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Andrew Fischman mostra método de desinformação da extrema direita sobre o RS e cita Deltan Dallagnol

    Presidente e co-fundador do ‘The Intercept Brasil‘ diz que a situação no Rio Grande do Sul envolve transferência de culpa e aproveitamento do desastre, o que lembra uma sequência do filme “Não Olhe para Cima“

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    “A história B no Rio Grande do Sul (RS) é tão horrível quanto as enchentes catastróficas. É sobre realidades paralelas, transferência de culpa e oportunismo de desastre digno de uma sequência de “Don’t Look Up”, escreve em sua conta no ‘X‘ o presidente e co-fundador do ‘The Intercept Brasil‘, Andrew Fishman.



    Ele se refere ao filme “Não Olhe para Cima” – uma Comédia/Ficção científica de 2021, estrelado por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence, dirigido por Adam McKay, sobre dois astrônomos medíocres que descobrem que em poucos meses um meteorito destruirá a Terra e devem alertar a humanidade por meio da imprensa sobre o perigo que se aproxima, mas após a tentativa frustrada de contar sobre o asteroide apocalíptico, os personagens terminam em um jantar com amigos e entes queridos.

    Sobre realidade paralela à calamidade no Rio Grande do Sul, Fishman diz que as implicações globais são “óbvias e assustadoras“: (…) a máquina de mensagens de “notícias falsas” da direita está em funcionamento, impulsionando a ideologia e impulsionando a radicalização, e não a solidariedade, durante uma emergência climática“.

    A mensagem principal é “o governo federal é incompetente e ausente, só podemos confiar nos verdadeiros heróis, que são os voluntários”, explica a raiz da fake news. “Entre esses “voluntários” estão influenciadores de direita e empresários ocupados fazendo sessões fotográficas, entregando suprimentos em seus jatos particulares e arrecadando fundos sem supervisão“.

    Fishman considera “lindos” os esforços da média dos cidadãos brasileiros no sentido de doar e se voluntariar com seus “corações abertos”. Para o jornalista, “é por isso que é tão nojento ver este movimento espontâneo de ajuda mútua ser sequestrado” por negacionistas, o que torna “a próxima inundação mais provável“.

    O jornalista fundador do ‘Intercept‘ mostra que Deltan Dallagnol postou também no ‘X‘, um vídeo no estilo power point, com uma fala, fora de contexto, da nada saudosa primeira-ministra do Reino Unido entre 1979 e 1990, Margaret Thatcher – famosa por, dentre as coisas ruins que causou, provocar uma onda de desemprego em massa ao tentar controlar a inflação com sua chamada Estratégia Deflacionária.

    Em um conjunto de duas imagens, montadas lado a lado, produzido por aproveitadores da calamidade no Rio Grande do Sul, que aparecem nítidos devido aos focos de câmeras estranhamente bem ajustados para que não haja confusão sobre os protagonistas das boas ações, Tatcher diz que “socialistas não gostam que as pessoas façam as coisas por elas mesmas. Os socialistas gostam de deixar as pessoas dependentes do estado“.

    O ex-procurador deturpou tudo ao afirmar que “a fala de Margaret Thatcher é certeira e mais atual do que nunca”. Ele disse, falsamente, que o governo ameaça quem expõe que voluntários se solidarizam, que jornalistas tentam minimizar o trabalho deles e que criticar pode resultar em investigação por fake news.

    Fishman diz que o Governo Lula “está mobilizando apoio massivo. E, claramente, atacar o governo (…) é uma boa forma de transferir a culpa da sua própria incompetência e do apoio às políticas que tornaram isto possível“.

    Leia a sequência do fio de Fishman no ‘X’, em tradução livre para o português:

    “Algumas mídias corporativas ajudaram no esforço. Uma manchete da Folha de S.Paulo atacou as “MENTIRAS” de Lula sobre negar ajuda do Uruguai. Imediatamente, espalhou-se como prova de que a ideologia comunista de Lula estava matando pessoas. Exceto que ele não negou ajuda, apenas um avião grande demais para pousar.



    O governo estadual do RS e os prefeitos das principais cidades são neoliberais que reduziram as proteções ambientais e o financiamento para prevenção de desastres. Eles comprometeram a resposta inicial e rapidamente culparam o governo federal de esquerda (PT) por não ajudar. Política barata e responsabilização que aprofunda a radicalização ideológica.

    Apenas dois exemplos: o governador Eduardo Leite revogou 500 normas ambientais em seu primeiro ano, em sintonia com Bolsonaro. Ele e o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, queriam derrubar um muro de contenção para construir um empreendimento imobiliário. Se tivessem conseguido, a situação seria muito pior. Os governos locais, estaduais e federais aprovaram e continuam a tentar aprovar várias medidas legislativas que só piorarão a situação.

    Apenas 3 membros do congresso federal utilizaram suas verbas pessoais para financiar medidas de mitigação de desastres. As vítimas de desastres (pense no Furacão Katrina) frequentemente descobrem que os governos neoliberais não estão lá para salvá-las porque estão organizados em torno de prioridades diferentes. Precisamos lutar para MUDAR essa realidade, e não acelerá-la.

    Não menos importante porque a prevenção é impossível sem coordenação governamental. Mas sejamos justos: o governo de esquerda do PT (2002-16 e 2023-) também é desenvolvimentista e tem ligações próximas com o agronegócio. Eles fizeram muitas escolhas políticas para agradar suas coalizões frágeis e a agenda econômica que os ambientalistas criticaram fortemente pelos danos causados.



    Lula quer que o dinheiro do Fundo Amazônico seja usado para construir uma rodovia na Amazônia, está resistindo à legislação da UE que exigiria cadeias de abastecimento limpas para exportações de grãos e carne e quer perfurar petróleo na foz do Amazonas. Ele também é MUITO MELHOR em questões ambientais do que seus oponentes de direita. Triste.

    Sem uma forte visão de um futuro alternativo articulada pela esquerda, aqui estamos. Um desastre climático realmente nos levando mais fundo no abismo. Maior perda climática na história do Brasil, à beira de uma seca histórica na Amazônia, incêndios desenfreados, nuvens de poeira apocalípticas em São Paulo.

    Tudo isso para quê? Mais lucros com soja e gado? O Banco Mundial estima que as perdas anuais com o desmatamento da Amazônia custarão $317 bilhões por ano, 7 vezes maior do que os lucros das indústrias que causam a destruição. É um acordo injusto e a maioria está envolvida.

    Agora pergunte a si mesmo, isto lembra-lhe algo do que está acontecendo no seu país? Olá, democratas dos EUA e seus financiadores da Exxon. Olá, Macron. Olá, Noruega “verde” da indústria estatal do petróleo. Olá, EAU, que organiza as negociações climáticas da COP28 enquanto negoceia mais exploração de petróleo e gás.



    O impacto da campanha de desinformação na confiança da ajuda de milionários de direita acima de governos e instituições. Confira os comentários neste anúncio do TikTok para arrecadação de fundos da UNRWA. 80% estão dizendo para não apoiar a ONU, dar aos influenciadores + teorias conspiratórias diversas.


    @ACNURBrasil

    Ajude a população afetada pelas chuvas no Rio Grande do Sul.

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