Ultrapassamos o Reino Unido e a proeza do PT foi contada no The Guardian: “um país onde a maioria das pessoas” é “de classe média”
Felipe Neto postou, em seu perfil no Twitter, um recorte de uma publicação no jornal Folha de S. Paulo, do ano de 2002, em cujo título se lê: “Serra ataca e diz que país pode virar Venezuela se LULA vencer“. O youtuber e empresário quis mostrar que o discurso contra LULA, e seu partido, sempre foi o mesmo. E que o hoje presidente Jair Bolsonaro (PL) segue utilizando-o contra seu oponente, que, assim como naquele ano, é o líder das pesquisas de intenções de voto.
Veja o tuíte de Felipe Neto, abaixo, e entenda, a seguir:
A matéria compartilhada por Neto foi publicada pela Folha, em 2002, cinco dias após as votações do primeiro turno, da eleição presidencial que acabou colocando LULA na Presidência da República a partir de 2003. Na primeira fase, LULA finalizou a apuração das urnas com 46,44% dos votos válidos; José Serra (PMDB), com 23,19%; Anthony Garotinho (PSB), com 17,86%; Ciro Gomes (PPS), com 11,97%; José Maria de Almeida (PSTU), com 0,47% e Rui Costa Pimenta (PCO), com 0,04%.
Apesar de Serra passar para a segunda fase com menos da metade dos votos de LULA, o tucano via a possibilidade de crescer com alguns apoios dos derrotados, além, claro, através de discursos de ódio, com os quais se contam mentiras para tentar conquistar eleitores indecisos e de outros candidatos eliminados. Só que isso falhou.
Garotinho e Ciro apoiaram LULA, causando o isolamento de Serra, e o ex-metalúrgico e ex-deputado federal do PT virou Presidente do Brasil pela primeira vez, com 61,27% dos votos válidos, contra 38,73% de Serra. Além disso, anos mais tarde, a “profecia” do tucano também viria a falhar, pois o Brasil não virou uma Venezuela e, para além disso, o que se viu foi o País, que LULA desenvolveu, dar um salto na Economia, ultrapassar o Reino Unido e se tornar a 6ª economia do mundo, com direito a destaque no próprio jornal do país ultrapassado, o inglês The Guardian, que noticiou enfaticamente a proeza dos governos do PT.
“O Brasil reivindicou o lugar do Reino Unido como a sexta maior economia do mundo depois que números oficiais mostraram que sua economia cresceu 2,7% no ano passado [2011] contra 0,8% do Reino Unido. A França continua em quinto lugar, atrás de Alemanha, Japão, China e EUA“, publicou o The Guardian, em uma terça-feira, dia 3 de março de 2012. O governo brasileiro estava nas mãos da ex-presidente Dilma Rousseff.
O jornal prosseguiu informando que “a renda per capita dos brasileiros continua a ser menos de um terço da obtida no Reino Unido, em US$ 11.000 (£ 7.000) por cabeça“. Apesar da diferença apontada, o jornal diz que, no Brasil, naquele ano, “a situação” estava “melhorando o tempo todo enquanto as economias ocidentais estão em grande parte estagnadas“.
De fato, a renda domiciliar per capita dos 10% mais pobres da população brasileira cresceu 14% em 2012 em relação ao ano anterior, já descontada a inflação do período. Na média da população brasileira, o crescimento foi de 8%, índice maior do que o PIB per capita chinês, que, no período, cresceu 7,3% e foi o maior do mundo. Tudo foi constatado em estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) a partir dos microdados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE, naquele ano.
Assim, a renda domiciliar per capita aumentou em 2012, atingindo o valor de R$ 871,77. O Ipea disse que o crescimento da renda foi excepcionalmente forte em todas as camadas da pirâmide social brasileira. Enquanto os 10% mais pobres experimentaram um aumento de 14% nos rendimentos domiciliares per capita, para os 10% mais ricos este aumento foi de 8,3%.
Voltando ao The Guardian, o jornal informou também que “no topo da lista de atrativos econômicos” do Brasil, “está a agricultura e o processamento de alimentos, que respondem por cerca de um quarto do PIB brasileiro e 36% das exportações. Nos últimos 20 anos tornou-se o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, café, frutas tropicais e possui o maior rebanho bovino comercial do mundo (50% maior que o dos EUA) com 170 milhões de animais, segundo dados oficiais“.
O jornal argumentou, ainda, sobre o petróleo descoberto no pré-sal e a expectativa de se tornar a próxima grande commodity para exportação, “especialmente se for encontrada uma maneira de perfurar com segurança nas águas profundas do Atlântico“. Apesar da informação da mídia, a Petrobras ja havia conseguido, em 2005, desenvolver projetos de perfuração que permitiram atravessar a camada de sal e perfurou o primeiro poço para buscar petróleo no pré-sal (Parati). Nos anos seguintes, o processo foi acelerado a ponto de LULA afirmar, em discursos recentes, que a empresa consegue extrair o óleo betuminoso de camadas profundas na mesma velocidade e custo com que ele é extraído na Arábia Saudita, rente ao solo.
A publicação do The Guardian, no ano em que o Brasil se tornou a 6ª economia do Planeta, disse ainda que “o presidente Luiz Inácio Lula da Silva introduziu políticas sociais para aumentar a renda dos mais pobres do Brasil após sua eleição em 2002. Dilma Rousseff, sua sucessora do Partido dos Trabalhadores escolhida a dedo“, supervisionou “um país onde a maioria das pessoas” era “considerada de classe média“.
O periódico inglês também prova que os atuais discursos de LULA estão corretos, ao publicar, naquele ano, que “Dilma é considerada uma forte defensora da transparência no governo, que é o código para combater a corrupção. No primeiro ano de seu governo, vários ministros renunciaram após acusações de corrupção na concessão de contratos“.
Valorizando o ex-presidente LULA, o The Guardian disse, também, que ele “deu aos trabalhadores o direito de participar de conselhos previdenciários como forma de os mais mal pagos exercerem controle sobre os crescentes negócios comerciais e industriais do país“. (..) a combinação de enormes recursos naturais e crescimento significativo na indústria e serviços fez com que o Brasil seja um dos lugares mais atraentes para os super-ricos do mundo, e isso inclui as corporações, para estacionar seu dinheiro“, escreveu o jornal.
