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Arthur Lira vai do bolsonarismo ao lulismo para consolidar reeleição na Câmara com aval do PT

    De acordo com Reginaldo Lopes, Lira afirmou que Lula “reinaugurou uma nova fase na República brasileira, que é o respeito às instituições, aos Poderes, às lideranças

    O líder do PT na Câmara dos Deputados, deputado Reginaldo Lopes (MG), disse à Folha de S. Paulo que não há obstáculo para que o presidente da casa, Arthur Lira (PP-AL) integre a futura base de sustentação do governo Lula.

    Ex-bolsonarista de carteirinha, Liraagora ensaia trocar de barco como forma de consolidar a sua reeleição ao cargo, em fevereiro“, diz texto da matéria sobre entrevista concedida ao jornal pelo parlamentar.

    Lopes disse que seu partido caminha para não ter candidato à disputa e que Lira tem adotado uma postura “extremamente colaborativa“, viabilizando “contribuir com os governantes, com os presidentes“.

    De acordo com as respostas aos questionamentos do jornalista Ranier Bragon, Lopes afirma que seu partido vê que “o mais importante neste momento é estabelecer parcerias na Câmara que deem a Lula governabilidade“, viabilizando seu governo de 2023. Segundo o deputado, o foco do momento é o “apoio para tramitação e aprovação da PEC da Transição“, o que permitirá “ao presidente Lula honrar o compromisso do Bolsa Família de R$ 600 e também o apoio às famílias que têm mais crianças“.

    Lopes disse que na reunião de Lula com Lira, no dia 9, o Presidente eleito considerou que o reconhecimento, por parte do alagoano, de sua vitória na mesma noite do resultado da eleição foi legítimo e que, por isso, ele era um “colaborador dessa agenda“+.

    Sobre a reação do mercado, quando Lula chorou ao falar da fome, Lopes argumentou que o mercado precisa ter essa compressão e essa sensibilidade. A menos que todo mundo ache normal um dos países que mais exportam alimentos no planeta deixar as pessoas morreram com fome, deixar 10 milhões de crianças dormir com fome; ou que a universidade não pague conta de luz, de água“.

    Por outro lado, Lira disse, segundo Lopes, que “via no gesto do presidente Lula o diálogo” e sugeriu que ele teria afirmado que o Presidente eleito “reinaugurou uma nova fase na República brasileira, que é o respeito às instituições, aos Poderes, às lideranças“.

    Lopes avalia que “quando, antes de apresentar o projeto [da PEC], ele procura o presidente da Câmara dos Deputados, depois procura presidente do Senado, o Supremo, o Tribunal Superior Eleitoral, isso demonstra como o presidente Lula estabelece uma nova relação da democracia brasileira —que é uma relação de respeito e de muito diálogo. Isto derruba qualquer dificuldade de governabilidade“.

    É bom lembrar que a primeira fotografia que o presidente Lula buscou no momento em que ele decidiu ser candidato foi a fotografia de um antigo adversário, o governador Geraldo Alckmin. Ele sinalizava ali que queria ser presidente de um amplo movimento que pudesse reconstruir o Brasil e reafirmar os valores da democracia“, disse Lopes.

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