PF descobre ‘Boletim de inteligência‘, que detalhava locais em que Lula havia sido mais votado no 1º turno, podendo ter servido ao ex-ministro para enviar a PRF para atrapalhar acesso de eleitores no 2º turno
“À medida que as investigações da PF sobre Anderson Torres avançam, mais o ex-ministro de Jair Bolsonaro fica enrolado. De todos os lados” – diz Lauro Jardim, no Globo, deixando implícito que isso contribui fortemente para que o ex-presidente se torne inelegível a cargos públicos.
“Em relação à “minuta do golpe”, mais uma discrepância foi apurada. O ex-ministro disse que o documento golpista foi entregue a ele por sua secretária. Ela, no entanto, foi taxativa em seu depoimento: “Nunca entreguei nada”“, prossegue o jornalista.
“Outro foco de complicações para Anderson é o seu envolvimento direto com o processo eleitoral. Uma das mais recentes descobertas da PF é um “boletim de inteligência” que “detalhava os locais em que Lula havia sido mais votado no primeiro turno“, diz o texto.
“Para os investigadores, o material serviu para que Anderson botasse de pé a tentativa de atrapalhar a chegada dos eleitores aos locais de votação nestas regiões, com a célebre operação feita pela PRF no dia 30 de outubro“, informa Jardim.
Naquela ocasião, o então diretor da instituição policial, Silvinei Vasques, ordenou que agentes da corporação atuassem nas estradas, principalmente na Região Nordeste do Brasil, fiscalizando o transporte público de eleitores, durante o segundo turno.
Nas redes sociais, Vaques postou pedido de voto em Bolsonaro e depois apagou. O TSE foi acionado pela coligação de Lula que alegou que a PRF estaria dificultando o acesso do povo às urnas.
O documento encontrado pela PF foi “produzido em outubro pela então diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, Marília Alencar, uma delegada que, posteriormente, foi trabalhar com ele [Anderson Torres] na Secretaria de Segurança do DF. Ela tentou apagar o documento do seu celular, mas a PF recuperou parte do material“, informa o jornalista.
“Há também uma viagem fora de agenda de Anderson à Bahia, num avião da FAB, dias antes do segundo turno. Acompanhado do então diretor da PF, Marcio Nunes, foi pressionar o então superintendente regional, Leandro Almada, a atuar na operação no dia da eleição, dando apoio à PRF“, pontua Jardim.
