O jornalista afirma que a Justiça “não vai cair nesta armadilha” e que “o máximo” que o ex-presidente “vai conseguir é a foto dele, como seus apoiadores, para mobilizá-los” , além de uma “prova cabal” de que ele “nunca foi perseguido“
Segundo o jornalista Cesar Calejon, em participação no ‘ICL Notícias‘, “quando o [ex-presidente Jair] Bolsonaro [(PL)] convoca esse ato na [Avenida] Paulista, existem dois objetivos óbvios: o primeiro é demonstrar apoio popular para tentar evitar a cadeia e forçar a prisão preventiva. Isso porque o tempo de cadeia só é iniciado após o trânsito em julgado”.
Calejon diz que “Bolsonaro está, muito possivelmente, olhando pra algo em torno de vinte anos de cadeia, ou mais“. E “o que ele tá tentando fazer é precipitar uma medida cautelar por parte do STF [Supremo Tribunal Federal], antes dele sequer ser indiciado, pois isso corroboraria sua tese de perseguição política“.
“Ele quer precipitar um erro, assim como, por exemplo, quando utilizou a PRF [Polícia Ropdoviária Federal], que tinha como objetivo precípuo duas coisas: dificultar o voto dos nordestinos, mas também compelir o [ministro] Alexandre de Moraes, que era o presidente do TSE naquela ocasião, a cometer um erro“.
Segundo o jornalista, o erro seria a extensão do horário de votação, haja vista o atraso na chegada da população aos locais de votação. O esperado por Bolsonaro era que o ministro estendesse o limite até às 19h ou 20h, sendo que, em âmbito nacional, o tempo do pleito se limita somente até às 17h.
Segundo Calejon, desta forma, criar-se-ia o cenário ideal pra que o bolsonarismo usasse a mudança no horário e argumentasse que a regra do jogo havia sido mexida e, por isso, passariam a utilizar as Forças Armadas, adotando uma medida excepcional, ‘justificada’ pelo não cumprimento do que havia sido proposto.
Segundo o jornalista, Moraes agiu de forma adequada ao manter o horário proposto. Na sequência, Lula vence nas urnas e Bolsonaro sai derrotado.
Semelhante àquela situação, segundo Calejon, agora, o ex-presidente quer precipitar uma medida cautelar pra evitar o trâmite normal do processo criminal, mas a Justiça não vai cair nessa armadilha.
O máximo que ele vai conseguir é a foto dele, como seus apoiadores, para mobilizá-los. afirma o jornalista. E, em última análise, o ato do dia 25, além de tudo, ainda vai servir como a prova cabal pra demonstrar como o Jair Bolsonaro nunca foi perseguido politicamente.
Em meio às investigações da Polícia Federal, com todas essas provas contundentes, robustas, que existem contra ele, Bolsonaro ainda está sendo permitido organizar seu ato pra mobilizar seus eleitores na Avenida Paulista, argumenta.
E Isso caracteriza que ele não é perseguido politicamente, diz o jornalista.
