Fazenda propõe zeragem de ICMS com compensação aos estados e mira distribuidoras em meio a alta do diesel; FUP aponta distorções de mercado e privatizações como raiz do problema, enquanto PF combate crimes da máfia dos combustíveis
Brasília (DF) · 18 de março de 2026
A escalada dos preços do diesel no Brasil, impulsionada pela guerra no Oriente Médio que elevou o barril do petróleo acima de US$ 100, reacende o risco de paralisação nacional dos caminhoneiros.
Lideranças da categoria articulam greve para esta semana, insatisfeitas com a alta acumulada de cerca de 19% desde o fim de fevereiro, conforme dados da ValeCard.
O governo federal respondeu com medidas para ampliar a oferta e conter os impactos nas bombas.
Nesta quarta-feira (18/mar), o Ministério da Fazenda propôs aos estados zerar o ICMS na importação de diesel até 31 de maio, com compensação de 50% das perdas fiscais pela União.
A renúncia estimada atinge R$ 3 bilhões mensais, divididos igualmente entre os entes federados, segundo o secretário-executivo Dario Durigan, conforme publicado pelo UOL.
A proposta visa mitigar o impasse federativo, já que os governadores, via Comsefaz, recusaram reduzir o imposto estadual mesmo após a zeragem de PIS/Cofins anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 12 de março.
A medida federal, aliada à subvenção condicionada ao repasse ao consumidor e à fiscalização intensificada pela ANP, busca evitar desabastecimento e pressões inflacionárias.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) atribui a escalada a distorções estruturais: privatizações na Petrobras, dependência de importações (20% a 25% do diesel consumido) e margens abusivas na cadeia de distribuição.
A diretora Cibele Vieira afirmou que “a Petrobras pode equilibrar preços na refinaria, mas não controla o que acontece depois. Sem distribuição pública e com parte do diesel sendo importada, abre-se espaço para aumentos abusivos ao longo da cadeia”.
Boicotes e especulação no setor de combustíveis abrem espaço para o governo avançar na defesa do interesse público e no combate a práticas abusivas.
A Polícia Federal (PF) investiga possíveis conexões entre distribuidoras, postos e crime organizado, com operações recentes expondo lavagem de dinheiro e adulteração que ultrapassam bilhões de reais.
Em paralelo, o governo avalia flexibilizar as regras de descanso para caminhoneiros, permitindo maior autonomia na escolha de locais de parada em viagens longas, atendendo pleito da categoria discutido pela Secretaria de Transportes.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou duramente o apoio de bolsonaristas à guerra contra o Irã, que eleva os custos energéticos globais.
“Jogam contra o Brasil e incentivam a greve dos caminhoneiros”, declarou, apontando interferência externa e oportunismo político na mobilização.
Esses elementos revelam um cenário complexo, onde pressões internacionais se entrelaçam com desafios internos de regulação e equidade na cadeia de suprimentos.
Governadores analisam a proposta de compensação fiscal em reunião do Confaz marcada para os próximos dias.

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