O vice-Presidente da República Federativa do Brasil, Geraldo Alckmin (PSB) |22.4.2026| Foto: Jorge Silva / Reuters
| Brasília (DF)
26 de maio de 2026
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) criticou nesta terça-feira (26/mai) a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos.
A declaração ganhou força porque o Brasil negocia temas estratégicos com o governo americano e o senador é pré-candidato à Presidência na eleição de 2026.
Em conversa com jornalistas após evento em Brasília, Alckmin foi direto ao ser questionado sobre possível encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump.
“Em relação à visita do pré-candidato nos Estados Unidos, vou explicar. Nós já tínhamos um da família trabalhando contra o Brasil. Não precisamos ter dois trabalhando contra”, disse o vice-presidente, conforme registrou o Money Times.
A referência clara é ao irmão do senador, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos desde 2025 e defendeu publicamente sanções impostas pelo governo Trump contra autoridades brasileiras.
Flávio Bolsonaro embarcou no domingo (24/mai) e permanece em Washington até quinta-feira (28/mai).
Ele informou ao Senado apenas um ofício genérico e negou ter solicitado o encontro com Trump.
A agenda oficial da Casa Branca não confirma a reunião até o momento, mas a viagem ocorre em meio à pré-campanha do senador, que já participou de eventos conservadores como a CPAC em março.
O gesto reforça a estratégia de aproximação com setores da ultradireita americana, o que pode gerar ruído nas negociações bilaterais conduzidas pelo governo federal.
O episódio ilumina tensões que extrapolam a política interna. Enquanto o Executivo brasileiro busca diálogo institucional com os Estados Unidos em áreas como comércio e segurança, a atuação paralela de membros da família Bolsonaro nos Estados Unidos alimenta a percepção de dupla agenda.
Eduardo Bolsonaro, cassado e radicado no exterior, atuou ativamente por medidas que o próprio governo brasileiro classificou como prejudiciais à soberania nacional.
A declaração de Alckmin chega em momento sensível. O vice-presidente, responsável por pastas estratégicas como Desenvolvimento, Indústria e Comércio, tem liderado esforços para manter canais abertos com Washington, inclusive em temas como tarifas e investimentos.
A crítica, portanto, não se resume à rivalidade partidária: sinaliza preocupação com a estabilidade das relações Brasil-EUA e com o respeito às instituições democráticas.
Flávio Bolsonaro tem repetido viagens aos Estados Unidos desde dezembro de 2025, quando anunciou a pretensão de disputar o Planalto.
A ida atual, no entanto, ocorre sob holofotes maiores por coincidir com a pré-candidatura oficial e com o calendário de eleições 2026.
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FAQ Rápido
1. Por que Alckmin mencionou "dois trabalhando contra o Brasil"?
O vice-presidente referiu-se explicitamente a Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos e defendeu sanções americanas contra o Brasil, e ao senador Flávio Bolsonaro, que viajou para um possível encontro com Trump.
2. A reunião entre Flávio Bolsonaro e Trump está confirmada?
Não. A Casa Branca não incluiu o compromisso na agenda oficial de Donald Trump. O senador negou ter pedido o encontro.
3. Como isso afeta a pré-campanha de 2026?
A crítica de Alckmin reforça o contraste entre a chapa Lula-Alckmin, que prioriza diálogo institucional, e a oposição bolsonarista, associada a agendas externas paralelas.
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