Posição exige demonstração contínua de reputação ilibada e notável saber jurídico, além de aptidão para interpretar a Constituição; ministro terá que mostrar que não favorece aliados religiosos ou políticos
Brasília (DF) · 14 de fevereiro de 2026
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro — atualmente detido por tentativa de golpe de Estado por decisão da Primeira Turma da Corte — assumiu a relatoria do processo envolvendo o Banco Master. A movimentação gerou comemorações entre aliados bolsonaristas.
Contudo, a ação representará um verdadeiro teste de independência para o magistrado. Segundo o jornalista Bernardo Mello Franco, de O Globo, o integrante da cúpula do Judiciário brasileiro precisará demonstrar autonomia, mesmo diante de um litígio que alcança figuras de seu próprio convívio.
Ao ser alçado ao Supremo por indicação do agora condenado na Papudinha, Mendonça — que à época chefiava a Advocacia-Geral da União após passar pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública — foi rotulado por Bolsonaro como alguém “terrivelmente evangélico”. Tal chancela garantiu-lhe o apoio de nomes influentes do segmento religioso.
Agora, ocupando um posto que exige reputação ilibada, notável saber jurídico e aptidão política para interpretar a Constituição Federal de 1988, o magistrado terá de provar que não favorece aliados confessionais ou políticos.
É provável que André Mendonça preferisse um retiro espiritual neste Carnaval a ter que enfrentar a pressão da relatoria do Caso Master, somada à responsabilidade sobre o processo dos descontos irregulares de aposentados do INSS. Como acumulou investigações sobre entidades ligadas a retenções indevidas em pensões, ele permanece sob o escrutínio tanto do Judiciário quanto do Legislativo.
Bernardo Mello Franco destaca em sua coluna que as apurações da Polícia Federal no episódio do Banco Master esbarraram em personagens conhecidos, como André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e a prisão do pastor e empresário Fabiano Zettel.
O relato aponta, ainda, que esses nomes figuram em investigações, CPIs e disputas internas entre lideranças religiosas. Em suma: há suspeitas que recaem sobre indivíduos influentes do meio evangélico no centro do escândalo.
O jornalista menciona embates entre figuras como Damares Alves e Silas Malafaia, evidenciando que o tema desencadeou atritos e acusações mútuas.
Nesse cenário, o desfecho do processo envolvendo o Banco Master servirá como termômetro para a independência de André Mendonça. O foco está em observar se ele agirá com imparcialidade, mesmo com o envolvimento de setores que viabilizaram sua indicação.
Portanto, a tensão sobre o relator reside nas conexões desse amplo contexto político e religioso. O julgamento definirá se o ministro possui condições de exercer seu papel com isenção na Corte ou se permanecerá estigmatizado pelo rótulo de “bolsonarista”.
Recapitulando
O ministro Dias Toffoli abandonou a relatoria do inquérito sobre o Banco Master, uma instituição financeira liquidada pelo Banco Central após acusações de fraudes massivas, lavagem de dinheiro e desvios de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A decisão ocorreu na quinta-feira (12/fev), após uma reunião tensa com os dez ministros da Corte, convocada pelo presidente Edson Fachin.
O sorteio subsequente designou André Mendonça como o novo relator, um movimento que, em vez de aplacar a crise, pode intensificar controvérsias devido às vinculações do magistrado com o universo evangélico – precisamente o mesmo ambiente sob escrutínio na apuração.
O epicentro da investigação reside no banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, cuja teia de relações inclui políticos, empresários e líderes religiosos.
A Polícia Federal (PF) deflagrou operações que revelaram um esquema de desvios estimados em bilhões de reais, com apreensões de bens luxuosos e bloqueios judiciais superiores a R$ 5,7 bilhões.
Em janeiro de 2026, a PF prendeu temporariamente Vorcaro e seu cunhado, o pastor e empresário Fabiano Zettel, este último detido no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai.
Zettel, ligado à Igreja Batista da Lagoinha em Belo Horizonte, foi afastado de suas funções ministeriais pela instituição religiosa logo após a operação, conforme nota divulgada pela própria igreja.
Assim, Mendonça agora supervisionará indícios de doações suspeitas envolvendo Zettel, que figurou como o maior doador pessoa física nas campanhas de Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, totalizando R$ 5 milhões em 2022.
Mensagens extraídas dos celulares de Vorcaro mencionam Zettel e apontam para possíveis lavagens de dinheiro via instituições evangélicas, incluindo a fintech Clava Forte Bank, associada à família do pastor André Valadão, líder da Lagoinha.
A saída de Toffoli não foi voluntária inicialmente. Relatos internos indicam que Fachin e a ministra Cármen Lúcia defenderam a análise de uma arguição de suspeição contra ele, baseada em um relatório da PF que expôs conexões pessoais com Vorcaro, incluindo menções a pagamentos e um resort no Paraná onde irmãos e um primo de Toffoli foram sócios de um cunhado do banqueiro.
No entanto, a maioria dos ministros – incluindo Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin – resistiu, priorizando a preservação institucional.
Uma nota conjunta assinada por todos validou os atos anteriores de Toffoli e enfatizou a redistribuição para “altos interesses institucionais“, conforme publicado no site oficial do STF, conforme reproduzido abaixo:
Do lado executivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou desconforto com a conduta da PF.
Aliados revelam que Lula considerou irregular a investigação sobre Toffoli sem autorização prévia do STF, classificando o relatório como excessivo. Segundo o Metrópoles, o estadista avaliou que o documento deveria ter sido meramente informativo, sem cruzamentos de dados, e atribuiu a entrega direta a Fachin a possíveis mágoas políticas.
Já a oposição bolsonarista celebrou a troca, enxergando em Mendonça um aliado potencial para expor supostas irregularidades no Judiciário.
A PF, sob comando de Andrei Rodrigues, prossegue com diligências, incluindo análise de títulos podres vendidos ao Banco de Brasília (BRB) e conexões com o Congresso Nacional, onde a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS investiga o mesmo esquema.
Deputados como Rogério Correia (PT-MG) alertam para uma “dupla blindagem” em Mendonça, dada sua proximidade com o bolsonarismo e igrejas evangélicas.
Enquanto Mendonça se reuniu com delegados da PF na sexta-feira (13/fev) para delinear os próximos passos, o caso expõe fragilidades no sistema judiciário brasileiro, com ramificações que transcendem o financeiro e tocam o cerne da governança republicana.
A PF apresentou detalhes adicionais a Mendonça sobre fraudes no Banco Master, prometendo mais revelações pós-Carnaval, conforme mostrou a CNN Brasil,

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Mendonça é seletivo, já demostrou em outras ocasiões, espero que exerça seu papel de ministro da suprema corte, esquecendo as ideologias políticas e religiosas
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