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    Presidente da Alesp André do Prado quer Eduardo Bolsonaro como “refém” na suplência; entenda o risco

    Movimento no PL pode blindar o clã, mas expõe candidatura a incerteza jurídica inédita em São Paulo

    Presidente da Alesp André do Prado e Eduardo Bolsonaro

    O Presidente da ALESP, André do Prado / Foto Divulgação / site pessoal | O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro / Foto: Agência Senado

    Brasília (DF) 04 de maio de 2026

    A política brasileira se prepara para uma jogada que mescla estratégia eleitoral e cálculo jurídico de alto risco. O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), está cada vez mais próximo de ser confirmado como o candidato da legenda ao Senado pelo estado.

    A contrapartida, conforme apuração do Metrópoles, é a nomeação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro como seu primeiro suplente.

    A manobra serve a dois propósitos: usar o prestígio do nome Bolsonaro para fisgar o eleitorado conservador enquanto se tenta blindar a chapa dos riscos de uma eventual impugnação do “filho 03”.

    A articulação foi costurada em território americano. Durante um feriado prolongado, André do Prado e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reuniram-se com Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos para selar o acordo.

    Conforme a Folha de S.Paulo, a ideia é que o vídeo do anúncio já foi gravado, cabendo a Eduardo a divulgação oficial.

    A princípio, a vaga ao Senado era tratada internamente como propriedade do ex-deputado, mas sua situação jurídica — autoexilado nos EUA para escapar de processos no Supremo Tribunal Federal (STF) — inviabilizou a candidatura majoritária.

    A solução encontrada foi a suplência: Eduardo cede o posto de titular em troca de lealdade e da garantia de ser o herdeiro político da vaga.

    “Fiz o convite para que, se a decisão for pelo meu nome, ele esteja na suplência”, confirmou André do Prado ao Estadão/Broadcast.

    A fala do presidente da Alesp demonstra uma tentativa de alinhamento total com o clã. A promessa, conforme detalhado pelo colunista Igor Gadelha no Metrópoles, foi de “fidelidade” total.

    Ele (presidente da Alesp) falou que é do time“, resumiu Valdemar Costa Neto.

    A troca é clara: em troca do aval político, André do Prado torna-se um representante dos interesses da família na Casa Alta, com a missão de articular a base e proteger a pauta anti-STF.

    Riscos jurídicos e a eleição em São Paulo

    A estratégia, contudo, carrega um componente de instabilidade que preocupa analistas. A Justiça Eleitoral ainda não se manifestou definitivamente sobre a elegibilidade de Eduardo Bolsonaro.

    O professor de Direito Eleitoral da FGV-SP, Fernando Neisser, explicou ao Broadcast que, embora a residência nos EUA não impeça a candidatura, o fato de o ex-deputado ter tido o mandato cassado por faltas na Câmara e responder a ações no STF por “coação no curso do processo” torna a chapa vulnerável.

    Caso condenado até o registro, é inelegível; se a decisão sair após a eleição, os votos de toda a chapa correm risco de anulação.

    Para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição e tem peso decisivo na chapa majoritária, o movimento é um mal necessário para manter a unidade da direita.

    Contudo, a decisão já gerou atritos.

    O deputado federal Ricardo Salles (Novo), também pré-candidato ao Senado, já articula o apelido de “Valdemarzinho” para André do Prado, tentando colá-lo à imagem do centrão e fisgar o voto bolsonarista mais radical que rejeita o perfil conciliador do atual presidente da Alesp.

    Com duas vagas em disputa, o PL lançará também o nome do ex-secretário Guilherme Derrite (PP).

    A expectativa nos bastidores é de uma corrida acirrada.

    Ao transformar Eduardo Bolsonaro em uma espécie de “refém” da chapa — eleito apenas se André do Prado vencer —, a cúpula do partido joga pesado para garantir a disciplina da tropa de choque bolsonarista, mas aposta em um cenário jurídico de alto risco que pode minar a campanha em pleno andamento caso o STF ou o TSE decidam intervir.

    FAQ Rápido

    O que motivou a troca de Eduardo Bolsonaro por André do Prado?
    A inviabilidade jurídica e política de Eduardo Bolsonaro concorrer como titular, devido ao autoexílio nos EUA e processos no STF, levou o PL a buscar um nome de perfil mais conciliador, mas com o selo de aprovação da família para manter a base conservadora unida em São Paulo.

    Qual o principal risco jurídico dessa candidatura a suplente?
    O risco é a anulação de toda a chapa. Se Eduardo Bolsonaro for considerado inelegível pela Justiça Eleitoral após o pleito, os votos recebidos podem ser anulados, ou o mandato de André do Prado pode ser cassado, abrindo margem para novos questionamentos sobre a lisura do processo.

    Como fica a correlação de forças no Senado com essa chapa?
    Se eleita, a dupla Prado-Bolsonaro fortaleceria a bancada de direita no Senado. André do Prado atuaria como o articulador técnico em Brasília, enquanto Eduardo (caso assuma) manteria a agenda de confronto ao Judiciário, atendendo às bases mais radicais do eleitorado.

    O cenário segue em consolidação. O senador Flávio Bolsonaro deu declarações públicas na Agrishow elogiando André do Prado e condicionando a decisão final apenas ao aval de Jair Bolsonaro e Eduardo.

    A expectativa é que o anúncio oficial ocorra nos próximos dias, provavelmente nas redes sociais do “filho 03”.



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