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“Ascensão do Bolsonaro foi reação à abertura das portas a quem nunca se sentou à mesa”, diz Haddad

    O ministro da Fazenda também disse em entrevista que o Brasil é truculento e que rico tem que pagar mais imposto que pobre

    O Brasil é um país truculento. A natureza da nossa sociedade é violenta, embora nem sempre isso seja admitido e verbalizado”, afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), em entrevista a Mônica Bergamo, na ‘Folha de São Paulo‘.

    Houve uma mudança social importante no país [na última década]. Novos protagonistas chegaram aos altos escalões do Estado brasileiro, graças ao maior acesso às universidades, entre outras conquistas”.

    E a ascensão do Bolsonaro foi, de certa forma, uma reação ao fato de as portas se abrirem a quem nunca se sentou à mesa”, prosseguiu.

    No Brasil, a classe dominante sempre resistiu à formação de uma classe dirigente distante de interesses particulares de setores e grupos específicos, como ocorre em países ricos e desenvolvidos”.

    Tanto é verdade que a classe dirigente imperial entregou o Estado brasileiro à classe dominante como indenização pelo fim da escravidão”, afirmou.

    Seria bom para o país que tivéssemos uma classe dirigente plural, que pudesse enxergar a floresta sob diversos pontos de vista”, disse Haddad.

    E não apenas as árvores”.

    “Toda vez que há real alternância de poder no Brasil, ocorre essa tensão porque a classe dominante se sente expropriada de algo que pensa que é dela, que é o Estado brasileiro”.

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