Nem Raquel Dodge poderá salvar Deltan, diz Fernando Brito
Por Fernando Brito, editor do Tijolaço
É evidente que Raquel Dodge, que em toda a sua passagem pela chefia da PGR omitiu-se em relação a quase tudo, se manifesta com interesse em manter-se, frente à categoria, como uma opção “meia-boca” à disposição de Jair Bolsonaro, aponta o editor do Tijolaço
Raquel Dodge quer o arquivamento do inquérito sobre as fake newsaberto pelo Supremo Tribunal Federal, em manifestação feita em pedido de mandado de segurança movido pela Associação Nacional dos Procuradores da República para declara-lo inconstitucional.
Nem vou cuidar do aspecto jurídico, no qual a opinião dominante é a de que a iniciativa do inquérito deveria ser do Ministério Público, embora este não tenha tido a menor reação às notórias ameaças feitas ao Supremo, desde a fala do “um cabo e um soldado” até a bisbilhotagem da vida financeiras de ministros estimulada – para dizer o mínimo – pelo senhor Deltan Dallagnol.
Fico no timing político, da manifestação vir em seguida à decisão, no âmbito daquele inquérito, de pedirem-se cópias dos possíveis arquivos de mensagens da Força Tarefa da Lava Jato, que estariam (ou não, o que seria tão relevante quanto) em poder dos hackers de Araraquara e na linguagem usada por Dodge em seu parecer.
Chamar o Supremo Tribunal Federal, ainda que com muitas vírgulas e “vênias” de “verdadeiro tribunal de exceção” é querer provocar uma reação igual e contrária, assim como pretender que o enfant gaté de Curitiba tenha mandado quebrar o sigilo fiscal dos ministros por debaixo dos panos seja algo que fique sem punição.
É evidente que Raquel Dodge, que em toda a sua passagem pela chefia da PGR omitiu-se em relação a quase tudo, se manifesta com interesse em manter-se, frente à categoria, como uma opção “meia-boca” à disposição de Jair Bolsonaro, que em um mês indicará o nome do novo procurador-geral.
Ao que tudo indica, não funcionará.
