Adam Przeworski em O Globo analisa impactos da proposta de perdão ao condenado por tentativa de golpe de Estado e inelegível até 2062
Brasília, 28 de setembro de 2025
O renomado cientista político Adam Przeworski, professor emérito da New York University, concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal O Globo, na qual classificou qualquer perdão amplo ao ex-presidente Jair Bolsonaro como um “desastre” que poderia abrir portas para “novos golpes”.
A fala ocorre em um momento de intensas discussões no Congresso Nacional sobre a possibilidade de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Nas palavras de Przeworski, a medida não apenas minaria a estabilidade democrática do Brasil, mas também incentivaria tentativas semelhantes em outros contextos latino-americanos, ecoando lições históricas de transições frágeis para a democracia.
Przeworski, autor de obras seminais sobre democracia e autoritarismo, argumentou que a anistia irrestrita a figuras como Bolsonaro – condenado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 27 anos de prisão por suposto planejamento de golpe para anular as eleições de 2022 – representaria uma traição aos princípios de accountability.
“Anistia a Bolsonaro seria um desastre e encorajaria novos golpes”, afirmou o acadêmico polonês, radicado nos Estados Unidos, destacando que perdões seletivos historicamente enfraquecem instituições e fomentam ciclos de instabilidade, como visto em casos na Argentina e no Chile durante as décadas de 1980.
O debate ganhou fôlego nas últimas semanas, com projetos de lei tramitando na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
A oposição de direita, liderada por aliados como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pressiona por uma anistia “ampla, geral e irrestrita”, que incluiria não só os condenados pelos invasões aos prédios dos Três Poderes em Brasília, mas também o próprio ex-mandatário, que se tornou inelegível até 2062, após a condenação na Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), por tentativa de golpear a democracia.
O relator do projeto na Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), admitiu em entrevistas que uma versão intermediária – focada em “dosimetria de penas” em vez de perdão total – pode ser o caminho para aprovação, evitando um rompimento maior com o governo do Presidente da República Federativa do Brasil, o Excelentíssimo Senhor Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ajudou a fundar seu próprio partido, a maior legenda de esquerda da América Latina.
Figuras como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defendem abertamente a inocência de Bolsonaro e veem a anistia como um “fator de pacificação nacional”.
Fontes jornalísticas atualizadas corroboram a tensão no Congresso. Em reportagem de 18 de setembro, o portal Filo News detalhou como deputados debatem um projeto que poderia beneficiar Bolsonaro e os manifestantes de 2023, dividindo a Casa entre defensores de indultos parciais e totais, em um contexto de condenações crescentes pelo STF.
Já o site Pleno.News, em artigo de opinião publicado em 19 de setembro, o senador Magno Malta (PL-ES) defendeu a anistia como um “dever histórico”, argumentando que punições desproporcionais a inocentes, incluindo Bolsonaro, perpetuam divisões sociais em vez de curá-las.
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Em 5 de setembro, o mesmo veículo registrou críticas de Magno Malta a propostas “meia-bomba”, insistindo em inclusão irrestrita do ex-presidente para evitar uma “farsa da pacificação”.
Mais recentemente, em 3 de setembro, o Pleno.News noticiou a rejeição do senador Flávio Bolsonaro a uma anistia limitada proposta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), chamando-a de “meia-bomba” e cobrando urgência para o texto completo.
A jornalista Andréia Sadi, da GloboNews, alertou no mesmo dia que a pauta “está voando no Congresso”, com o presidente da Câmara sinalizando votação em duas semanas, impulsionada por negociações envolvendo Tarcísio de Freitas.
Em 2 de setembro, o portal reportou que partidos como União Brasil e PP abandonaram o governo Lula para apoiar a medida, negociando diretamente com o Partido Liberal (PL) de Valdemar Costa Neto.
Do lado opositor, vozes como a do deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), em declaração de 8 de setembro veiculada pelo Pleno.News, minimizaram as chances de aprovação no Senado, prevendo que a anistia é “pauta de golpistas incompetentes” e celebrando a expectativa de condenação final de Bolsonaro com um “churrasco” simbólico.
Em 15 de setembro, o jornalista Pedro Augusto, no mesmo site, questionou a hipocrisia da mídia ao criticar o projeto, comparando-o à Lei da Anistia de 1979, que perdoou opositores do regime militar, muitos dos quais hoje ocupam espaços jornalísticos.
Nas redes sociais, o tema ferveu nas últimas 24 horas, com postagens no X (antigo Twitter) refletindo polarização extrema.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) argumentou em vídeo que acordos para dosimetria de penas estão “melando”, insistindo que o requerimento de urgência foi para anistia plena, não redução parcial.
Perfis como @CarlosBolsonaro usam a narrativa de que Bolsonaro está sob “tortura”, com tornozeleira eletrônica e vigilância constante, clamando por revogação imediata.
Manifestantes virtuais ecoam o grito descabido de “Anistia ampla, total e irrestrita!”, haja vista as gravidades dos crimes pelos quais foram condenados os participantes da tentativa de abolição do Estado Democrático.
Críticos como @JReisemtronoII ironizam apelos de Eduardo Bolsonaro à elite econômica, sugerindo que ela prefere ver o pai “se lascar” após sujar sua imagem.
Enquanto o STF avança em julgamentos relacionados, com o ministro Alexandre de Moraes como relator, o alerta de Przeworski ressoa como um freio necessário.
Para o especialista, o Brasil – berço de transições democráticas bem-sucedidas nos anos 1980 – não pode repetir erros que transformam vitórias eleitorais em sementes de autoritarismo.
A votação iminente no Congresso definirá se o país opta pela justiça restaurativa ou pelo risco de um ciclo vicioso de impunidade e revanchismo.
Analistas internacionais monitoram o caso de perto, temendo que um perdão a Bolsonaro não só divida a nação, mas contamine a frágil democracia regional.








SEM ANISTIA.. SEM REDUÇÃO DE PENA.. CUMPRIR A PENA EM PRESIDIO DE MÁXIMA SEGURANÇA.
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