“Ela era muito brincalhona, todo mundo gostava dela na cidade, na escola. De tão inteligente que ela era na escola, não chamavam de aluna, mas de professora“, relembra o tio
Mirna Raef Nasser, 16, foi encontrada morta ao lado de seu pai, Raef Nasser, 46, após um bombardeio de Israel no sul do Líbano. A morte foi confirmada pelo Itamaraty. A família tentou evacuar durante os ataques, mas o pai decidiu voltar para pegar roupas, resultando na tragédia.
“Ele ia sozinho e a menina não deixou. Ela falou: ‘e se acontece alguma coisa? Se acontecer, eu estou junto com você’. Ela era muito apegada a ele. Aí ela foi com ele e até mandou mensagem para a mãe dela: ‘se acontecer alguma coisa, como meu pai falou, vocês me desculpem’”, conta o tio Ali Bu Khaled, conforme transcrição na Folha de S. Paulo.
“Eles foram encontrados abraçados. Ele tinha abraçado a menina e estava saindo da casa. Atacaram a casa, e o primeiro [míssil] não explodiu“, disse.
“Esse número [de celular] está com ele há 15 anos, e ele nunca deixou de responder. Eu consegui confirmar que atacaram [a residência], mas ninguém sabia se ele estava na casa porque a casa sumiu. Não ficou nada lá. Nem o carro ficou na frente da casa para o pessoal dizer que ele estava lá. Aí depois a mulher dele confirmou que ele estava“, afirmou o tio.
“A Mirna ia vir porque ela nasceu aqui, e a gente iria trazê-la para um passeio para conhecer. Meu irmão estava lá e falou: ‘vou te levar no ano que vem para o Brasil para você conhecer onde você nasceu, você tem direito’. E o pai dela só falou assim: ‘ano que vem vou fazer o passaporte para você, vai lá na embaixada’“, conta Khaled.
“Ela era muito brincalhona, todo mundo gostava dela na cidade, na escola. De tão inteligente que ela era na escola, não chamavam de aluna, mas de professora“, relembra o tio.
A casa foi atingida por três mísseis, mas pai e filha não conseguiram escapar. Khaled perdeu contato com Raef na manhã seguinte ao ataque e ficou preocupado após a morte de outro brasileiro na mesma região.
Raef havia se mudado para o Brasil em 2000, mas voltou ao Líbano em 2009 após conseguir uma proposta de trabalho, considerando que a diferença salarial era pequena. A família planejava levar Mirna para conhecer o Brasil.






