O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em foto de Clauber Cleber Caetano / PR, com o PGR, Augusto Aras, a gestora do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, o ex-MMA, Ricardo Sales, e o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o atual MS, Marcelo Queirota, e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira | Sobreposição de imagens
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PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO
“A especialidade da turma que está no topo do Poder Executivo do Brasil é transgredi-los e seguir em frente, como se não devesse satisfações a ninguém“, escreve Chico Alves
Uma das formas “mais abrangentes” para se analisar o governo Bolsonaro “talvez seja recorrer ao Código Penal ou outra coleção qualquer de artigos criminais“, escreve o jornalista Chico Alves, no UOL. “A especialidade da turma que está no topo do Poder Executivo do Brasil é transgredi-los e seguir em frente, como se não devesse satisfações a ninguém“.
Dos exemplos recentes que atestam a afirmação, o colunista destaca o não comparecimento do presidente à PF (Polícia Federal), após convocação de Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), ao depoimento que esclareceria, ou pioraria a situação, de Bolsonaro quando ele vazou em redes sociais um inquérito sigiloso do TSE, somando a este delito o da desobediência.
Os outros foram “propagandear remédios ineficazes em meio a uma pandemia, desrespeitar decretos de distanciamento social, ameaçar as instituições de golpe, pilotar moto sem capacete, ofender autoridades de outros poderes” em uma “variedade de transgressões” que, segundo Chico Alces, “só cresce. Mais uma, menos uma, não faz diferença“.
“A trupe ministerial também é recordista em quebrar regras“, diz o jornalista, citando, em primeiro, o ex-MMA (Ministério do Meio Ambiente), Ricardo Salles, que deixou a pasta acusado do envolvimento com contrabandistas de madeira da Amazônia.
Em segundo, é citado o fugitivo do Brasil, o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, que, de acordo com Alves, a fuga foi confirmada por um ex-companheiro de facção, o filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro. O jornalista destaca que foi curioso o local onde ele se escondeu: o Banco Mundial, para onde teve nomeação em cargo.
A terceira citada é a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que agiu para tentar impedir o aborto legal de uma menina de 10 anos, que engravidou após ser estuprada e está sendo investigada por isso.
Em quarto lugar é dividido pelo ex-ministro general Pazuello e pelo atual gestor do Ministério da Saúde, Marcelo Queiroga.
O primeiro atrasou a compra de vacinas contra a covid-19 enquanto dava suporte à distribuição de cloroquina, que de nada adianta para a doença e ainda causa efeitos colaterais que podem ser graves. De quebra, deixou faltar oxigênio em hospitais de Manaus, onde morreram muitos brasileiros.
O segundo, um médico, faz o possível para desestimular pais a vacinarem seus filhos (não fez sequer o básico, uma campanha nos meios de comunicação para divulgar a imunização), enquanto permite criminosamente que tratamentos ineficazes circulem sem o devido esclarecimento de que não servem para nada.
Se o país tivesse um procurador-geral da República, essas transgressões todas já teriam rendido alguma punição ou ao menos uma investigação mais rigorosa. E se os deputados do Centrão (Arthur Lira à frente) não estivessem recebendo bilhões do orçamento secreto, Bolsonaro estaria a caminho do impeachment.
Como não adianta cultivar ilusões, seguimos sem perspectivas de que o país recupere a institucionalidade enquanto essas figuras continuarem onde estão e, por ora, nos resta lembrar que o governo atual é uma anomalia. A constatação está longe de ser uma solução.
Porém, quando a normalidade institucional voltar será útil termos a referência de que a vida civilizada está longe de ser o que acontece hoje no país governado por Jair Bolsonaro.
Chico Alves, no UOL.
