Senador ignora ordem do STF, usa documento especial para viajar e enfrenta retaliação financeira
Brasília, 26 de julho de 2025
O Supremo Tribunal Federal (STF), sob decisão do ministro Alexandre de Moraes, determinou o bloqueio das contas bancárias, cartões de crédito e chaves PIX do senador Marcos do Val (Podemos-ES) nesta sexta-feira (25/jul).
A medida veio após o parlamentar viajar para Orlando, nos Estados Unidos, usando um passaporte diplomático, apesar de uma ordem judicial que determinava sua apreensão desde agosto de 2024.
A viagem, realizada na quinta-feira (24/jul), foi noticiada inicialmente pelo portal UOL e confirmada. Marcos do Val é investigado por suspeita de integrar um grupo que promoveu ataques nas redes sociais contra agentes da Polícia Federal envolvidos em inquéritos do STF, incluindo ações relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão de Alexandre de Moraes também proíbe Marcos do Val de realizar operações financeiras, incluindo transações via PIX, e bloqueia seus investimentos.
Bancos e operadoras de cartão têm 24 horas para cumprir a ordem, que visa garantir o pagamento de uma multa de R$ 50 milhões imposta anteriormente ao senador.
Em 15 de julho, Marcos do Val solicitou ao STF permissão para viajar com a família a Orlando, mas o pedido foi negado no dia seguinte, com Moraes afirmando que o senador deveria se adequar às medidas cautelares, já que a investigação segue em curso.
Apesar disso, o parlamentar embarcou de Manaus usando o passaporte diplomático, que, segundo ele, está válido até 31 de julho de 2027 e seu visto americano, renovado em 22 de julho de 2025, tem validade até 2035.
Marcos do Val negou que sua viagem seja uma tentativa de fuga, afirmando estar apenas aproveitando o recesso parlamentar com a filha na Disney.
Em vídeo gravado em Orlando, ele declarou que informou o STF, o Ministério das Relações Exteriores e o Senado Federal sobre seus planos de viagem, incluindo voo, hotel e ingressos comprados.
O senador também alegou que a ordem de Moraes é ilegal e que seu passaporte diplomático não foi entregue à Polícia Federal por considerar a medida uma violação constitucional.
A Polícia Federal tentou apreender o documento em Vitória (ES) em 2023, mas ele não foi encontrado, pois estaria no gabinete de Marcos do Val em Brasília.
A atitude de Marcos do Val intensifica a crise entre ele e o STF, podendo levar a novas acusações, como descumprimento de ordem judicial e obstrução de justiça.
A decisão de Alexandre de Moraes ocorre em um momento de tensão diplomática, após os Estados Unidos revogarem os vistos de Moraes e outros sete ministros do STF em 18 de julho, por ordem do secretário Marco Rubio, aliado de Donald Trump.
Marcos do Val chegou a afirmar nas redes sociais, acessíveis fora do Brasil, que foi acolhido como cidadão americano, embora essa informação não tenha sido confirmada.








