Presidente do Senado ameaça sessão expressa com votação mínima para derrotar indicado; Planalto busca acordos políticos para salvar nomeação
Brasília, 28 de novembro 2025
Uma crise política de alto escalão se instaurou no Senado Federal em torno da indicação do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), articula nos bastidores para derrotar o indicado e ameaça conduzir uma sessão relâmpago, encerrando a votação no plenário assim que o quórum mínimo for atingido, para impedir que Messias consiga os votos necessários.
Alcolumbre afirmou a aliados contar com 60 votos para rejeitar a nomeação, de acordo com a Folha de S. Paulo. O número é considerado exagerado por alguns senadores, mas sinaliza uma maioria contrária ao nome escolhido por Lula.
O placar necessário para aprovação é de 41 votos favoráveis em um total de 81 senadores.
A estratégia de Alcolumbre seria drasticamente diferente da usada em votações recentes. Ele planeja “apostar uma corrida” e encerrar a sessão pouco depois de alcançar o quórum, evitando que senadores governistas tardios possam registrar seu voto a favor de Messias.
Confrontado com o ambiente hostil, Lula planeja um gesto de pacificação, segundo O Globo. A ideia é que o Presidente entregue pessoalmente a Davi Alcolumbre a “mensagem ao Senado” que formaliza a indicação de Jorge Messias.
O gesto, inédito, é visto no entorno do presidente do Senado como um sinal de que Lula “quer conversar” para superar a resistência.
A raiz do conflito está na preferência aberta de Alcolumbre e de uma ala expressiva do Senado pelo nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga. Para pressionar o governo, Alcolumbre marcou a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a votação no plenário para 10 de dezembro, um prazo considerado curto pelo Planalto para que Messias desfaça a rejeição.
Um interlocutor de Alcolumbre justificou a pressa: ele “não quer cometer o mesmo erro” de quando adiou a sabatina de André Mendonça em 2021, o que deu tempo ao então indicado de virar votos.
Interessantemente, o agora ministro Mendonça está auxiliando Messias, seu colega evangélico, a reduzir a resistência entre a bancada bolsonarista.
Enquanto isso, aliados do governo no Senado avaliam recorrer a manobras regimentais para adiar a data da sabatina e ganhar tempo.
Paralelamente, o Palácio do Planalto sinaliza com a oferta de outros cargos em agências regulatórias, como a presidência do Cade e da ANA, para recompor a aliança e garantir os votos necessários.
No entanto, a vaga no STF é considerada “inegociável” pelos governistas, pois abrir mão da indicação seria abrir mão de uma prerrogativa fundamental do presidente da República.
A aprovação de Jorge Messias se transformou no maior teste de governabilidade de Lula no Senado, com o desfecho ainda incerto e dependente de uma complexa negociação de última hora.

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Ter consciência de que o congresso virou uma grande facção…
Pior legislatura tanto na câmara quanto no senado, viraram o quintal de cada um…
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