Denúncia do portal detalha operação digital com premiação em dinheiro para editar vídeos e construir popularidade artificial para o chefe do Executivo paulista, em meio a manobras de reposicionamento político para a eleição nacional
Brasília, 12 de novembro 2025
Nas redes sociais, o jornalista editor do Revista Fórum, Renato Rovai, mandou uma mensagem provocativa ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), dizendo que os assessores de Tarcísio de Freitas (Republicanos) estão pedindo para desvincular o nome do governador de São Paulo do nome do condenado por tentativa de golpe de estado, Jair Messias Bolsonaro.
O criador da mídia progressista postou matéria em que se revela a existência de um campeonato de cortes de vídeo que oferece R$ 50 mil ao vencedor com o objetivo de impulsionar a imagem de Tarcísio nas redes sociais, mirando sua pré-candidatura à Presidência em 2026 contra Lula e, ao mesmo tempo, distanciando-o da figura de Jair Bolsonaro.
Segundo a publicação, a competição, lançada em 3 de novembro e com término previsto para 3 de dezembro, incentiva editores a criarem vídeos curtos a partir de falas recentes de Tarcísio, especialmente da entrevista no Flow Podcast ao lado de Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e hoje articulador político no Centrão para aprovação do PL Antifacção.
A hashtag #tarcisiocortes, criada no dia do lançamento, saltou de 600 para mais de mil vídeos no TikTok em poucos dias, gerando mais de 5 milhões de impressões e 2,7 milhões de visualizações no YouTube, com um pico de 6 milhões de views em um único dia, segundo dados vazados de uma plataforma privada de gerenciamento de conteúdo.

As provas apresentadas incluem mensagens de WhatsApp enviadas em 7 de novembro às 13h44, determinando que, a partir das 15h daquele dia, fosse proibida qualquer associação entre Tarcísio e Bolsonaro nos vídeos, com foco exclusivo em segurança pública e no episódio com Derrite; quem desobedecesse perderia visualizações diárias e mensais, podendo até ser banido da competição.
Um dashboard interno da ferramenta usada pelos organizadores confirma que o objetivo é “farmar” viralidade para a campanha de 2026.
A reportagem compara o caso ao de Pablo Marçal, condenado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por abuso de poder econômico e uso indevido de mídia em 2024, ao remunerar criadores de conteúdo, e cobra investigação do Ministério Público Eleitoral, do TSE e da polícia para rastrear a origem do prêmio de R$ 50 mil e eventuais vínculos com caixa dois.
O governo de São Paulo, por meio de sua assessoria, negou qualquer envolvimento, afirmando que “a gestão estadual não tem conhecimento, tampouco envolvimento ou anuência dos fatos mencionados” e que “qualquer tentativa de vincular os prints ao governador é absolutamente falsa e irresponsável”, prometendo tomar “todas as medidas legais cabíveis” contra a Revista Fórum.
A operação, segundo a denúncia, revela uma estratégia coordenada de marketing digital para simular apoio orgânico, manipular engajamento e construir uma bolha de popularidade artificial nas redes, enquanto Tarcísio se reposiciona no centro-direita, afastando-se de Bolsonaro e aproximando-se do Centrão por meio de aliados como Derrite.
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