Os apelidados ‘Wolbitos‘ são filhotes do mosquito que nascem com a bactéria que impede a transmissão do vírus – Novas populações dos insetos reduzem a transmissão de doenças em até 77%
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‘Wolbachia‘ é um método de controle de pragas, desenvolvido por uma equipe internacional de cientistas, que tem sido estudado e aplicado para controlar populações de mosquitos e outras pragas, como a dengue, zika e chikungunya. A introdução da bactéria homônima no ‘Aedes aegypti‘ teve início em 2010 e, por volta de 2011, ensaios de campo e programas de pesquisa foram iniciados.
Naquela época, de acordo com o perfil ‘@wmpbrasil‘ (World Mosquito Program Brasil), pesquisadores da ONG ‘World Mosquito Program‘ retiraram a ‘Wolbachia pipientis‘, presente em 60% dos insetos da natureza, da ‘drosophila melanogaster‘ (mosca da fruta) e inseriram nos ovos do ‘Aedes aegypti‘, que não tem o microrganismo intracelular, não tendo sido observadas alterações nos DNA da bactéria e do mosquito.
Os filhotes do mosquito, apelidados como ‘Wolbitos‘, passaram a nascer com a bactéria ‘Wolbachia‘, não sendo capazes de carregar os vírus que causam dengue, zika, chikungunya ou febre amarela. Com o método, menos insetos transmitem as doenças. Em 2020, Niterói (RJ) reduziu em 77% os casos de dengue e cerca de 60% os casos de chikungunya. O ‘@wmpbrasil‘ também afirma que a Indonésia reduziu a primeira doença também em 77%. Isso foi possível graças a uma nova população inofensiva de ‘Aedes aegypti’ .
Biofábrica Wolbachia
O Ministério da Saúde, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Governo de Minas Gerais e a prefeitura de Belo Horizonte, inaugurou, na segunda-feira (29/4), a Biofábrica Wolbachia, no bairro Gameleira, região oeste da capital mineira, para a produção do método ‘Wolbachia‘.
A administração da Biofábrica ficará a cargo da Fiocruz, em parceria com o ‘World Mosquito Program‘, com previsão para início da produção em 2025, com estimativa de dois milhões de mosquitos por semana.
O projeto prevê que em MG os ‘Wolbitos‘ sejam soltos na cidade de Brumadinho e em outros 21 municípios da Bacia do Rio Paraopeba, mas com expectativa da Secretaria Estadual de Saúde para expansão da distribuição de mosquitos para todos os municípios mineiros.
O Ministério da Saúde tem planos para inaugurar mais duas unidades da Biofábrica no Ceará e no Paraná, além das que já estão estabelecidas, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.
Seis municípios devem receber em julho as primeiras solturas de ‘Wolbitos‘: Uberlândia (MG), Londrina (PR), Foz do Iguaçu (PR), Presidente Prudente (SP), Joinville (SC) e Natal (RN). Segundo o MS, Brasil é o primeiro país a incorporar a tecnologia como política pública para reduzir os casos de dengue a médio e longo prazo.
Antes da soltura dos mosquitos, há uma etapa de engajamento comunitário pois, inicialmente, a comunidade tem a percepção de que o número de mosquitos aumentou na região, diz a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Ethel Maciel, conforme mostrou a ‘Agência Brasil‘.
A área onde os ‘Wolbitos‘ são soltos não pode ter aplicação de inseticidas, pois é esperado que eles se reproduzam e, com o tempo, substituam os mosquitos sem ‘Wolbachia“.
