📷 o árbitro australiano do VAR Shaun Evans apareceu em transmissão ao vivo do jogo entre Alemanha x Curaçao fazendo sinal de “ok” invertido, associado ao movimento white power – gesto supremacista / Imagem reprodução
| Texas (US)
15 de junho de 2026
A Copa do Mundo de 2026, que já costuma render polêmicas de arbitragem, ganhou um capítulo à parte neste domingo (14/jun).
Durante a partida entre Alemanha e Curaçao, realizada no Houston Stadium, o supervisor de vídeo (VAR) Shaun Evans foi flagrado fazendo um gesto associado a grupos supremacistas brancos.
A cena, capturada ao vivo pela transmissão oficial da Fifa, mostra Evans, que é australiano, atrás da mesa do VAR no centro internacional de transmissão em Dallas.
Ele aparece sorrindo e mantendo, por aproximadamente oito segundos, o gesto em que o polegar e o indicador se tocam enquanto os demais dedos permanecem esticados — o chamado ok invertido.
O sinal, quando feito dessa forma, é amplamente reconhecido como um símbolo do movimento white power (poder branco), conforme publicação no Daily Mail.
A denúncia viralizou rapidamente no X (antigo Twitter), marcando perfis de notícias.
Look at one of the VAR assistants in the @FIFAWorldCup doing a white supremacist gesture in the Alemanha X Curaçao game!
— E o Que Isso? (@EoQueIsso1) June 14, 2026
Olha isso @ICLNoticias! pic.twitter.com/qyIagYDiBU
A reação da Fifa e os desdobramentos
A Fifa confirmou estar ciente do incidente e comunicou que abrirá uma investigação para apurar o contexto e a intenção por trás do gesto.
A entidade máxima do futebol ainda não se pronunciou oficialmente sobre possíveis punições.
A comentarista de arbitragem da UOL, Ana Paula Oliveira, analisou o caso com cautela. Para ela, é necessário analisar o contexto esportivo antes de tirar conclusões precipitadas.
“A gente tem que analisar o contexto, a gente tem que entender que está dentro de um cenário esportivo, é um oficial de arbitragem e, de fato, não faria muito sentido esse tipo de conduta” afirmou a comentarista.
“Eu entendo que sim, poderia ser o gesto de ok para com um profissional que ali estava, um momento que entra no ar, às vezes a gente fala tá tudo bem, tá tudo certo para ser visualizado.”, disse.
Ana Paula, no entanto, admitiu a gravidade da situação se a intenção for comprovada. “Se de fato for comprovado, é algo triste. Em especial, está vinculado à arbitragem. Espero que não”.
Ela também observou que, após a polêmica, as equipes de arbitragem de vídeo dos jogos seguintes mudaram de postura: “já não olharam mais para a câmera”.
A Fifa, entidade que frequentemente se posiciona contra o racismo com campanhas como o No Room for Racism, agora precisa agir com firmeza para não soar hipócrita.
A investigação de Shaun Evans será um termômetro do compromisso real da organização com os valores que prega.
O significado do gesto e o contexto
A Anti-Defamation League (ADL), organização que combate o antissemitismo e a extrema-direita, já classificou o sinal de ok invertido como um “símbolo de ódio” utilizado por grupos supremacistas brancos.
O gesto foi popularizado por figuras da extrema-direita e frequentemente usado como uma forma de trolling — provocação ambígua que permite ao autor negar a intenção ofensiva.
A associação do gesto ao white power ganhou notoriedade mundial após o supremacista australiano Brenton Tarrant, autor do massacre de 49 pessoas em mesquitas na Nova Zelândia em 2019, exibi-lo em sua aparição no tribunal.
Há quem defenda, no entanto, que o gesto pode ser apenas uma brincadeira inofensiva conhecida como circle game, na qual se tenta fazer outra pessoa olhar para o sinal feito abaixo da cintura.
A diferença crucial é que Evans fez o sinal na altura do rosto, diretamente para a câmera, e o manteve por oito segundos — o que torna a hipótese de brincadeira pouco crível para muitos observadores.
Independentemente da justificativa que Shaun Evans ou a Fifa apresentarem, o estrago na imagem da arbitragem já está feito.
Resta saber se a entidade máxima do futebol transformará a investigação em punição concreta ou apenas em mais uma nota de repúdio sem efeito prático.
A Fifa ainda não divulgou um cronograma para a conclusão da investigação sobre Shaun Evans. O árbitro australiano segue afastado das funções de arbitragem na Copa do Mundo até que o caso seja esclarecido.
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FAQ RÁPIDO
1. O que exatamente o árbitro Shaun Evans fez?
Ele fez o sinal de “ok” invertido com a mão, mantendo-o por oito segundos durante a transmissão ao vivo do VAR no jogo Alemanha x Curaçao. O gesto é associado ao movimento supremacista branco (white power)
2. A Fifa já puniu o árbitro?
A Fifa abriu uma investigação, mas ainda não anunciou nenhuma punição. O árbitro australiano foi afastado preventivamente das funções na Copa do Mundo
3. O gesto pode ter sido sem malícia?
A comentarista Ana Paula Oliveira pediu cautela e sugeriu que pode ter sido um sinal de “ok” para colegas. Porém, o contexto — oito segundos, olhando para a câmera, na altura do rosto — torna a explicação defensável, mas frágil
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