Intervenção da ministra foi vista como um gesto para evitar uma crise maior na base aliada do governo Lula, que já enfrenta desafios com a articulação no Congresso – LEIA e ENTENDA
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Brasília, 18 de abril de 2025
Um acordo para encerrar a greve de fome do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) no Congresso Nacional envolveu uma ligação da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos – PB), conforme noticiado pela Folha de S. Paulo.
A intervenção de Gleisi foi vista como um gesto para evitar uma crise maior na base aliada do governo Lula, que já enfrenta desafios com a articulação no Congresso.
A situação reacendeu debates sobre a relação entre PT e PSOL, com comentários nas redes sociais amplificando as tensões.

O perfil @Waltherjunior no X destacou a postura do PT como um aliado confiável em momentos de crise, mas previu novos atritos entre os partidos em menos de um mês, comparando o PT à personagem Geni, de Geni e o Zepelim (1979), composta por Chico Buarque.
A publicação foi repostada pelo ator José de Abreu,
GENI E O ZEPELIN
A letra de Geni e o Zepelim conta a história de uma mulher marginalizada e humilhada pela sociedade, que a julga e explora por sua condição vulnerável.
Quando um zepelim ameaça destruir a cidade, o comandante exige Geni para si, e a população, antes cruel, a bajula para salvar a todos.
Geni cede, mas, após cumprir o papel de salvadora, é novamente apedrejada e insultada, revelando a hipocrisia e a ingratidão da sociedade.
A música critica a exploração dos oprimidos e a crueldade coletiva.
A postagem viralizou, tendo sido compartilhada até mesmo pelo ator José de Abreu, refletindo o sentimento de parte da militância de esquerda que vê o PT como um mediador, ainda que alvo de críticas frequentes.
O PT é aquele amigo que TODO mundo fala mal, mas na hora do aperto, É SÓ ELE QUE APARECE PARA AJUDAR enquanto os outros SUMIRAM.
— Walther Jr. (@Waltherjunior) April 18, 2025
Por isso, eu digo que o PT é a "Geni" da política…
E não dou 1 mês para essa ala arrombada do Psol voltar a atacar o Lula e o PT.
Duvidam?? pic.twitter.com/DEWQRXtAyR
JOSÉ DE ABREU
José de Abreu também ficou famoso na política quando se autoproclamou “presidente do Brasil” em 25 de fevereiro de 2019, em uma sátira inspirada pela autoproclamação de Juan Guaidó na Venezuela, como protesto contra o governo de Jair Bolsonaro, cuja legitimidade ele questionava devido à prisão de Lula. A brincadeira, anunciada no Twitter (hoje X), incluiu a nomeação de um “gabinete” fictício com figuras da esquerda e medidas como libertar Lula, gerando apoio de opositores de Bolsonaro, críticas de apoiadores do governo e cobertura internacional. O ato, que misturou humor e resistência política, refletiu a polarização no Brasil, mas não resultou em consequências judiciais concretas, consolidando Abreu como uma voz de oposição.
Os embates entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) têm raízes históricas, ideológicas e estratégicas, refletindo diferenças em suas abordagens políticas, apesar de ambos se posicionarem no espectro da esquerda. O PSOL foi fundado em 2004 por dissidentes do PT, como Heloísa Helena, Luciana Genro, João Batista “Babá” e João Fontes, expulsos do PT em 2003 por votarem contra a Reforma da Previdência proposta pelo governo Lula.
Esses parlamentares discordavam da guinada do PT para uma postura mais pragmática e conciliatória, vista como uma traição aos ideais socialistas originais do partido.
A criação do PSOL marcou o início de uma relação tensa, com o novo partido se posicionando como uma alternativa à esquerda do PT, acusando-o de abandonar o socialismo democrático em favor de alianças com o centrão e políticas neoliberais.
Diferenças Ideológicas e Estratégicas
Após a eleição de Lula em 2002, o PT adotou uma abordagem de social-democracia e governabilidade, formando alianças com partidos de centro e centro-direita para garantir apoio no Congresso.
Essa estratégia foi criticada por setores mais radicais como uma capitulação ao capitalismo. O PT passou a ser visto como um partido reformista, priorizando programas sociais (como Bolsa Família) dentro do sistema capitalista.
O PSOL se define como um partido de esquerda ampla, abrigando correntes que vão de reformistas a revolucionárias, com forte ênfase no socialismo democrático. Rejeita alianças com partidos de direita e critica o PT por sua “conciliação de classes”.
A legenda defende a auto-organização dos trabalhadores e a mobilização social como caminhos para uma ruptura com o capitalismo.
Essa diferença gerou embates públicos, com o PSOL acusando o PT de trair os trabalhadores e o PT, por sua vez, vendo o PSOL como sectário e incapaz de construir maiorias para governar.
Principais Embates
Governo Lula (2003-2010): O PSOL nasceu criticando as políticas do governo Lula, como a Reforma da Previdência e a manutenção de políticas econômicas herdadas do governo FHC. Figuras como Heloísa Helena, que concorreu à presidência em 2006 pelo PSOL, acusavam o PT de abandonar a luta por transformações estruturais.
Impeachment de Dilma (2016): O PSOL se posicionou contra o impeachment de Dilma Rousseff, considerando-o um “golpe institucional“. No entanto, alguns setores do PT acusaram o PSOL de ter contribuído para o enfraquecimento da esquerda ao manter um discurso de oposição ao governo petista, o que teria dado munição à direita.
Eleições e Concorrência Eleitoral: PT e PSOL frequentemente competem por eleitores de esquerda. Em 2006, Heloísa Helena obteve 6,85% dos votos, superando candidatos de partidos tradicionais, mas dividindo o voto progressista.
Em 2020, a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) à prefeitura de São Paulo, chegando ao segundo turno, foi vista como um marco. Apesar dos conflitos, PT e PSOL já se alinharam em momentos-chave:
Ambos repudiaram a violência contra a Caravana Lula pelo Brasil em 2018, com o PSOL manifestando solidariedade ao PT contra ataques de ódio da extrema-direita.
Na eleição de 2022, o PSOL integrou a coligação de apoio a Lula, priorizando a derrota de Jair Bolsonaro. Essa aliança, porém, foi pragmática e não eliminou as tensões de longo prazo.
Os embates entre PT e PSOL refletem uma tensão clássica na esquerda: reformismo versus revolucionarismo. O PT, com sua experiência de governo, prioriza a governabilidade, o que o leva a alianças controversas.
O PSOL, por sua vez, mantém uma postura mais radical, mas enfrenta dificuldades para traduzir isso em vitórias eleitorais amplas.
Essa rivalidade enfraquece a esquerda brasileira, dividindo eleitores e permitindo o avanço da direita, como visto no governo Bolsonaro. No entanto, a necessidade de enfrentar inimigos comuns, como o bolsonarismo, força momentos de unidade tática, embora sem superar as diferenças estruturais.
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