanha, Suíça, Itália, 2020, 107′ (01 hora e 47 minutos)
    Milo Rau

    No passado, tanto Pier Paolo Pasolini como Mel Gibson filmaram a crucificação de Jesus na cidade de Matera, no sul da Itália. Em 2019, Matera se tornou o cenário para uma nova encenação da Paixão. Desta vez, Jesus foi interpretado pelo ativista político camaronês Yvan Sagnet, que defende os direitos dos trabalhadores ilegais explorados por um sistema agrícola liderado pela máfia. O Novo Evangelho é ao mesmo tempo uma gravação dos ensaios da peça e, fora do “palco”, uma documentação da luta de Sagnet e de seus compatriotas africanos por visibilidade e dignidade.

    *OBS: FILME FICA DISPONÍVEL POR APENAS 24 HORAS [começou às 19h de sexta-feira (10) e vai até às 19h deste sábado].

    **Este filme está concorrendo ao PRÊMIO DO PÚBLICO – não se esqueça de dar sua nota após assistí-lo! LINK DE VOTAÇÃO disponível na página do player do filme!

    Principais Festivais e Prêmios

    Melhor documentário – Prêmios do Cinema Suíço
    IDFA-Amsterdã – Holanda
    ] <<<

    Leia a descrição e indicação do Estadão:

    >>> [ Capital europeia da Cultura em 2019, a cidade de Matera talvez seja um solo sagrado do cinema, como Monument Valley, a reserva em Utah onde John Ford realizou seus maiores westerns. Em Matera, Pier-Paolo Pasolini e Mel Gibson rodaram O Evangelho Segundo Mateus, em 1964, e A Paixão de Cristo, em 2004. No clássico Rocco e Seus Irmãos, de Luchino Visconti, de 1960, quando Rocco e Nadia, interpretados por Alain Delon e Annie Girardot, se reencontram – ele, abandonando o Exército, ela, saindo da cadeia -, Rocco conta a história dos agricultores que se rebelaram contra os grandes proprietários de terras e foram massacrados.

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    Imagem do filme ‘O Novo Evangelho’, de Milu Rau Foto: Fruitmarket

    Matera, em Potenza. Foi onde Milo Rau, grande diretor de teatro e cinema, filmou a sua versão da Paixão de CristoO Novo Evangelho abriu, no mês passado, o 10º Ecofalante, Festival de Cinema Ambiental. Atendendo a pedidos do público, o filme voltou para um último dia de exibição gratuita que começou às 19 h de sexta, 10, e prossegue até às 19 h deste sábado, 11 – quando estará se iniciando a cerimônia de premiação, no site do evento, http://www.ecofalante.org.br. Milo Rau já participou do Festival Internacional de Teatro de São Paulo. Faz filmes como esse. O homem chamado Jesus escolhe seus discípulos. Percorre com eles as estradas da Itália contemporânea, as ruas de Matera. O grande diferencial não é só que esse Cristo moderno é negro, mas também que é interpretado por um militante camaronês que tem sido porta-voz dos refugiados na Itália, protestando contra o trabalho escravo de ilegais em plantações controladas por milicianos da Máfia.

    Yvan Sagnet é seu nome e ele possui uma presença cênica poderosa. Veste a túnica branca. Convoca o pescador Simão para ser, com o nome de Pedro, pescador de homens. A estrutura é, ao mesmo tempo, simples e complexa. Milo Rau foi convidado para encenar sua peça sobre o Evangelho no quadro da celebração de Matera como capital da cultura. Filmou os ensaios e protestos reais, com policiais de verdade reprimindo trabalhadores. Entre fato e ficção, criou uma obra-prima de metalinguagem – de ousadia e política. Um grande filme poético.

    Nascido na Suíça, mas radicado na Bélgica, Milo Rau dirige desde 2019 a NTGent, a chamada cidade do futuro do teatro, aberta ao experimentalismo. Ele também dirige o International Institute for Political Murder, que investiga a violência institucional e política, e nutre sua atividade como criador. Entrevistado pelo Estadão, o repórter quis saber onde funcionava o Instituto. “Aqui, nesta sala – na minha casa”, declarou Rau numa entrevista por Zoom. Tudo bem com Pasolini e Gibson, mas quando o repórter lhe contou sobre o diálogo de Nádia e Rocco no clássico de Visconti, Rau admitiu não se lembrar da cena. E acrescentou que não tinha muito apreço por Visconti. 

    O repórter pediu-lhe que revisse Rocco e Seus Irmãos, Rau disse que ia fazê-lo. Parecia apenas um ato de elegância protocolar, mas dias depois veio o e-mail do diretor, dizendo que havia revisto o filme e – sim – Rocco foi um choque para ele, um grande filme. Existem duas presenças a destacar em O Novo Evangelho, a do ator que foi o Cristo de Pasolini, Enrique Irazoqui, e a da Maria de Mel Gibson, a atriz romena Maia Morgenstern. Ao contrário de Maia, grande atriz de teatro, cinema e TV – uma Fernanda Montenegro da Romênia -, Irazoqui era um ator natural, não profissional, que agora prepara os atores que Milo Rau escolheu entre trabalhadores e refugiados reais. 

    Não faltam as imagens dos filmes de Pasolini e Gibson. Matera em preto e branco, em 1964, e em cores, 40 anos mais tarde. A cidade no monte, com suas vielas. O tempo esculpido na pedra. Existem filmes que ultrapassam a epifania artística, o prazer estético. Viram experimentos humanos, políticos e sociais. O Novo Evangelho é essa obra excepcional que neste sábado você ainda tem o dia todo para rever. ]<<<

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