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Argentina consegue US$ 20 bi do FMI e remete a história de crises e erros que contrastam com pragmatismo no Brasil

    Como as políticas econômicas argentinas fazem perpetuar instabilidade e o que o Brasil de Lula faz diferente – SAIBA MAIS

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    Brasília, 12 de abril de 2025

    A Argentina selou, em 11 de abril, um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um programa de Facilidade de Fundo Estendido (EFF) de US$ 20 bilhões, com desembolso imediato de US$ 12 bilhões e mais US$ 2 bilhões previstos para junho.

    Este é o 23º programa do país com o FMI desde 1956, consolidando sua posição como o maior devedor da instituição, com uma dívida superior a US$ 40 bilhões.

    Contudo, a história de sucessivos empréstimos, controles cambiais e crises econômicas expõe os erros estruturais das gestões argentinas, enquanto o Brasil, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, adota uma abordagem mais pragmática, equilibrando crescimento econômico e responsabilidade fiscal.

    A relação da Argentina com o FMI começou em 1958, com um empréstimo de US$ 75 milhões para combater inflação e reservas fracas.

    Desde então, o país acumulou 23 programas, totalizando US$ 177 bilhões em fundos acordados.

    O mais recente, aprovado na sexta-feira (11/abr), visa desbloquear controles de capital e reforçar reservas cambiais, que estão negativas em termos líquidos.

    Segundo o Reuters, o programa de 48 meses apoia a transição para uma economia mais estável, mas enfrenta desafios devido à volatilidade do peso e à inflação persistente.

    A história argentina é marcada por políticas econômicas inconsistentes. Nos anos 2000, após a crise de 2001, o país evitou o FMI por 15 anos, mas retornou em 2018 com um acordo recorde de US$ 57 bilhões sob Mauricio Macri, que falhou em estabilizar a economia.

    Em 2022, o governo reestruturou US$ 44 bilhões desse débito, mas a inflação galopante e a desvalorização do peso continuaram. O atual presidente, Javier Milei, implementou medidas de austeridade drásticas, como cortes de subsídios e demissões no setor público, reduzindo a inflação de 211% para 118% em seu primeiro ano. Contudo, a dependência de controles cambiais e empréstimos externos revela fragilidades estruturais.

    A Argentina usa os fundos do FMI principalmente para pagar o próprio FMI, perpetuando um ciclo de endividamento. A remoção de controles cambiais, uma condição do acordo, pode causar volatilidade de curto prazo. O pacote é um alívio temporário, mas não resolve problemas de longo prazo. O país governado pelo polêmico libertário precisa de reformas estruturais para sair da crise crônica.

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    Diagnóstico dos Erros Econômicos da Argentina

    A Argentina tem um histórico de inadimplência e é conhecida por defaults frequentes, com o mais grave em 2001. Essa reputação eleva o índice de risco-país, dificultando o acesso a mercados internacionais.

    O país tem dependência de controles cambiais: desde 2019, a Argentina mantém restrições severas ao câmbio para proteger o peso, desencorajando investimentos e limitando a circulação de lucros. A remoção parcial desses controles antes do acordo de 2025 causou instabilidade no mercado, evidenciando a falta de uma transição planejada.

    A nação do tango vive ao lado de uma inflação crônica e a desvalorização do peso, que atingiu picos de 211% em 2023, e mesmo com a redução para 118%, permanece entre as mais altas do mundo. A perda do valor da moeda local, agravada pela impressão monetária em gestões passadas, erode o poder de compra e a confiança dos investidores.

    As políticas de Milei, embora eficazes na redução do déficit fiscal, geraram desemprego e protestos devido a cortes em setores como educação e obras públicas, revelando uma austeridade extrema e sem planejamento social. O IMF.org elogia o superávit fiscal, mas analistas alertam para o risco de recessão prolongada sem medidas de proteção social.

    A Argentina depende fortemente da exportação de grãos, vulnerável a secas e oscilações globais expondo a falta de diversificação econômica. A seca de 2023 prejudicou reservas, evidenciando a ausência de uma base econômica diversificada.

    O Contraste Brasileiro: Pragmatismo e Estabilidade

    Enquanto a Argentina oscila entre crises, o Brasil de Luiz Inácio Lula da Silva adota uma abordagem equilibrada, combinando crescimento econômico, inclusão social e responsabilidade fiscal. Desde sua posse em 2023, Lula implementou políticas que contrastam diretamente com os erros argentinos:

    Controle da Inflação sem Austeridade Extrema: O Brasil mantém a inflação em torno de 4-5% ao ano, dentro da meta do Banco Central, utilizando ajustes na taxa Selic sem cortes drásticos no orçamento público. Diferentemente da Argentina, o Brasil evita controles cambiais, permitindo um câmbio flutuante que absorve choques externos com menor volatilidade.

    Diversificação Econômica: O Brasil investe em setores como agronegócio, indústria e energia renovável, reduzindo a dependência de commodities. Lula relançou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), destinando bilhões a infraestrutura, enquanto a Argentina congela obras públicas.

    Inclusão Social com Sustentabilidade Fiscal: Programas como o Bolsa Família foram expandidos, mas com contrapartidas fiscais, como a reforma tributária aprovada em 2023, que simplifica impostos e atrai investimentos. A Argentina, por outro lado, corta subsídios sem redes de proteção social, agravando a pobreza.

    Relações Internacionais e Acesso a Mercados: Lula fortaleceu parcerias com China, União Europeia e Estados Unidos, garantindo fluxo de investimentos. A Argentina, isolada por anos, luta para recuperar credibilidade.

    Gestão de Reservas Cambiais: O Brasil mantém reservas de cerca de US$ 350 bilhões, proporcionando um colchão contra crises. A Argentina, com reservas líquidas negativas, depende de empréstimos para sobreviver.

    Lições e Perspectivas

    A Argentina enfrenta um paradoxo: precisa de empréstimos para sair da crise, mas sua história sugere que apenas fundos externos não resolvem problemas estruturais.

    A falta de consenso político, a resistência a reformas de longo prazo e a obsessão por soluções de curto prazo perpetuam a instabilidade.

    O Brasil, sob Lula, demonstra que é possível combinar crescimento com estabilidade, desde que haja planejamento e diálogo social.

    O novo acordo com o FMI pode dar à Argentina um fôlego temporário, mas sem diversificação econômica, controle inflacionário sustentável e políticas inclusivas, o ciclo de crises persistirá.

    O Brasil, por outro lado, prova que pragmatismo e visão estratégica podem transformar desafios em oportunidades, oferecendo um modelo que a Argentina poderia considerar.

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