Vice-presidente comenta “equívoco” sobre déficit comercial com o Brasil informado ao presidente dos EUA – O ministro lidera comitê contra tarifas e coordena diálogo com empresários para enfrentar medidas comerciais
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, comandará um comitê com empresários para formular respostas às tarifas de 50% impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros, previstas para entrar em vigor em 1º de agosto de 2025. Alckmin criticou a medida como politicamente e economicamente equivocada, destacando o superávit comercial dos EUA com o Brasil e a intenção de adotar medidas de reciprocidade, caso necessário, com regulamentação prevista para os próximos dias.
Brasília, 12 de julho de 2025
O vice-presidente da República Federativa do Brasil e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), assumiu a liderança de um comitê emergencial do governo brasileiro, composto por empresários e representantes de diversos ministérios, para elaborar respostas às tarifas de 50% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros.
A medida, que entrará em vigor a partir de 1º de agosto, foi justificada por Trump como uma retaliação a supostas barreiras comerciais e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, que, segundo ele, ferem a liberdade de expressão.
Alckmin classificou a decisão como um “grande equívoco”, tanto do ponto de vista político quanto econômico, e prometeu uma resposta firme, incluindo a possibilidade de retaliar com medidas de reciprocidade. A primeira reunião do comitê está marcada para segunda-feira (14/jul), mas Alckmin já iniciou conversas com setores impactados, como agronegócio e indústria.
As tarifas anunciadas por Trump visam produtos brasileiros como café, carne bovina, suco de laranja, produtos siderúrgicos e tecnologia, setores que representam uma parcela significativa das exportações do Brasil para os EUA.
Segundo o vice-presidente, a medida é injusta, uma vez que os Estados Unidos mantêm um superávit comercial com o Brasil, com dados do Ministério do Desenvolvimento indicando um saldo positivo de US$ 25 bilhões em bens e serviços desde 2009.
Alckmin destacou que os EUA exportam mais para o Brasil do que importam, com oito dos dez principais produtos americanos importados pelo Brasil tendo alíquota zero .
Em declarações ao Jornal Nacional, da rede Globo, nesta sexta-feira (11/jul), Alckmin criticou a mistura de questões judiciais com comerciais, afirmando que o governo americano está “mal assessorado” quanto às informações de déficit com o Brasil e que espera “que não sejam brasileiros fazendo esse trabalho muito ruim“. O vice-presidente deixa implícito que as informações erradas podem fazer parte de ataques de políticos brasileiros que estão nos EUA.
Rapaz! Ontem o JN revelou que o Alckmin já articula, junto com o Lula, a saída para livrar todo o Brasil, inclusive SP, que ele conhece como ninguém, das tarifas de Trump. Isso sim é patriotismo!
— Bruno Guzzo® (@BrunoGuzz0) July 12, 2025
BOLSONARO TE TAXOU pic.twitter.com/ryoRq9uWFj
O ministro também disse que as decisões do STF não têm relação com o Executivo brasileiro, respeitando o princípio do Estado de Direito. Ele também sugeriu que a política tarifária de Trump pode prejudicar até mesmo empresas americanas instaladas no Brasil, que serão convidadas a integrar o comitê para discutir os impactos.
O governo brasileiro, sob orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aposta no diálogo para evitar a sobretaxação, mas já prepara medidas de retaliação caso as negociações falhem. A Lei da Reciprocidade, sancionada em abril, será regulamentada nos próximos dias, detalhando possíveis contramedidas, como a taxação de produtos americanos, quebra de patentes e imposição de barreiras a bens culturais, como filmes e livros .
Alckmin reforçou que o Brasil buscará alternativas no comércio exterior, incluindo a ampliação de mercados em países do Brics e outras nações, para reduzir a dependência dos EUA .
Lula, em discurso no Espírito Santo, destacou que os EUA acumularam um superávit de US$ 410 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos e cobrou respeito à soberania brasileira. Ele afirmou que o governo lutará em todas as instâncias, incluindo a Organização Mundial do Comércio (OMC), para evitar as tarifas, mas está pronto para adotar a reciprocidade: “Taxou aqui, a gente taxa lá”.
Setores Afetados e Mobilização Empresarial
O comitê liderado por Alckmin contará com representantes dos ministérios da Fazenda, Casa Civil, Relações Exteriores e Relações Institucionais, além de empresários de setores-chave, como agronegócio (carne, suco de laranja, café), Embraer e empresas de tecnologia A indústria siderúrgica, que exportou mais de 35% de sua produção para os EUA em 2024, também está em alerta, já que tarifas de 25% sobre aço e alumínio já foram anunciadas.
Alckmin enfatizou que as tarifas americanas podem gerar um “tiro no pé” para os EUA, dado o caráter integrado das cadeias produtivas, como no setor siderúrgico, onde o Brasil é o terceiro maior comprador de carvão siderúrgico americano. Ele também destacou que a média tarifária brasileira sobre produtos americanos é de apenas 2,7%, reforçando a posição do Brasil como um parceiro comercial favorável.
Perspectivas
O governo brasileiro está mobilizado para evitar que as tarifas de Trump prejudiquem a economia nacional, que já enfrenta desafios como a alta da inflação e a desvalorização do real. Alckmin defendeu uma abordagem de “ganha-ganha” no comércio internacional, destacando os 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e EUA e a presença de mais de 4 mil empresas americanas no país.
A regulamentação da Lei da Reciprocidade, prevista para os próximos dias determinará as contramedidas brasileiras, que podem incluir desde a taxação de bens até a busca por novos mercados. O Brasil mantém o discurso de diálogo, mas com a firmeza de quem não aceita “desaforos”, como afirmou Lula. A resposta será decisiva para proteger setores estratégicos e manter a competitividade no cenário global, em um momento de tensões comerciais e geopolíticas.









Não vai ser fácil para os EUA, tendo em vista a experiência do #Lula…
Bozobosta é melhor sair dessa , pois o TRUMP não representa nada nesse aspecto…
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