Perfis das plataformas digitais, os chamados termômetros sociais, veem com estranheza o tumulto criado por homens públicos, escolhidos pelo povo para defendê-lo, tomando direção oposta para abraçar o golpismo
Brasília, 09 de agosto de 2025
As recentes e atípicas cenas de tumulto no Congresso Nacional marcaram uma nova fase da oposição bolsonarista. Deputados e senadores, em protesto direto à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocuparam as mesas diretoras dos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, paralisando os trabalhos legislativos.
A ação, que durou mais de 24 horas, foi motivada pela pressão para que fossem pautados projetos de interesse da ala de direita, incluindo a anistia para os presos do 8 de janeiro e a abertura de um processo de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
As plataformas sociais e a opinião pública acompanharam com estranheza a manobra de homens públicos eleitos para legislar, mas que tomaram a direção oposta para abraçar o golpismo.
A frase “Querem anistia para tentar outro golpe” circula amplamente nas redes sociais após as ações antidemocráticas de parlamentares bolsonaristas no Congresso Nacional, o que demonstra que a opinião pública sobre o tema tem sido conclusiva.
Exatamente. Querem anistia para tentar outro golpe. Eles são criminosos, têm de pagar pelos seus crimes. https://t.co/fA7EF9nuLm
— Patrícia Helena Azevedo Lima (@PatriciaHelenaq) August 9, 2025
Com o líder do golpismo, segundo o STF (Supremo Tribunal Federal), preso e sem voz, o encanto populista da oposição perde efeito.
O principal ponto de pauta da mobilização foi o Projeto de Lei que visa conceder anistia a todos os envolvidos nos atos de 8 de janeiro, além de potencialmente beneficiar o próprio Jair Bolsonaro e anular sua inelegibilidade.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), após intensas negociações, conseguiu retomar os trabalhos, mas negou que a decisão tenha sido condicionada à votação da anistia.
Motta afirmou que a pauta será discutida no Colégio de Líderes, sem “imposição e sem chantagem“, mas a oposição, liderada por parlamentares como Rogério Marinho (PL-RN) e Marcel van Hattem (NOVO-RS), manteve a pressão pela aprovação do projeto, argumentando ser uma medida de “conciliação“.
A manobra, que incluiu parlamentares como Zé Trovão (PL-SC) e Júlia Zanatta (PL-SC), gerou forte reação de governistas e analistas políticos. Deputados de diferentes bancadas classificaram o ato como um “motim” e uma “baderna”, quebrando o decoro parlamentar e agredindo a instituição democrática.
A ação física de ocupar a Mesa Diretora é vista por alguns como um movimento muito mais radical do que as obstruções tradicionais, remetendo aos atos golpistas de 8 de janeiro.
Embora o tumulto tenha se dissipado e o trabalho legislativo tenha sido retomado, e também com a decisão pela suspensão de vários parlamentares bolsonaristas afoitos, a tensão política persiste.
A pressão pelo projeto de anistia e a ofensiva para enfraquecer o STF continuam sendo as principais estratégias da oposição, que busca reverter o cenário jurídico desfavorável ao seu líder.








