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Argentina pedirá impeachment de Milei por ‘maior ato de corrupção da história’ e a culpa é de Trump – entenda

    Presidente do país vizinho promoveu criptomoeda que atingiu US$ 5 bilhões, mas que repentinamente despencou – Sabendo da queda, enquanto milhares investiam, Milei permaneceu em silêncio, diz jornal – SAIBA MAIS

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    A oposição ao governo de Javier Milei, presidente da Argentina, deseja promover o impeachment do “libertário” que se popularizou com seu lema durante campanha como candidato à Casa Rosada, “Viva La Liberdad, Carajo“.

    O polêmico ultradireitista agora pode ser alvo de uma investigação, desde que fez propaganda da criptomoeda $LIBRA em suas redes sociais, na última sexta-feira (14/fev).

    Na plataforma social de microblog X, o argentino disse que “o mundo quer investir na Argentina. e causou uma disparada no valor do criptoativo, que atingiu a marca de US$ 4.978, mas, na sequência, despencou, gerando instabilidade e desconfiança sobre suas intenções.

    No trading digital, a postura de Milei é conhecida como “rug pull, ou “puxada de tapete”, quando um investidor levanta ativos anunciando um token e repentinamente encerra o projeto, causando prejuízo a quem investiu no ativo.

    Eu não estava ciente dos detalhes do projeto e, depois que tomei conhecimento, decidi não continuar difundindo-o”, justificou Javier Milei, após o estrago feito, com opositores e especialistas em finanças digitais criticando o presidente da Argentina, acusando-o de fraude por endossar um esquema de pirâmide financeira.

    A oposição do país anunciou que apresentará, na segunda-feira (17/fev), um pedido de impeachment contra Milei, classificando o gesto presidencial argentino como o maior ato de corrupção da história da Argentina, o que justificaria a retirada do mandato de seu atual mandatário.

    O token $LIBRA atingiu brevemente uma capitalização de mercado máxima de US$ 4,56 bilhões às 22h30 de 14 de fevereiro, antes de cair mais de 94% para a capitalização de mercado atual de US$ 257 milhões em apenas 11 horas desde que o token estreou para negociação em exchanges descentralizadas, conforme mostram dados do Dexscreener.


    LIBRA/USDC, gráfico de todos os tempos. Fonte: Dexscreener


    Após $LIBRA despencar, Milei apagou as suas publicações e fez um comunicado bem ao seu estilo, xingando o geral e dizendo que não estava muito bem informado sobre o projeto, se fazendo de inocente.

    Após a publicação inicial, Milei chegou a ser entrevistado pela Bloomberg, a quem se mostrou muito empolgado e contou detalhes do projeto. Agora, deputados argentinos reúnem informações para compor o pedido de impeachment.

    Neste domingo (16/fev), o jornal americano The New York Times publicou: “Líder argentino recebe críticas após queda da criptomoeda que ele promovia”. A matéria diz que Milei “causou uma tempestade política ao promover uma criptomoeda desconhecida cujo valor disparou após seu endosso e então despencou rapidamente”.

    Segundo o artigo do jornalão, Milei foi criticado por “aparentemente empurrar as pessoas para investimentos arriscados” em “sua postagem inicial“, que “também atraiu comparações com o presidente Trump, que lançou uma memecoin, $Trump, no mês passado. Esse token subiu por um tempo e depois caiu”.

    Uma coalizão de centro-esquerda oposta ao governo libertário de Milei chamou sua incursão em criptomoedas de um escândalo sem precedentes. Outro bloco político disse que estava buscando criar uma comissão no Congresso para investigar o que aconteceu“, escreveu o NYT, que também citou uma publicação no X, feita pela ex-presidente Cristina Kirchner, afirmando que “milhares de pessoas que confiaram nele perderam milhões de dólares no total, enquanto muitos fizeram fortunas graças a informações privilegiadas“.

    O jornal ainda alertou que “a promoção do $LIBRA por Milei foi apenas a mais recente de uma série de medidas que ela tomou em paralelo com Trump” e observou, como exemplos dessas medidas, que o libertário “retirou a Argentina da Organização Mundial da Saúde no início deste mês, e sua equipe disse que o governo está examinando se deve se retirar do Acordo de Paris”.

    De acordo com o jornal progressista argentino Página12, “um minuto depois das 19h de sexta-feira, Milei lançou o golpe. Por meio de suas contas verificadas no Instagram e X, com quase 6 e 4 milhões de seguidores, ele promoveu o “VivaLaLibertadProyect”, um suposto projeto privado – criado pelo grupo KIP Project – para financiar empreendedores argentinos por meio da compra da recém-criada criptomoeda $LIBRA“.

    O jornal da Argentina resume o caso afirmando que seu “presidente publicou a postagem em suas redes sociais e, enquanto milhares “investiam”, ele permaneceu em silêncio por um longo tempo“. E prosseguiu:

    Boa parte das tropas digitais libertárias o seguiram rapidamente. Daniel Parisini, conhecido como “Gordo Dan“, respondeu à mensagem com a frase “EU COLOQUEI TUDO O QUE TENHO LÁ”. Agustín Laje e Jorge Goristiaga (“Danaan“) também impulsionaram a circulação da postagem. O ativista libertário Fran Fijap publicou uma imagem mostrando que ele havia comprado $LIBRAs“, escreveu o Página12, que prosseguiu, conforme a seguir:

    Após uma alta vertiginosa, o valor das $LIBRAs despencou para quase zero. De acordo com especialistas de mercado, um punhado de carteiras virtuais que obtiveram a $LIBRA a um preço ridículo, venderam suas ações quando o valor disparou. Eles alcançaram uma lucratividade entre 70 e 100 milhões de dólares em poucas horas. Dada a magnitude do escândalo, circulou a hipótese de uma invasão à conta presidencial.

    A deputada libertária Lilia Lemoine confirmou que a postagem era real e 38 minutos depois da meia-noite chegou uma espécie de exoneração.

    O presidente disse que não tinha “nenhuma ligação” com o projeto e que o anunciou sem ser “informado dos detalhes”. Sem pedir desculpas ou dar mais explicações, ele finalizou com seu típico roteiro agressivo:

    Aos ratos imundos da casta política que querem se aproveitar dessa situação para fazer mal, quero dizer que a cada dia eles confirmam o quão vis os políticos são, e aumentam nossa convicção de dar um chute na bunda deles. Viva La Liberdad, Carajo!

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