Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

Lira vai recorrer ao STF contra acareação determinada por Dino sobre destino de emendas

    Deputado do União Brasil relatou à PF, no âmbito de investigação que atingiu ex-assessora, que procedimentos são “rotineiros” no contexto de escrutínio sobre o Orçamento Secreto

    Clickable caption
    Arthur Lira
    Arthur Lira e Jair Bolsonaro durante campanha eleitoral em 2022 / Foto: Mauro Pimentel/AFP | Flávio Dino / Foto: Gustavo Moreno/STF
    RESUMO
    URBS MAGNA - Progressistas por um BRASIL SOBERANO


    Brasília (DF) · 09 de fevereiro de 2026

    Em meio a um inquérito que escrutina possíveis desvios no antigo mecanismo conhecido como Orçamento Secreto, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados, avalia recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a autorização de uma acareação concedida pela Polícia Federal (PF) pelo ministro Flávio Dino.

    A medida, determinada na quarta-feira (4/fev), visa confrontar as versões de Lira e do deputado José Rocha (União-BA) sobre a destinação de emendas parlamentares.

    O cerne da controvérsia reside em depoimentos coletados pela PF no âmbito de uma investigação que atingiu a ex-assessora de Lira, Mariângela Fialek, apelidada de “Tuca”.

    Em operação deflagrada em 12 de dezembro, a PF mirou supostas irregularidades na alocação de recursos, com base em relatos de parlamentares que apontam Fialek como figura central na distribuição informal de emendas via WhatsApp, incluindo minutas de ofícios e planilhas.

    As emendas Pix (transferências especiais) são recursos federais indicados por parlamentares diretamente a estados e municípios via WhatsApp ou outros meios, sem projetos prévios, visando agilidade, mas exigem agora transparência, rastreabilidade e planos de trabalho, com auditorias da CGU e TCU devido a riscos de desvio.

    Rocha, em seu testemunho, descreveu esses procedimentos como rotineiros, mas divergentes de outros depoentes, como o deputado Fernando Marangoni (União-SP), que negou tal informalidade.

    Interlocutores próximos a Lira sustentam que a acareação é prematura e carece de base jurídica, uma vez que o ex-presidente da Câmara ainda não prestou depoimento formal e não figura como investigado no procedimento.

    “A acareação entre uma testemunha já ouvida e outra que não foi é descabida”, argumentam aliados, conforme relatado pela CNN Brasil.

    Eles enfatizam que contradições deveriam ser dirimidas primeiramente entre os parlamentares já inquiridos, como Rocha e Marangoni, antes de envolver Lira.

    A decisão de Dino surge em um contexto de escrutínio sobre o Orçamento Secreto, instrumento que permitia a liberação de bilhões em emendas sem transparência plena, frequentemente atrelado a negociações políticas internas do Congresso Nacional.

    O ministro autorizou a PF a agendar o confronto para esclarecer discrepâncias, como a alegação de Rocha de que Fialek atuava com ampla autonomia na destinação de recursos, contrastando com critérios partidários e hierárquicos defendidos por Lira.

    Este último explica que a alocação seguia parâmetros como o tamanho das bancadas, relevância temática e posições em comissões.

    Lira sinalizou a aliados que a petição ao STF destacará uma suposta interferência judicial em assuntos internos da Câmara, argumentando que o depoimento de Rocha – motivado por insatisfação com cotas menores de emendas devido à sua posição hierárquica – não justifica a medida.

    Dino baseou a autorização em versões contraditórias, reforçando a necessidade de acareação para avançar o inquérito.

    O episódio ilustra as ramificações do Orçamento Secreto, extinto formalmente, mas cujos resquícios ainda reverberam em investigações que testam os limites entre poderes.

    Lira defende que a distribuição obedecia a protocolos estabelecidos, sem irregularidades, e que qualquer acareação deve respeitar o devido processo legal.

    Origem do Orçamento Secreto

    Orçamento Secreto — como ficou popularmente conhecido — nasceu durante o governo Jair Bolsonaro, mais precisamente em 2020, no segundo ano de seu mandato.

    O mecanismo refere-se às emendas de relator (codificadas como RP9 no orçamento federal), uma modalidade de emenda parlamentar que permite a destinação de bilhões de reais em recursos públicos por decisão de um único relator do orçamento anual (geralmente um deputado ou senador escolhido para relatar a Lei Orçamentária Anual).

    Diferentemente das emendas individuais, de bancada ou de comissão — que seguem critérios mais distribuídos e identificáveis —, as de relator não exigiam transparência sobre o autor da indicação nem critérios objetivos de distribuição, o que gerou o apelido de “secreto” por falta de rastreabilidade e publicidade.

    As emendas de relator existiam há décadas, mas eram usadas apenas para ajustes técnicos menores no orçamento (correção de erros ou omissões).

    A virada ocorreu em 2019, quando o Executivo, sob Jair Bolsonaro, enviou ao Congresso o Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN) nº 51/2019, que alterou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2020 (Lei nº 13.898/2019).

    A mensagem de encaminhamento foi assinada pelo então ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos.

    Essa mudança ampliou drasticamente o volume e o poder dessas emendas, alocando dezenas de bilhões de reais (inicialmente cerca de R$ 30 bilhões) sob controle do relator, sem identificação clara dos beneficiários ou critérios técnicos.

    A lei foi sancionada por Bolsonaro em dezembro de 2019, após recuar de um veto inicial a uma versão semelhante proposta pelo Congresso.

    O sistema começou a funcionar de fato em 2020, com valores expressivos liberados nos anos seguintes: cerca de R$ 13-18 bilhões em 2020/2021 e volumes semelhantes em 2022.

    O mecanismo foi revelado em detalhes pelo jornal O Estado de S. Paulo em maio de 2021, expondo negociações políticas e indícios de superfaturamento (como tratores comprados a preços até 259% acima da tabela).

    Contexto político

    A criação ocorreu em um momento de fragilidade do governo Bolsonaro no Congresso Nacional: após resistir a alianças com o Centrão, o presidente enfrentava risco de impeachment e dificuldade para aprovar pautas.

    O “orçamento secreto” tornou-se instrumento de barganha para garantir apoio parlamentar, ampliando a governabilidade em troca de liberação de recursos para bases eleitorais de deputados e senadores aliados — sem critérios transparentes.

    Figuras como o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), foram apontadas como articuladores centrais da prática.

    Fim da prática

    Em dezembro de 2022, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional o uso indiscriminado das emendas de relator (RP9) por violarem princípios como transparência, impessoalidade e moralidade.

    O plenário decidiu por maioria que o mecanismo, na forma como era operado, era inconstitucional.

    Embora emendas de relator existissem antes, o Orçamento Secreto como esquema bilionário e opaco nasceu no governo Bolsonaro, por iniciativa do Executivo em 2019 (válido a partir de 2020), e serviu como ferramenta política central de sua gestão.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    1 comentário em “Lira vai recorrer ao STF contra acareação determinada por Dino sobre destino de emendas”

    1. É.um safado mesmo. Não tem nem nenhum.pingo de vergonha na cara imunda
      Faz um.bom.par com o Toffoli!!!

    Os comentários estão fechados.

    🗣️💬

    Discover more from Urbs Magna

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading