Cristina Serra lembra que seu “espectro (…) já havia aparecido num documento do MP-RJ, revelado pelo The Intercept, que o relacionava ao “cara da casa de vidro”
A jornalista e escritora Cristina Serra diz, na Folha de São Paulo, em texto sob título ‘Marielle, o miliciano e o presidente”, que Adriano da Nóbrega “era peça chave para o esclarecimento de crimes que insistem em se aproximar do clã Bolsonaro. Não surpreende que se considerasse um homem marcado para morrer, que não tardaria a ser um “CPF cancelado”. A colunista do jornal também lembrou que “um ano atrás, o espectro de Adriano já havia aparecido num documento do MP-RJ, revelado pelo The Intercept, que o relacionava ao “cara da casa de vidro”. Segundo a reportagem, seria uma referência à fachada do Palácio da Alvorada.
Nóbrega, diz Serra, foi “assassinado em fevereiro de 2020, na Bahia, com todas as características de queima de arquivo” e “reaparece agora na voz de uma de suas irmãs“, escreve, referindo-se à “reportagem de Italo Nogueira, nesta Folha“, que “revela grampos telefônicos feitos pela polícia do Rio em que Daniela da Nóbrega afirma que o irmão, chefe do Escritório do Crime, se considerava um “arquivo morto”.
A jornalista também lembrou, sobre os áudios, que Daniela disse que “já tinham dado cargos comissionados no Planalto pela vida dele” e que “fizeram uma reunião com o nome do Adriano no Planalto“.
“Na distopia tropical em que assassinatos, corrupção, poder e política se misturam com espantosa naturalidade“, prossegue Serra em seu texto, “Fabrício Queiroz, operador da rachadinha, tentou desmentir a irmã de Adriano, dizendo que ela quis se referir ao Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, não ao Planalto” e que “foi a mesma versão adotada em seguida por seu amigo do peito, Bolsonaro“, disse referindo-se à fala do presidente, conforme a seguinte transcrição: “Em vez de falar Palácio Laranjeiras [também do governo do Rio], falou Palácio do Planalto“.
Segundo Serra, “ambos tentam empurrar a execução de Adriano para o ex-governador Wilson Witzel“, mas o “mais grave, porém, é que em ato falho, Bolsonaro relacionou ele mesmo e Adriano da Nóbrega ao assassinato da vereadora Marielle Franco, em março de 2018, sem que esse vínculo tenha sido apontado pelos novos grampos” ao dizer: “Alguém me aponta um motivo que eu poderia ter pra matar Marielle Franco?”
