📷 Tela de celular de um morador do Rio de Janeiro mostra alerta extremo recebido com a palavra “misantropia” / Foto: Reprodução via g1
| Curitiba (PR)
20 de junho de 2026
O que começou como um susto silencioso na madrugada deste sábado (20/jun) se transformou em um dos maiores casos de invasão a sistemas públicos dos últimos anos.
Milhões de brasileiros acordaram com o som estridente de um alerta extremo em seus celulares.
A mensagem, enviada pelo sistema Defesa Civil Alerta, continha apenas uma palavra: “misantropia”.
A Defesa Civil Nacional negou imediatamente ter enviado o alerta.
A plataforma foi retirada do ar por volta das 1h30 da madrugada após confirmar que sofreu uma invasão hacker.
Segundo o governo federal, o disparo foi realizado remotamente por alguém sem vínculo com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.
Milhões de celulares e o alerta que veio do Paraná
Ainda não há um número oficial de quantos brasileiros receberam a notificação falsa. O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, afirmou que “ao menos 10 falsos alertas” foram disparados e atingiram “milhões de pessoas” em todo o país, segundo o UOL.
O primeiro estado a ser afetado foi o Paraná. O governo paranaense informou que não emitiu o alerta e que não havia previsão de fenômenos meteorológicos severos capazes de justificar o acionamento da ferramenta.
Em seguida, outras localidades também relataram o recebimento da mensagem, incluindo Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Acre e São Paulo.
De acordo com Wolnei Wolff, houve nove disparos pelo sistema Cell Broadcast e um por SMS. A equipe de tecnologia da informação da Defesa Civil identificou de 9 a 10 acessos indevidos ao sistema.
O que é “misantropia” e como funciona o sistema atacado
A palavra que despertou tanta atenção, “misantropia” – em alguns celulares escrita como “misantropi4” – significa aversão, desconfiança ou desprezo generalizado pela humanidade.
O termo, de origem grega, descreve pessoas que evitam a convivência social por repúdio aos comportamentos e falhas da sociedade. Apesar do susto, não há qualquer indicação oficial de que o termo tenha relação com o motivo do ataque.
O sistema utilizado para o envio das mensagens é o Cell Broadcast.
Trata-se de uma tecnologia que envia mensagens de texto em formato pop-up diretamente na tela do celular, sem necessidade de cadastro prévio, baseando-se na localização dos aparelhos com 4G ou 5G.
A ferramenta foi desenvolvida exclusivamente para alertas de emergência e é de responsabilidade do governo federal.
Anatel e o “desserviço à nação”
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou nota neste sábado (20/jun) afirmando que as mensagens “não foram emitidas pelas autoridades competentes responsáveis pelo sistema de alertas à população” e que “não há, neste momento, qualquer motivo para preocupação”.
A agência reforçou que as prestadoras de telecomunicações apenas transmitem os alertas para as áreas geográficas definidas pelas autoridades, não sendo responsáveis pelo conteúdo.
O episódio expõe uma vulnerabilidade crítica: a segurança de sistemas essenciais de comunicação. Como afirmou o secretário Wolnei Wolff, o ataque é um “desserviço à nação”.
Ele explicou que, assim que os técnicos identificaram a invasão, desligaram o sistema “prontamente” para conter os danos.
A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil já acionou a Polícia Federal para investigar o caso. O sistema só será religado quando todas as condições de segurança forem restabelecidas.
O governo federal afirmou que adotará medidas para impedir novos acessos indevidos e preservar a confiabilidade da ferramenta.
A Polícia Federal já iniciou as investigações para identificar os responsáveis pelo ataque cibernético. A Defesa Civil Nacional informou que trabalha para restabelecer o sistema com segurança.
Até o momento, não há informações sobre prisões ou suspeitos.
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