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Alexei Navalny comparou imigrantes a baratas e sugeriu armas de fogo para eliminar muçulmanos (VÍDEO)

    O ativista russo morreu em uma colônia penal no Ártico nesta sexta-feira, a poucos dias das eleições na Rússia, gerando polêmica internacional, por ter sido a principal figura da oposição e crítico declarado de Putin – ASSISTA

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    O ativista russo Alexei Navalny, que morreu em uma colônia penal ao norte do Círculo Polar Ártico nesta sexta-feira (16/2) abalando opiniões por ele ter sido a principal figura da oposição russa e crítico declarado do Kremlin, já comparou imigrantes a baratas em um vídeo publicado em 2007.

    Na peça, Navalny incentivou a população a tratar estrangeiros como se fossem pragas e sugeriu o uso de armas de fogo para eliminar muçulmanos.

    Confira as imagens de um vídeo postado pelo perfil ‘@historia_pensar‘, na plataforma social de microblogging ‘X‘:

    Navalny ganhou as manchetes globais quando foi envenenado em 2020. Ele era, há muito tempo, uma pedra no sapato do presidente da Rússia, Vladimir Putin, pois exibia uma campanha contra o partido no poder e orquestrava alguns dos maiores protestos antigovernamentais vistos nos últimos anos, conforme mostrou a ‘CNN‘ após sua morte.

    O ativista estava preso desde 2021, quando retornou ao seu país depois de receber tratamento médico na Alemanha. A morte nesta sexta levantou suspeitas da comunidade internacional, e diversos líderes mundiais acusaram Putin de estar por trás do caso.

    O serviço penitenciário da Rússia alegou que que Navalny “se sentiu mal depois de uma caminhada” e perdeu a consciência “quase imediatamente”, tendo uma morte súbita. Depois, médicos tentaram reanimá-lo por cerca de meia hora, mas sem sucesso:

    A equipe médica da instituição chegou prontamente, e uma equipe de ambulância foi chamada. Todas as medidas de reanimação necessárias foram tomadas, mas não produziram resultados positivos”, observaram.

    Navalny estava preso na colônia penal de Kharp, no Ártico russo, e morreu a três meses da eleição presidencial no país.


    De acordo com o sociólogo, especialista em Relações Internacionais e assessor da liderança do PT no Senado, Marcelo Zero, “o Itamaraty está correto ao não comentar o caso Navalny“. Ele acrescenta que “política externa é coisa séria. Exige racionalidade. Condenações apressadas, emocionais e morais, principalmente quando seletivas, não contribuem para a paz“.

    Quem era Alexei Navalny, segundo o ‘Pensar a História

    Advogado de formação, Alexei Navalny iniciou sua trajetória política no ano 2000, quando se filiou ao partido liberal “Yabloko”. Ele logo ascendeu à condição de dirigente na seção moscovita do partido e liderou iniciativas voltadas à mobilização política da juventude.

    Em 2006, Navalny ganhou a simpatia de organizações da extrema-direita após entrar com uma ação pedindo a liberação da Marcha Nacionalista Russa em Moscou. O evento havia sido banido pelo
    prefeito Yury Luzhkov, que alegou preocupação com o cariz racista da manifestação.

    Organizada desde 2005 por grupos de extrema-direita, a Marcha Nacionalista é conhecida por atrair muitas organizações supremacistas e neonazistas, sendo marcada pela presença de suásticas e outros símbolos neonazistas, palavras de ordem racistas e discursos xenofóbicos.



    Navalny não apenas defendeu a realização da Marcha Nacionalista como se tornou um de seus principais promotores, ao lado da organização neofascista Movimento Contra a Imigração Ilegal e do Partido Eurásia, liderado por Alexander Dugin.

    Essas manifestações são apontadas como um dos fatores que incentivaram a radicalização da direita e a explosão de ataques raciais registrados na Rússia no fim da década de 2000. Apenas em 2008, grupos neonazistas russos mataram 110 pessoas e feriram outras 487.

    Apesar disso, Navalny sempre negou que as marchas fossem perigosas, chegando a enaltecê-las como “um dos mais significativos eventos políticos“. Ele participou de 3 edições da marcha. A aproximação com os grupos neonazistas resultou na expulsão de Navalny do ‘Yabloko‘ em 2007.

    Nesse mesmo ano, Navalny se tornou um dos membros-fundadores do Movimento Nacional de Libertação Russo (NAROD) — partido de extrema-direita, congregando grupos ultranacionalistas e neonazistas. O partido reivindicava uma plataforma calcada no nacionalismo chauvinista, atacando imigrantes e apelando a pautas moralistas e ao tradicionalismo ortodoxo.

    Nesse período, Navalny produziu textos e vídeos defendendo a deportação de chechenos, georgianos e ciganos. Ele comparou imigrantes a baratas e cáries, afirmando ser necessário eliminá-los.


    Fazendo oposição ao Kremlin, o partido da Navalny costurou alianças com outras agremiações de extrema-direita (Grande Rússia, Movimento Contra a Imigração Ilegal, etc). A ascensão de Navalny como opositor do governo russo lhe rendeu uma oferta de formação política nos EUA.

    Em 2009, Navalny foi premiado com uma bolsa de estudos da “Yale World Fellows” — um programa da Universidade de Yale destinado a “criar uma rede global de lideranças emergentes”.

    A temporada nos Estados Unidos serviu para que Navalny reformulasse totalmente sua imagem pública.

    Ao retornar para a Rússia, Navalny atenuou sua retórica ultranacionalista e anti-imigração e deixou de comparecer às marchas da extrema-direita, elegendo como estratégia o enfoque no discurso anticorrupção.

    Em 2011, Navalny criou a Fundação Anticorrupção (FBK).

    Turbinada por doações multimilionárias do setor privado e de organizações estrangeiras, a ONG se expandiu rapidamente pela Rússia, tornando-se, na prática, uma plataforma de oposição aos governos de Dmitri Medvedev e de Vladimir Putin.

    Ao mesmo tempo, Navalny foi beneficiado por uma operação midiática que lhe conferiu visibilidade. Seu blog com denúncias de corrupção e críticas generalizadas à classe política — indistintamente tratada como uma “corja de ladrões — se tornou um dos mais acessados do país.


    Navalny também criou uma “plataforma anticorrupção”, dedicada a investigar a cúpula do governo e sua base no congresso, e fez uso recorrente de um discurso antissistema para angariar apoio popular, vendendo a imagem de um “caçador de corruptos”.

    Navalny logo tratou de convocar protestos contra o governo. Apoiada em uma estrutura de mídia profissional, sua fundação produziu propagandas antigovernamentais, lançando dezenas de documentários e filmes denunciando atos de corrupção e atacando os burocratas russos.

    Navalny foi o principal responsável por fomentar a onda de protestos antigovernamentais que eclodiram na Rússia entre 2017 e 2018. Os protestos começaram após a denúncia de que Medvedev seria dono de um sítio não declarado. Um sítio enorme, que tinha até um lago com patos.

    Um vídeo com imagens do sítio viralizou na internet. As denúncias alavancaram manifestações em mais de 150 cidades, mobilizando dezenas de milhares de manifestantes. Gigantescos patos infláveis se tornaram os símbolos dos protestos.

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