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Bolsonaristas comemoram Mendonça sob caso Master, mas ligação de igrejas será teste para o “terrivelmente evangélico”, diz jornalista

    Posição exige demonstração contínua de reputação ilibada e notável saber jurídico, além de aptidão para interpretar a Constituição; ministro terá que mostrar que não favorece aliados religiosos ou políticos

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    André Mendonça
    André Mendonça durante culto na Assembleia de Deus – Ministério de Madureira, em São Paulo, em setembro de 2021 / Foto: reprodução/@AmendoncaAGU/X
    RESUMO
    URBS MAGNA - Progressistas por um BRASIL SOBERANO


    Brasília (DF) · 14 de fevereiro de 2026

    O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso por tentativa de golpe de estado por decisão da Primeira Turma da Corte, assumiu a relatoria do caso do Banco Master e bolsonaristas estão comemorando.

    Contudo, o caso será um teste de independência para o ministro, segundo o jornalista Bernardo Mello Franco, de O Globo, pois como magistrado da Corte máxima de Justiça do Brasil terá agora que provar que julga com autonomia, mesmo que o processo envolva pessoas de seu meio.

    Ao receber a chance de integrar o Supremo via canetada do hoje condenado que cumpre prisão na Papudinha, Mendonça, à época ministro da Justiça, foi considerado por Bolsonaro como “terrivelmente evangélico“, fato que fez com que ele recebesse o apoio de nomes influentes da sociedade correlata.

    Mas, agora, atuante de uma posição que exige uma demonstração contínua de reputação ilibada e notável saber jurídico, além de satisfatória aptidão política e jurídica para interpretar a Constituição Federal de 1988, Mendonça terá que mostrar que não favorece aliados religiosos ou políticos.

    Talvez fosse desejo do ministro André Mendonça estar em um bom retiro espiritual neste Carnaval a ter que enfrentar esta pressão de relatoria do Caso Master, haja vista suas ligações com o meio evangélico e a outra responsabilidade com o caso dos descontos irregulares de aposentados do INSS.

    Como o ministro acumulou a relatoria de ações que investigam entidades ligadas a descontos indevidos em aposentadorias, ele acaba sob os holofotes tanto do Judiciário quanto do Legislativo.

    Bernardo Mello Franco cita, em sua matéria no jornalão, que investigações da Polícia Federal no “caso Master” teriam esbarrado em figuras conhecidas, como André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e a prisão do pastor e empresário Fabiano Zettel.

    O texto também cita que esses nomes aparecem em investigações, CPI e disputas internas entre líderes evangélicos. Ou seja: há suspeitas envolvendo pessoas influentes do meio evangélico no escândalo.

    O jornalista menciona discussões entre figuras como Damares Alves e Silas Malafaia, mostrando que o tema gerou brigas e acusações internas.

    Assim, o julgamento do caso envolvendo o Banco Master será um teste para ver se André Mendonça age com independência, mesmo que pessoas do meio evangélico — que apoiaram sua indicação — estejam envolvidas nas investigações.

    Assim, a tensão que recai sobre Mendonça gira sobre as possíveis conexões em um contexto político e religioso amplo, que pode demonstrar se o ministro está em condições de continuar a exercer seu papel na Corte ou seguirá sob o rótulo “bolsonarista”.

    Recapitulando

    O ministro Dias Toffoli abandonou a relatoria do inquérito sobre o Banco Master, uma instituição financeira liquidada pelo Banco Central após acusações de fraudes massivas, lavagem de dinheiro e desvios de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

    A decisão ocorreu na quinta-feira (12/fev), após uma reunião tensa com os dez ministros da Corte, convocada pelo presidente Edson Fachin.

    O sorteio subsequente designou André Mendonça como o novo relator, um movimento que, em vez de aplacar a crise, pode intensificar controvérsias devido às vinculações do magistrado com o universo evangélico – precisamente o mesmo ambiente sob escrutínio na apuração.

    O epicentro da investigação reside no banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, cuja teia de relações inclui políticos, empresários e líderes religiosos.

    A Polícia Federal (PF) deflagrou operações que revelaram um esquema de desvios estimados em bilhões de reais, com apreensões de bens luxuosos e bloqueios judiciais superiores a R$ 5,7 bilhões.

    Em janeiro de 2026, a PF prendeu temporariamente Vorcaro e seu cunhado, o pastor e empresário Fabiano Zettel, este último detido no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai.

    Zettel, ligado à Igreja Batista da Lagoinha em Belo Horizonte, foi afastado de suas funções ministeriais pela instituição religiosa logo após a operação, conforme nota divulgada pela própria igreja.

    Assim, Mendonça agora supervisionará indícios de doações suspeitas envolvendo Zettel, que figurou como o maior doador pessoa física nas campanhas de Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, totalizando R$ 5 milhões em 2022.

    Mensagens extraídas dos celulares de Vorcaro mencionam Zettel e apontam para possíveis lavagens de dinheiro via instituições evangélicas, incluindo a fintech Clava Forte Bank, associada à família do pastor André Valadão, líder da Lagoinha.

    A saída de Toffoli não foi voluntária inicialmente. Relatos internos indicam que Fachin e a ministra Cármen Lúcia defenderam a análise de uma arguição de suspeição contra ele, baseada em um relatório da PF que expôs conexões pessoais com Vorcaro, incluindo menções a pagamentos e um resort no Paraná onde irmãos e um primo de Toffoli foram sócios de um cunhado do banqueiro.

    No entanto, a maioria dos ministros – incluindo Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin – resistiu, priorizando a preservação institucional.

    Uma nota conjunta assinada por todos validou os atos anteriores de Toffoli e enfatizou a redistribuição para “altos interesses institucionais“, conforme publicado no site oficial do STF, conforme reproduzido abaixo:

    Toque na imagem
    10 Ministros do STF

    Nota do oficial dos 10 ministros do STF.

    Os dez Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF. Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência.

    Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR.

    Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição.

    A Presidência adotará as providências processuais necessárias, para a extinção da AS e para remessa dos autos ao novo Relator.

    Assinam:

    Luiz Edson Fachin, Presidente

    Alexandre de Moraes, Vice-Presidente

    Gilmar Mendes

    Cármen Lúcia

    Dias Toffoli

    Luiz Fux

    André Mendonça

    Nunes Marques

    Cristiano Zanin

    Flávio Dino


    Do lado executivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou desconforto com a conduta da PF.

    Aliados revelam que Lula considerou irregular a investigação sobre Toffoli sem autorização prévia do STF, classificando o relatório como excessivo. Segundo o Metrópoles, o estadista avaliou que o documento deveria ter sido meramente informativo, sem cruzamentos de dados, e atribuiu a entrega direta a Fachin a possíveis mágoas políticas.

    Já a oposição bolsonarista celebrou a troca, enxergando em Mendonça um aliado potencial para expor supostas irregularidades no Judiciário.

    A PF, sob comando de Andrei Rodrigues, prossegue com diligências, incluindo análise de títulos podres vendidos ao Banco de Brasília (BRB) e conexões com o Congresso Nacional, onde a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS investiga o mesmo esquema.

    Deputados como Rogério Correia (PT-MG) alertam para uma “dupla blindagem” em Mendonça, dada sua proximidade com o bolsonarismo e igrejas evangélicas.

    Enquanto Mendonça se reuniu com delegados da PF na sexta-feira (13/fev) para delinear os próximos passos, o caso expõe fragilidades no sistema judiciário brasileiro, com ramificações que transcendem o financeiro e tocam o cerne da governança republicana.

    A PF apresentou detalhes adicionais a Mendonça sobre fraudes no Banco Master, prometendo mais revelações pós-Carnaval, conforme mostrou a CNN Brasil,

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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