Senador mostra editoriais Folha, Globo e Estadão sobre plano do governador de SP, que está “causando indignação social” – ENTENDA
Brasília, 04 de setembro de 2025
“A ação em favor da anistia de Bolsonaro e outros golpistas, articulada pelo governador Tarcísio de Freitas, está causando enorme indignação social“, afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE), em suas redes sociais.
“Perdoar criminosos que atentaram contra a democracia e é uma imundície que só tem espaço no esgoto do bolsonarismo“, completou.
O petista compartilhou editoriais de três jornalões: Folha, Globo e Estadão.
A Folha publicou na manchete: “Centrão e Tarcísio propagam a anistia indefensável“; O Globo disse, no título, que “Anistia é afronta irresponsável à Constituição“; e para o Estadão “Acordo por anistia a golpistas é pornográfico“.
A proposta de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, articulada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tem gerado uma onda de indignação social e críticas severas de setores políticos e da imprensa.
A movimentação, que envolve líderes do Centrão e ganha força no Congresso Nacional, é vista como uma tentativa de consolidar Tarcísio como sucessor político de Bolsonaro para as eleições de 2026, mas a um custo elevado para a credibilidade das instituições democráticas.
A Folha diz que a iniciativa é reflexo da aproximação do Centrão com a candidatura de Tarcísio e uma afronta institucional. O Globo critica Tarcísio por manchar suas credenciais republicanas ao defender a medida e o Estadão destaca a vergonhosa proposta articulada nos bastidores do Congresso.
Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal (STF) julga os acusados e considera a proposta juridicamente inaceitável e moralmente condenável.
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A articulação ganhou força com a movimentação de Tarcísio em Brasília, onde se reuniu com líderes como Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, e Marcos Pereira (Republicanos-SP), presidente do seu partido.
A proposta visa perdoar Bolsonaro e outros réus da trama golpista, mas mantendo a inelegibilidade do ex-presidente, numa tentativa de apaziguar o STF e viabilizar a candidatura de Tarcísio em 2026.
Contudo, a iniciativa enfrenta resistência. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), propôs uma alternativa para atualizar a Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito, distinguindo organizadores de atos golpistas de participantes secundários, mas sem interferir no julgamento de Bolsonaro.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou Bolsonaro como articulador da tentativa de golpe, o que intensifica a gravidade do debate. Líderes do PT, como Lindbergh Farias, classificaram a articulação como um “golpe” contra a democracia, enquanto Gleisi Hoffmann, ministra de Relações Institucionais, acusou Tarcísio de desrespeitar o Estado de Direito.
A sociedade civil também reage: em redes sociais, hashtags como #SemAnistia e #BolsonaroNaCadeia refletem a indignação popular, com posts criticando a proposta como um incentivo à impunidade.
Tarcísio intensificou as negociações com partidos como PP, União Brasil, PL e Republicanos, que juntos formam uma coalizão significativa no Congresso.
A federação União Progressista (PP e União Brasil) anunciou apoio à anistia, mas a resistência do STF e de setores da esquerda pode dificultar sua aprovação.
O ministro Alexandre de Moraes, que conduz o julgamento, alertou que “a impunidade não é opção para a pacificação“, reforçando a posição da Corte contra o perdão aos golpistas.
Além disso, a possibilidade de Bolsonaro condicionar seu apoio à candidatura de Tarcísio em troca da anistia levanta suspeitas de um acordo político secreto, segundo fontes próximas ao Planalto.
A proposta de anistia é vista como um divisor de águas. Para críticos, ela representa um retrocesso democrático, enquanto defensores, como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, argumentam que é um gesto de “pacificação“.
Contudo, especialistas em direito constitucional alertam que perdoar crimes contra a democracia pode criar precedentes perigosos, incentivando novas tentativas de subversão.
O julgamento de Bolsonaro no STF, previsto para se encerrar em 12 de setembro, será decisivo para o futuro da proposta e da própria democracia brasileira.







