Bernardo Mello Franco afirma que o presidente da Câmara aprendeu com Eduardo Cunha a sufocar a oposição e esmagar o governo até arrancar o que deseja
“Arthur Lira (PP-AL) é um aluno aplicado. Aprendeu com [o ex-presidente da Câmara dos Deputados] Eduardo Cunha a sufocar a oposição e esmagar o governo até arrancar o que deseja“, escreve o jornalista e colunista de O Globo em seu pertil no Twitter, resumindo sua matéria no jornal.
“O chefão da Câmara encurralou [o candidato derrotado nesta eleição, Jair] Bolsonaro, [durante todo o seu governo], transformando-se num arremedo de primeiro-ministro. Nesta semana, apresentou a [o Presidente eleito e diplomado, Luiz Inácio] Lula [da Silva] seu cartão de visita“, prossegue o jornalista.
“[O fundador de seu próprio partido] Lula precisa abrir espaço no Orçamento [2023] para manter o [benefício] Bolsa Família em R$ 600 e reajustar o salário mínimo acima da inflação. Para cumprir as duas promessas [feitas durante sua campanha, o Presidente que tomará posse no dia 1° de janeiro] depende da PEC da Transição. A proposta foi aprovada com folga no Senado, [mas] ao chegar à Câmara, parou na barreira de Lira.
“O deputado apresentou uma farta lista de pedidos. Depois de fazer campanha por Bolsonaro, quer abocanhar cargos de peso no governo Lula. Como ainda não houve acordo, a votação da PEC foi adiada. O impasse travou a definição dos futuros ocupantes da Esplanada [dos Ministérios, em Brasília].
O parlamentar “já deixou claro que não vai se contentar com migalhas. Seu sonho de consumo é o Ministério da Saúde [, que teve quatro ministros durante a gestão do atual presidente e foi notícia recente pelos supostos escândalos de corrupção do “governo sem corrupção” de Bolsonaro]”.
“A pasta estava reservada para Nísia Trindade, a respeitada presidente da Fiocruz. Como noticiou o UOL, a pressão do presidente da Câmara fez Lula a suspender o anúncio. [Neste movimento,] um eventual recuo seria desmoralizante para o presidente eleito“, pois “ele passou a campanha criticando a má gestão da Saúde na pandemia. Eleito, abriria mão de uma indicação técnica para acomodar um apadrinhado do Centrão“.
“Lula tem sido criticado, com justiça [opina o jornalista], pela demora a indicar mulheres para cargos relevantes. A nomeação de Izolda Cela para a Educação parece já ter subido no telhado. Preterir Nisia Trindade na Saúde equivaleria a dizer que a representatividade vai continuar em segundo plano“.
“Além de encostar a faca no pescoço de Lula, Lira quer forçar o STF a liberar o orçamento secreto. O deputado Elmar Nascimento já ameaçou cortar verbas do Judiciário se o chefe for derrotado. Não por acaso, Lira o escolheu para relatar a PEC da Transição.

Respondo: quem elegeu esses bandidos foi o povo brasileiro e sua falta de consciência política e cidadã. Trabalho de conscientização a ser feito, se não quisermos que tais escolhas eleitorais se repitam.
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