“…os bloqueios não funcionaram. Mas como? Se funcionaram no dia 1º? Então houve um engendramento que passou por civis, por agentes militares, e os nomes estão aparecendo“, afirmou o Ministro da Justiça, em entrevista
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), que revelou, recentemente, que havia um plano para que o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fosse morto com um “tiro no peito“, durante a posse de seu mandato como chefe do Executivo, no dia 1° de janeiro, afirmou que as investigações sobre o quebra-quebra feito por manifestantes bolsonaristas golpistas terroristas contra as sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro, estão chagando a militares e que os “os nomes estão aparecendo“.
Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, o ministro afirmou que assistiu à toda a invasão dos defensores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a partir da janela de seu gabinete, no Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao lado da hoje governadora interina do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas), e de Gustavo Rocha – Secretário de Estado-Chefe da Casa Civil do governo de Ibaneis Rocha (MDB), ainda afastado após ter sido retirado do cargo pelo prazo de 90 dias, que acaba de chegar à metade.
“Nessa janela estava a então vice-governadora Celina Leão (aponta para a vidraça). O chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, estava aqui. E eles viram o que eu vi. Viram que a Polícia Militar estava em contingente ínfimo, despreparado, não estava equipado. As linhas previstas, os bloqueios não funcionaram. Mas como? Se funcionaram no dia 1º? Então houve um engendramento que passou por civis, por agentes militares, e os nomes estão aparecendo“.
“Há uma coerência nesse desatino. De 30 de outubro a 8 janeiro, esse agrupamento só fez pensar em uma única coisa: como dar um golpe no Brasil. Havia inteligência nisso tudo, e essa inteligência começou com a tentativa de ganhar na marra a eleição no segundo turno — com as operações da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal“, afirmou Flávio Dino, ao jornal.
“Continuou nos dias seguintes com os bloqueios das estradas e a tentativa de criar um pânico no país, com a ausência de forças policiais que deveriam estar agindo e não agiram. Prosseguiu, sabemos nós, com aquela esdrúxula minuta, no mês de dezembro, de um decreto golpista, localizado lamentavelmente na casa do meu antecessor. Prosseguiu nos ataques de 12 de dezembro, que foram fabricados também. Partiram, iniciaram e terminaram no acampamento situado em frente ao Quartel-General do Exército”, responde o ministro ao questionamento do entrevistador.
“Mais adiante, o ataque à bomba no dia 24 de dezembro. Houve um hiato, que foi exatamente a posse. Na minha ótica, a articulação institucional e a presença popular impediram que houvesse algum tipo de atentado. E lembrem que o cidadão que está preso pela participação no ataque à bomba estava fazendo treinamento de sniper para dar um tiro de longa distância”, afirmou Dino.
“Tudo isso está documentado. Então, a essas alturas, ninguém de bom senso pode imaginar que o dia 8 de janeiro foi fruto de uma falha. Não! Foi fruto de um plano! Um plano que começa pouco antes da eleição, continua depois do resultado das urnas, se agudiza em dezembro — a meu ver, fruto do desespero — e que ecoa até 8 de janeiro“, afirmou, referindo-se a Bolsonaro.
Sobre as inteligências extremistas, o ministro afirma que “elas imaginavam, no seu mundo paralelo, que haveria uma grande adesão popular — que não houve, nem em Brasília nem fora de Brasília. E que as Forças Armadas iriam se levantar para restabelecer a ordem – que estaria perdida, naquele momento pela inédita invasão dos prédios. E com isso eles conseguiriam essa virada de mesa que buscavam. São golpistas, terroristas, pessoas perigosas“.
Dino disse que na semana passada “a Polícia Federal pediu autorização ao ministro Alexandre de Moraes [do STF (Supremo Tribunal Federal)] para realizar diligências relativas a militares“. O ministro da Justiça revelou ao jornal que “depoimentos de policiais militares e de policiais federais começaram a imputar crimes contra militares” e que as alegações são “provas colhidas nos inquéritos“.
O ministro acrescentou que “há o depoimento no qual um policial federal alude a militares da ativa. Então é isso que nós estamos investigando“.
